<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037</id><updated>2012-01-30T14:08:16.769Z</updated><category term='comunhão de adquiridos'/><category term='Às vezes'/><category term='Nugae'/><category term='Literatura'/><category term='As fotografias dos outros'/><category term='Escola'/><category term='Mundo Inteligível'/><category term='Livros'/><category term='Educação'/><category term='Poesia'/><category term='Dies irae'/><category term='Gonçalo M. Tavares'/><category term='arte'/><category term='Desenho'/><category term='Música'/><category term='As minhas fotografias'/><category term='política'/><category term='Religião'/><category term='cinema'/><category term='história'/><category term='turismo'/><category term='ida ao sótão'/><category term='&#x9;política'/><category term='filosofia'/><category term='Mundo Sensível'/><category term='Humor'/><category term='No comments'/><category term='ciência'/><category term='Pintura'/><title type='text'>Ponteiros Parados</title><subtitle type='html'>Não há nada mais livre do que um relógio parado</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2352</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4777754352513303709</id><published>2012-01-30T14:08:00.000Z</published><updated>2012-01-30T14:08:16.778Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>ARS AMATORIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4r8Y96vLVmI/TyagRH9OIhI/AAAAAAAAFMk/4E2UnocdqcQ/s1600/Edward_Weston,_Zohma_and_Jean_Charlot,_1933.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-4r8Y96vLVmI/TyagRH9OIhI/AAAAAAAAFMk/4E2UnocdqcQ/s1600/Edward_Weston,_Zohma_and_Jean_Charlot,_1933.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Edward Weston&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz Aristóteles que ao médico ou ao militar não importa conhecer o bem em si para conhecerem e alcançarem o bem nas respectivas profissões. No caso concreto do médico nem sequer interessa saber o que é a saúde em geral mas apenas a saúde deste ou daquele&amp;nbsp;ser humano numa determinada circunstância. Eis o mundo do particular e do concreto, tão distante do mundo da abstracção e das formas vazias. Claro que existe&amp;nbsp;a saúde em geral, enquanto conceito. Sabemos o que é saúde e o que é a doença. Mas quando se trata de curar um aneurisma, uma pedra na vesícula ou uma dor de dentes, pensar na saúde em geral é absolutamente irrelevante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, passa-se o mesmo com a ideia de amor. As pessoas amam, tendo muitas vezes como base uma ideia prévia de amor. As pessoas amam&amp;nbsp;a ideia de amor e, quando amam alguém em particular, amam-na em função dessa ideia de amor. Pensando com Aristóteles, isto parece um erro. O amor não deve ser encarado como uma ideia, um horizonte formal mas uma tarefa completamente inscrita no particular. O médico e o militar perseguem a ideia de bem, mas ser um bom médico não é o mesmo do que ser um bom militar. A ideia de bem é comum a ambos mas cada um deles deve ser bom à sua maneira: diferentes metas, &amp;nbsp;diferentes estratégias, diferentes linguagens. Salvar um ser humano à beira da morte, como faz o médico, não é o mesmo do que pensar na melhor maneira de matar seres humanos à beira da vida, como faz um militar. No entanto, o médico será tanto melhor quanto melhor souber salvar seres humanos, o militar será tanto melhor quanto melhor souber matar seres humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do mesmo modo, cada par amoroso deve encontrar o seu próprio bem, condição necessária para um amor saudável. O que acontece a quem ama, movido pela ideia de amor, é ficar muitas vezes sem saber como amar, tal como um médico ou um militar ficariam sem saber como agir se apenas movidos pela ideia geral de competência e eficácia. E médicos confundidos com militares ou militares confundidos com médicos não seria coisa bonita de se ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4777754352513303709?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4777754352513303709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4777754352513303709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/ars-amatoria.html' title='ARS AMATORIA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4r8Y96vLVmI/TyagRH9OIhI/AAAAAAAAFMk/4E2UnocdqcQ/s72-c/Edward_Weston,_Zohma_and_Jean_Charlot,_1933.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-27571024477765393</id><published>2012-01-29T23:33:00.000Z</published><updated>2012-01-29T23:33:28.648Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>REDENTORA INCONSCIÊNCIA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yeffonS-FBg/TyXTR3QN2xI/AAAAAAAAFMU/lIUwgYNrNjY/s1600/af82c1d1ba03t.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gda="true" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-yeffonS-FBg/TyXTR3QN2xI/AAAAAAAAFMU/lIUwgYNrNjY/s640/af82c1d1ba03t.jpg" width="541" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wks1hRo6MGY/TyXTof5ZuyI/AAAAAAAAFMc/PnQfB8rndzM/s1600/girl-reading-in-an-interior-carl-holsoe1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-wks1hRo6MGY/TyXTof5ZuyI/AAAAAAAAFMc/PnQfB8rndzM/s1600/girl-reading-in-an-interior-carl-holsoe1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi por acidente que conheci a pintura de Carl Holsöe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi por acidente que entrei na livraria onde, por acidente, calhou&amp;nbsp;vir parar às minhas&amp;nbsp;mãos&amp;nbsp;um livro de pintura exclusivamente dedicado a interiores no qual se encontrava a reprodução de um quadro de um pintor dinamarquês de quem nunca tinha ouvido falar e que, por acidente, vi&amp;nbsp;enquanto o folheava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há qualquer anormalidade em não conhecer um pintor como Carl Holsöe. Não o conhecer não é a mesma coisa do que não conhecer Velasquez, Ticiano,&amp;nbsp;Rembrandt ou&amp;nbsp;Vermeer. E o que não conhecemos será sempre infinitamente maior do que o que não conhecemos. A minha questão não é essa.&amp;nbsp;Simplesmente, não deixa de ser&amp;nbsp;estranho pensar como vivemos sem conhecer o que depois de conhecermos consideramos ser imperdoável não conhecer. Não podemos lamentar não conhecermos o que não conhecemos. A inconsciência é, de facto, redentora ou pelo menos apaziguadora. O que não deixa de ser inquietante é pensar no que não conhecemos e que, se por acaso conhecêssemos, consideraríamos imperdoável não conhecermos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Repito: o que não&amp;nbsp;conhecemos é sempre infinitamente maior do que o que conhecemos. Que saibamos, pois, aproveitar bem o que conhecemos, e aproveitar bem a inconsciência do que não conhecemos. Felizmente, não é possível termos a consciência do que não temos consciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-27571024477765393?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/27571024477765393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/27571024477765393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/redentora-inconsciencia.html' title='REDENTORA INCONSCIÊNCIA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yeffonS-FBg/TyXTR3QN2xI/AAAAAAAAFMU/lIUwgYNrNjY/s72-c/af82c1d1ba03t.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5485538488133161983</id><published>2012-01-26T11:29:00.000Z</published><updated>2012-01-26T11:29:59.148Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>NORMALIDADE CONSENTIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-OLFhw0-Ukkg/TyE3WfogcAI/AAAAAAAAFMM/XxFtjCX4xnA/s1600/02424_henri_cartier_bresson.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gda="true" height="640px" src="http://4.bp.blogspot.com/-OLFhw0-Ukkg/TyE3WfogcAI/AAAAAAAAFMM/XxFtjCX4xnA/s640/02424_henri_cartier_bresson.jpg" width="411px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Henri Cartier-Bresson&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;nbsp;ideia de normalidade não é necessariamente boa. Direi mesmo que&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;obsessiva preocupação&amp;nbsp;com a&amp;nbsp;normalidade me deixa&amp;nbsp;apreensivo.&amp;nbsp;Fará sentido&amp;nbsp;desejar ser normal num mundo em que a&amp;nbsp;esmagadora maioria&amp;nbsp;das pessoas sofre de enxaquecas?&amp;nbsp;A minoria que não sofre de&amp;nbsp;enxaquecas deverá querer sofrer igualmente de enxaquecas, para sentir o confortável afago da normalidade? E se, ainda assim, não conseguir sofrer? Deverá&amp;nbsp;padecer de um&amp;nbsp;sentimento de culpa por isso? A&amp;nbsp;enxaqueca, num mundo assim, poderá ser estatisticamente normal e o critério para saber o que é ou não&amp;nbsp;é normal pode passar pela estatística. É normal fazer X, ou&amp;nbsp;gostar de X, porque a maioria faz ou gosta de X. &lt;br /&gt;Mas podemos pensar&amp;nbsp;a ideia de normalidade por outra via: pensar no sentido de fazer X ou de gostar de X, perguntando, por exemplo, se faz sentido querer sofrer de enxaquecas ou gostar de enxaquecas, ou, pelo contrário, se faz sentido não querer&amp;nbsp;sentir dor ou não gostar de sentir dor. &lt;br /&gt;As duas vias não são incompatíveis. Há coisas que são estatisticamente normais e que serão estatisticamente normais muito provavelmente porque fará todo o sentido serem consideradas normais. Mas também haverá muita coisa estatisticamente normal que, muito provavelmente, de acordo com a segunda via, poderá ser considerada anormal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu disse que a obsessão pela normalidade me deixa apreensivo mas eu próprio sou um tipo obcecado pela normalidade. Não pela estatística, que é coisa que sempre detestei. Obcecado pela normalidade, sim, mas&amp;nbsp;no segundo sentido. Ser normal é o meu grande objectivo como pessoa. Mas também gosto de saber que tudo o que faço ou de que gosto,&amp;nbsp;faz sentido. Depois, é só consentir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5485538488133161983?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5485538488133161983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5485538488133161983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/normalidade-consentida.html' title='NORMALIDADE CONSENTIDA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-OLFhw0-Ukkg/TyE3WfogcAI/AAAAAAAAFMM/XxFtjCX4xnA/s72-c/02424_henri_cartier_bresson.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2332631246793218563</id><published>2012-01-25T11:21:00.007Z</published><updated>2012-01-25T23:06:19.360Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>THE RAIN IN SPAIN STAYS MAINLY IN THE PLAIN</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jfA0xqUYoyc/Tx_iVQy_heI/AAAAAAAAFME/-olF8X9dbO4/s1600/henri-cartier-bresson12.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gda="true" height="400px" src="http://1.bp.blogspot.com/-jfA0xqUYoyc/Tx_iVQy_heI/AAAAAAAAFME/-olF8X9dbO4/s400/henri-cartier-bresson12.jpg" width="265px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Henri Cartier-Bresson&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das coisas que mais me atraem na escola salazarista é a sua humildade. A escola salazarista não pretendia tornar os alunos inteligentes mas apenas ensinar a ler, escrever e&amp;nbsp;contar, assim como um conjunto de conhecimentos básicos considerados essenciais. No entanto, e de um modo aparentemente paradoxal, a educação salazarista fazia bem mais pelas crianças e jovens do que a actual educação moderna e democrática, obcecada pela inteligência, pelas competências, pela&amp;nbsp;autonomia e&amp;nbsp;auto-estima dos alunos transformados em livres-pensadores de pacotilha. Vá-se lá saber como, nos decrépitos bancos da escola salazarista deram os primeiros passos todos aqueles que vieram a ser grandes professores,&amp;nbsp;cientistas, médicos, engenheiros, arquitectos,&amp;nbsp;advogados, historiadores, escritores e pintores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A educação salazarista fazia dos alunos macaquinhos durante um período de desenvolvimento em que não passamos mesmo de uns macaquinhos. Eu próprio fui um desses macaquinhos durante 13 anos da minha existência&amp;nbsp;e devo parte do que hoje sou (que, ainda assim, admito&amp;nbsp;não&amp;nbsp;ser grande coisa) a esses 13 anos em que fui obrigado a memorizar&amp;nbsp;e mecanizar informação. Hoje já&amp;nbsp;não serei tão macaquinho como fui outrora mas foi preciso sê-lo durante muito tempo para me dar ao luxo de poder deixar de o ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A insuportável e nefasta falta de humildade da educação democrática revela-se igualmente na ambição totalitária da linguagem, na obsessão pela perfeição científica das suas metas e no horror ao elitismo e à superioridade aristocrática. Já não se querem crianças simplesmente bem educadas mas republicanamente&amp;nbsp;educadas para a cidadania. Os nobres e honrados&amp;nbsp;trabalhos manuais transformaram-se em educação tecnológica, uma espécie de&amp;nbsp;resíduo estalinista&amp;nbsp;incubado no inconsciente colectivo de muitos pedagogos actuais, amantes de uma alucinada modernidade. Os professores transformaram-se em colaboradores&amp;nbsp;de uma comunidade educativa, fruto de um plebeu&amp;nbsp;horror&amp;nbsp;à hierarquia, autoridade&amp;nbsp;e hierática ordem, sempre a trabalhar como mesquinhas formigas, herdeiros perfumados&amp;nbsp;e de cara lavada do velho operário vitoriano de Dickens. As bibliotecas deixaram de ser espaços sagrados para ler e para o silêncio, transformados em modernos&amp;nbsp;centros de recursos para cultivar a ruidosa tagarelice da espontaneidade e prazer da cultura democrática, onde toda a gente tem direito à opinião, macaquinhos orgulhosos da sua vacuidade circense, numa idade em que já deviam&amp;nbsp;ter deixado de o ser. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2332631246793218563?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2332631246793218563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2332631246793218563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/escoliose.html' title='THE RAIN IN SPAIN STAYS MAINLY IN THE PLAIN'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jfA0xqUYoyc/Tx_iVQy_heI/AAAAAAAAFME/-olF8X9dbO4/s72-c/henri-cartier-bresson12.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7237204848523939733</id><published>2012-01-24T18:37:00.001Z</published><updated>2012-01-24T19:51:41.909Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>MÚSICA DE FUNDO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Jk1CP5zC3PU/Tx64wU7YVJI/AAAAAAAAFL8/nLE2_jkB9FA/s1600/Dewing+The+Musician.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-Jk1CP5zC3PU/Tx64wU7YVJI/AAAAAAAAFL8/nLE2_jkB9FA/s1600/Dewing+The+Musician.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Thomas Dewing | The Musician&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Um filme é para ser visto e não para ser ouvido. Daí dizermos que "vimos um filme" e não que "ouvimos um filme". Porém, e sem que muitas vezes dêmos conta disso, a música é um elemento fundamental de qualquer filme, diria mesmo, o que nos conduz à verdadeira essência do filme enquanto drama, comédia, terror, suspense ou aventura. Os nossos olhos fixam-se na sequência narrativa das imagens, atribuímos uma inteligibilidade ao filme a partir dessa sequência e respectivos sinais visuais mas é a música que verdadeiramente liga &amp;nbsp;o coração do espectador ao coração do próprio filme. A música funciona, neste sentido, como uma espécie de inconsciente do filme, uma textura invisível, &amp;nbsp;porque sonora, mas que explica todas as nossas emoções enquanto o vemos: medo, terror, alegria ou ternura. Em suma, vê-se o filme, sobre o qual discorremos racionalmente, mas é a música que verdadeiramente nos vai explicando o filme sem que disso dêmos conta.&lt;br /&gt;Daí poder ser interessante fazer o seguinte exercício: cada pessoa conceber a sua vida como um &amp;nbsp;imaginário &amp;nbsp;filme no qual surge como personagem principal.&amp;nbsp;Entretanto, para tentar perceber o que se passa em cada plano e sequência da sua vida, deverá imaginar a música que o realizador imaginário do seu filme irá escolher para acompanhar as imagens.&amp;nbsp;Eis um bom exercício para podermos compreender o que as imagens de que são feitas as nossas vidas, na sua aparência e fragilidade, muitas vezes não conseguem mostrar.&amp;nbsp;Bom filme!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7237204848523939733?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7237204848523939733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7237204848523939733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/musica-de-fundo.html' title='MÚSICA DE FUNDO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Jk1CP5zC3PU/Tx64wU7YVJI/AAAAAAAAFL8/nLE2_jkB9FA/s72-c/Dewing+The+Musician.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5417872497456665919</id><published>2012-01-23T13:55:00.002Z</published><updated>2012-01-23T16:19:48.616Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>LINHAS TORTAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1G77GHB7OlM/TxyTajN9_4I/AAAAAAAAFL0/ATQalLrPmZA/s1600/Jacques+Henri+Lartigue2psesrd.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="469" src="http://2.bp.blogspot.com/-1G77GHB7OlM/TxyTajN9_4I/AAAAAAAAFL0/ATQalLrPmZA/s640/Jacques+Henri+Lartigue2psesrd.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Jacques Henri Lartigue&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;"Diz-se que o sr. Dias vai mandar &amp;nbsp;construir um palacete &amp;nbsp;no Porto, onde tenciona fixar a sua residência. Damos os parabéns à cidade invicta por tão valiosa aquisição." &amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Camilo Castelo Branco, &lt;i&gt;O Que Fazem Mulheres&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se isto de um excerto de uma notícia de jornal ficcionada por Camilo na qual se informam os leitores do casamento do sr. João José Dias com a exª senhora Ludovina da Glória Pimenta, da sua lua de mel na quinta em Celorico da Beira, propriedade do noivo e, como já vimos, da construção do palacete onde irão residir. João José, enquanto figura, é absolutamente ridicularizado pelo escritor. Um novo rico que fez fortuna no Brasil, comprando posteriormente o título de barão, e homem que, para além de fisicamente repugnante, não passa de um pacóvio ignorante e eloquente exemplo do mais bacoco provincianismo. Ludovina, por sua vez, é uma menina sedenta de bailes, passeios, vestidos, vida social iluminada pela chama do &lt;i&gt;glamour&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Eis, pois, o palacete, como expressão natural da glória social, da vaidade, do orgulho, construído com dinheiro proveniente de um trabalho que não poderia ser mais adverso à sensibilidade estética dos poetas, pintores, escultores, músicos, dinheiro ganho, moeda a moeda, à custa da ambição individual e em nome do mais vil materialismo económico.&lt;br /&gt;Claro que João José e Ludovina são personagens saídas da pena de Camilo. Mas os palacetes que ainda existem hoje por esse país fora são absolutamente reais e resultam muitas vezes&amp;nbsp;de histórias e casamentos como o de João &amp;nbsp;José e Ludovina ou de histórias nas quais as motivações humanas não andam longe das do ridículo casal. Ora é precisamente aqui que vamos encontrar mais uma tremenda ironia histórica. Hoje, são sobretudo esses palacetes que dão beleza às cidades e não os horríveis prédios modernos construídos para armazenar as classes médias que foram emergindo ao longo do século XX. São esses palacetes construídos por ricos pacóvios e mulheres vaidosas que constituem actualmente o mais valorizado património urbano das cidades. São esses palacetes que inebriam os estetas da contemporaneidade e todos aqueles intelectualmente mais profundos que desprezam as classes empresariais e o dinheiro ganho à custa de um&amp;nbsp;empreendedorismo motivado pela ambição e o desejo de riqueza. São esses palacetes que alimentam românticas lutas protagonizadas por muitas pessoas de esquerda e que abominam o grande capital e&amp;nbsp;uma mórbida&amp;nbsp;avidez pelo vil metal,&amp;nbsp;em defesa do património, da identidade, da história, dos valores estéticos.&lt;br /&gt;Eis, portanto, como na origem da identidade, da história, dos valores estéticos, iremos encontrar subterraneamente a estupidez e ambição de João José ou a vaidade e exibicionismo de Ludovina. Na história haverá pouca coisa linear. A história está muito longe de ser uma aberta e rectilínea alameda onde poderíamos caminhar calmamente de olhos fechados sem nos perdermos. A história, pelo contrário, é uma espécie de bairro medieval feito de linhas tortas. Esse é precisamente um dos seus grandes encantos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5417872497456665919?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5417872497456665919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5417872497456665919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/linhas-tortas.html' title='LINHAS TORTAS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-1G77GHB7OlM/TxyTajN9_4I/AAAAAAAAFL0/ATQalLrPmZA/s72-c/Jacques+Henri+Lartigue2psesrd.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5221254723030819832</id><published>2012-01-22T17:10:00.000Z</published><updated>2012-01-22T17:10:24.966Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Sensível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>BOOK-OFF</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nCmwbKBBS9A/TxxB6pot5-I/AAAAAAAAFLc/MlVDyisucfA/s1600/Eugeny+Kozhevnikov.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-nCmwbKBBS9A/TxxB6pot5-I/AAAAAAAAFLc/MlVDyisucfA/s1600/Eugeny+Kozhevnikov.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eugeny Kozhevnikov&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje de manhã comprei dois livros na Book-it. Quando chego ao balcão para os pagar, a menina, com ar experiente e pose de automática rotina, pergunta-me se são para oferta. Uma andorinha esvoaçando não basta para explicar a primavera e é verdade que a sociologia precisa tanto de estatística como a inteligência de córtex cerebral. Mas não consigo deixar de pensar que, em Portugal, os livros serão mais coisa de oferecer do que de ler.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5221254723030819832?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5221254723030819832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5221254723030819832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/book-off.html' title='BOOK-OFF'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nCmwbKBBS9A/TxxB6pot5-I/AAAAAAAAFLc/MlVDyisucfA/s72-c/Eugeny+Kozhevnikov.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8467200075014924392</id><published>2012-01-21T22:30:00.000Z</published><updated>2012-01-21T22:30:57.877Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ida ao sótão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>DOS CONSERVADORES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--wtzhpTD8Yc/Txs61CQO9EI/AAAAAAAAFLU/1ByQnrGjH-o/s1600/aaaaa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/--wtzhpTD8Yc/Txs61CQO9EI/AAAAAAAAFLU/1ByQnrGjH-o/s1600/aaaaa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Lucas Cranach | Sansão e Dalila&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;Há tempos, numa aula, não havia um único aluno que tivesse alguma vez ouvido falar em Sansão e Dalila. Fiquei perplexo. Apesar de nunca ter frequentado a catequese, passei a instrução primária a ouvir histórias bíblicas contadas pela minha catolicíssima&amp;nbsp;e reaccionaríssima&amp;nbsp;professora. Mas isso era num tempo em que as professoras primárias sabiam mais de histórias bíblicas do que de teorias pedagógicas, psicológicas, psicopedagógicas e psicossociais, engolidas à pressa numa qualquer escola superior de educação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;Aos 20 anos,&amp;nbsp;nos meus velhos tempos de ateísmo e anti-clericalismo exacerbado,&amp;nbsp;seria capaz de achar piada à ideia de uma orgia romana&amp;nbsp;iluminada por archotes feitos&amp;nbsp;de folhas da Bíblia a arder. Hoje, confesso, imagino-me mais facilmente a dar aulas de catequese no salão paroquial cá da terra. Sou tão ateu como antes. Mas aprendi a dar valor ao que é eterno e a desvalorizar o lixo que&amp;nbsp;sobra&amp;nbsp;de alimentos cujo prazo de validade será sempre reduzido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8467200075014924392?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8467200075014924392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8467200075014924392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/dos-conservadores.html' title='DOS CONSERVADORES'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--wtzhpTD8Yc/Txs61CQO9EI/AAAAAAAAFLU/1ByQnrGjH-o/s72-c/aaaaa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-824466621649819169</id><published>2012-01-20T17:06:00.002Z</published><updated>2012-01-20T19:31:57.226Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>PARA ALÉM DE WATERLOO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Igg9T4SgCJc/TxmZKT7BKTI/AAAAAAAAFLM/vYilt_-xpJo/s1600/0_280b9_ee85beb2_L.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nfa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-Igg9T4SgCJc/TxmZKT7BKTI/AAAAAAAAFLM/vYilt_-xpJo/s1600/0_280b9_ee85beb2_L.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei a ler Camilo. Ler Camilo, com a imprescindível ajuda do dicionário, é uma festa da língua portuguesa, uma homenagem à vernacular elegância&amp;nbsp;desta língua agora tão escorraçada, um português que tem tanto de&amp;nbsp;satírico,&amp;nbsp; mordaz e&amp;nbsp;inteligente como de&amp;nbsp;subterrâneo, granítico&amp;nbsp;e nocturno. Se Eça é o Chiado e uma ainda hoje vislumbrada mediterrânica brancura lisboeta, Camilo é a alma de um Portugal morto e jazendo, envolvido por húmidas heras,&amp;nbsp;nas&amp;nbsp; umbrosas ruínas de um&amp;nbsp;século XIX neto&amp;nbsp;de um atávico&amp;nbsp;avô que teima em resistir. Se em Eça já se sente o cheiro do gás, em Camilo, os olhos&amp;nbsp;ainda ardem, fatigados pela bruxuleante luz de uma&amp;nbsp;pobre candeia que não consegue iludir a escuridão da noite antiga, vinda do fundo dos tempos.&amp;nbsp;Mas não é isso que me traz agora aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu e o meu amigo &lt;a href="http://kyrieeleison-jcm.blogspot.com/"&gt;Jorge&lt;/a&gt; temos, há muito, um velho contencioso. Eu sou mais dado ao fresco nevoeiro que envolve os verdes&amp;nbsp;campos da velha Albion,&amp;nbsp;cuja lisura&amp;nbsp;é, aqui&amp;nbsp;ou ali, interrompida&amp;nbsp;por um velho palácio, rodeados de belos lagos e árvores centenárias.&amp;nbsp;E como isto está tudo ligado, estou muito longe de me sentir indiferente ao aristocrático cabotinismo de um Churchill nascido em berço de oiro no palácio de Blenheim, onde já tive o prazer de comer uns belos &lt;em&gt;scones&amp;nbsp;&lt;/em&gt;bem molhadinhos por um chá apaziguador em dia de melancólica chuva miudinha. Enfim, sou um pobre professor sem ter onde cair morto mas devo ter sido aristocrata noutra vida ou, quem sabe, um simples pajem isabelino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele, o Jorge, por sua vez, é mais dado aos encantadores eflúvios do Sena, mais atraído pelo urbano&amp;nbsp;burburinho de Saint Germain e por esplanadas outrora&amp;nbsp;frequentadas por revolucionários que fizeram da língua francesa uma espécie de orwelliana Novilíngua, tão afastada já das centenárias &lt;em&gt;Libertés&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;&lt;em&gt;Egalités&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Fraternités&lt;/em&gt; que tantas cabeças ajeitaram nas revolucionárias guilhotinas de um filme de terror. Enfim, eu gosto da quente e&amp;nbsp;confortável lareira, iluminando a suave penumbra de um&amp;nbsp; &lt;em&gt;pub&lt;/em&gt; algures perdido numa obscura aldeia igualmente&amp;nbsp;perdida no mapa, ele prefere o iluminismo do &lt;em&gt;boulevard&lt;/em&gt;, abertas e longas avenidas rumo a um&amp;nbsp;futuro radioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas nada como um bom pedaço de uma tão portuguesa&amp;nbsp;prosa camiliana para fazermos as pazes:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Ricardo esperava-a na sala, correndo o teclado do piano, com a sem-cerimónia dum visitante habitual, beijando-a ao estilo da França, coisa que ele vira fazer a quatro ou cinco viajantes distintos do&amp;nbsp;Porto, que tinham conhecido, em Paris, a «mesa-redonda» dos hotéis onde estiveram».&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E&amp;nbsp;logo a seguir:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Aí vão à pressa dois traços deste Ricardo de&amp;nbsp;Sá. É um bacharel formado em direito, filho doutro bacharel que faz requerimentos, enquanto o filho, reservado para a magistratura, destino em que se dispensa vocação, faz cartas de namoro com letra inglesa, e timbra em comprar no &lt;em&gt;Moré&lt;/em&gt; os mais anilados &lt;em&gt;enveloppes&lt;/em&gt;, e o melhor papel-cetim de fímbria doirada»*.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis,&amp;nbsp; pois, a França e a Inglaterra de mãos dadas graças a&amp;nbsp; um bacharel&amp;nbsp; português, igualmente&amp;nbsp;seduzido pelos dois lados do Canal da Mancha. Talvez Agostinho da Silva razão com a história do luso universalismo e ecumenismo do V Império.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;* &lt;em&gt;O Que Fazem Mulheres&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-824466621649819169?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/824466621649819169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/824466621649819169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/para-alem-de-waterloo.html' title='PARA ALÉM DE WATERLOO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Igg9T4SgCJc/TxmZKT7BKTI/AAAAAAAAFLM/vYilt_-xpJo/s72-c/0_280b9_ee85beb2_L.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7976636692121227140</id><published>2012-01-19T21:16:00.000Z</published><updated>2012-01-19T21:16:24.580Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>REPOUSO E MOVIMENTO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-UKoCwJ9DNV8/TxhuI23989I/AAAAAAAAFLE/CscdPjp35ok/s1600/John+Chillingworth+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-UKoCwJ9DNV8/TxhuI23989I/AAAAAAAAFLE/CscdPjp35ok/s1600/John+Chillingworth+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;John Chillingworth&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;A felicidade tem muito que ver, claro, com a sorte, mas também com uma certa perícia no modo como se gerem as leis do movimento, isto é, a ideia de que um corpo permanece no estado em que se encontra a não ser que alguma coisa o altere, e, no caso de não se alterarem as condições, um corpo em movimento irá continuar sempre em movimento.&lt;/span&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;Ora o que torna muitas vezes as pessoas infelizes é a maneira como gerem a sua relação com o repouso e o movimento: procuram o movimento quando deveriam procurar o repouso, procuram o repouso quando deveriam procurar o movimento. Quanto à felicidade é precisamente o contrário: procurar o movimento quando é o movimento que se exige&lt;/span&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;, o repouso quando repousar é preciso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7976636692121227140?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7976636692121227140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7976636692121227140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/repouso-e-movimento.html' title='REPOUSO E MOVIMENTO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-UKoCwJ9DNV8/TxhuI23989I/AAAAAAAAFLE/CscdPjp35ok/s72-c/John+Chillingworth+1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3115029151415719562</id><published>2012-01-18T23:09:00.000Z</published><updated>2012-01-18T23:09:41.228Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ida ao sótão'/><title type='text'>MUNDO DE PAPEL</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-XbRjc9mUuXY/TxdNVXbF9GI/AAAAAAAAFK8/9uXsQZjOu1Q/s1600/DUNCAN%257E1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="534" nfa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-XbRjc9mUuXY/TxdNVXbF9GI/AAAAAAAAFK8/9uXsQZjOu1Q/s640/DUNCAN%257E1.JPG" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1915, um grupo de jovens toma chá, ou o pequeno-almoço, num daqueles raros dias&amp;nbsp;ingleses em que o ar se torna livre para nele se&amp;nbsp;poder estar. O ar deve estar, pois, ameno, e tendo como música de fundo o verde chilrear dos pássaros.&amp;nbsp;A rapariga do fundo ri. Dá para entender&amp;nbsp;ser ela que fala enquanto os outros a&amp;nbsp;ouvem atentamente. Não há grande entusiasmo mas vislumbra-se uma serenidade primaveril.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há, porém, duas marcas terríveis nesta foto, como se fossem duas profecias pairando sobre as suas cabeças. Por um lado, a desfocagem das árvores (árvores que, na realidade, naquele espaço e naquele tempo, não estão desfocadas), dando à cena um sentimento de vertigem e perdição. Por outro, as mesmas árvores desfocadas que começam a surgir corroídas pelo envelhecimento da própria fotografia, vítima da implacável ferocidade&amp;nbsp;do tempo. Como se esta&amp;nbsp;fotografia tivesse ao mesmo tempo a pretensão de registar o momento para a eternidade mas, sendo de papel, não nos deixasse esquecer o carácter efémero de toda a experiência humana. Tão frágil e delicada como uma árvore. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3115029151415719562?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3115029151415719562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3115029151415719562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/mundo-de-papel.html' title='MUNDO DE PAPEL'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-XbRjc9mUuXY/TxdNVXbF9GI/AAAAAAAAFK8/9uXsQZjOu1Q/s72-c/DUNCAN%257E1.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1413943218824786055</id><published>2012-01-17T17:27:00.000Z</published><updated>2012-01-17T17:27:47.489Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>VERDADEIRAS CORES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-wsVUa0sEzy8/TxV0FUQwCGI/AAAAAAAAFK0/jxldITa2nLk/s1600/Erno+Vadas+05-Procession-1934.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" kba="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-wsVUa0sEzy8/TxV0FUQwCGI/AAAAAAAAFK0/jxldITa2nLk/s640/Erno+Vadas+05-Procession-1934.jpg" width="485px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Erno Vadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante a aula falou-se de cores. O que é o vermelho, o verde ou o azul? Como definir "vermelho", "verde" &amp;nbsp;ou "azul"? Como explicar a um cego, que nunca viu cores, a diferença entre o vermelho, verde e azul? Pronto, esse tipo de coisas. Entretanto, veio à baila a identidade do preto e do branco. Uns, diziam&amp;nbsp;que o branco é a ausência de cor e o preto a mistura de todas as cores. Outros, que não, que é precisamente o contrário: o preto é a ausência de cor e o branco a mistura de todas as cores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que me interessa agora é apenas salientar o espantoso&amp;nbsp;facto de, contrariamente ao que acontece com todas as cores intermédias,&amp;nbsp;o preto e o branco, sendo cores radicalmente opostas, poderem&amp;nbsp;ambas&amp;nbsp;encaixar em definições igualmente opostas, ou seja, tanto na "ausência de cor" como na "mistura de todas as cores".&amp;nbsp;No fundo, e contrariamente ao que se passa com as cores intermédias, há aqui uma promiscuidade entre o tudo e o nada, uma possível confusão entre uma coisa e o seu contrário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É por isso que, apesar de gostar muito de fotografia a preto e branco, prefiro muito mais um mundo de múltiplas&amp;nbsp;cores, de múltiplos matizes, um mundo de cores claras, de cores escuras e de cores intermédias, um mundo de cores quentes e de cores frias, um mundo de cores suaves e de cores fortes. Reduzir o mundo ao preto e ao branco é quase sempre um sinal de perigo, de ameaça, de uma percepção do que parece &amp;nbsp;evidente mas que é marcado pelo tom excessivo do tudo ou nada. Um mundo a preto e branco será sempre um mundo de perigos, arbitrariedades e que esconde a esplendorosa, exuberante e maravilhosamente &amp;nbsp;ambígua pluralidade do mundo e da vida.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1413943218824786055?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1413943218824786055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1413943218824786055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/verdadeiras-cores.html' title='VERDADEIRAS CORES'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-wsVUa0sEzy8/TxV0FUQwCGI/AAAAAAAAFK0/jxldITa2nLk/s72-c/Erno+Vadas+05-Procession-1934.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4968080344978555912</id><published>2012-01-16T13:18:00.000Z</published><updated>2012-01-16T13:18:42.328Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>DECORAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8GHAnxoM_Wo/TxQZ5dGZbQI/AAAAAAAAFKo/_VkFoTeBgcc/s1600/Gertrude+K+-+Newport.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="482" src="http://4.bp.blogspot.com/-8GHAnxoM_Wo/TxQZ5dGZbQI/AAAAAAAAFKo/_VkFoTeBgcc/s640/Gertrude+K+-+Newport.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Gertrude Käsebier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alucinados com o pensamento livre,&amp;nbsp;seduzidos pela&amp;nbsp;reflexão, problematização, inquirição, discussão, pelo cacofónico folclore do debate,&amp;nbsp;fascinados pela liberdade da subjectividade e da opinião,&amp;nbsp;desprezámos o decorar, o saber de cor, o saber pelo coração. Deixámos de decorar poemas para passarmos a analisar poemas porque a análise é um fim em sim mesmo, um ideal de vida, um sinal de inteligência, e a inteligência, como toda a gente sabe, é uma coisa muitíssimo importante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decorar um poema é engolir um poema, absorvê-lo na pele para depois sair ao ritmo das mecânicas batidelas do coração. Não se trata de conhecer um poema porque o poema faz pensar e&amp;nbsp;reflectir mas conhecer um poema como se conhece um filho ou um sabor na boca. Nem é saber porque se gosta, uma vez que gostar é como um rio que flui para o mar sem saber porquê.&lt;br /&gt;Reflectir, problematizar, inquirir, discutir, analisar, não é intrinsecamente mau. Nós somos máquinas pensantes e não podemos deixar de pensar. Mas pensar será sempre o resultado visível de uma falha, de uma ignorância assumida. Pensar é uma espécie de gaguejar, um tropeçar mental. Quem pensa sente a cabeça aos solavancos, desejando, por isso, atingir um resultado para poder finalmente não pensar mais nisso. Pensar é &amp;nbsp;pensar numa resposta para depois sentir o luxo de não voltar a fazer a pergunta. Mas como as respostas nem sempre existem como num manual de instruções de um electrodoméstico, os solavancos, os tremores, os espasmos, nunca chegam a parar.&lt;br /&gt;O ideal seria pensar como quem soletra um &amp;nbsp;poema decorado ou quem reza &amp;nbsp;uma oração decorada, mas isso não é possível. Não se pode pode decorar e pensar ao mesmo tempo. Mas também não é preciso passar do tudo ao nada. Deveríamos pensar quando é preciso pensar (como quem consulta o manual de instruções de um electrodoméstico) mas decorar quando se trata de decorar.&lt;br /&gt;Muita coisa há na vida que não é preciso saber porquê. Basta decorá-las. No coração, claro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4968080344978555912?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4968080344978555912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4968080344978555912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/decorar.html' title='DECORAR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8GHAnxoM_Wo/TxQZ5dGZbQI/AAAAAAAAFKo/_VkFoTeBgcc/s72-c/Gertrude+K+-+Newport.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7646409938179550856</id><published>2012-01-15T23:50:00.000Z</published><updated>2012-01-15T23:50:39.300Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (XIII)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-X2AL9wR5T4Y/TxNl6RDuYiI/AAAAAAAAFKg/UNJKS4Gafxc/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" kba="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-X2AL9wR5T4Y/TxNl6RDuYiI/AAAAAAAAFKg/UNJKS4Gafxc/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É que se a ligação entre os homens fosse perfeita&lt;br /&gt;não teria existido a necessidade de inventar a linguagem.&lt;br /&gt;Falar é a maneira mais civilizada de marcar&lt;br /&gt;uma distância de segurança; os animais rosnam&lt;br /&gt;entre si, os homens elaboram sobre&lt;br /&gt;o clima e citam autores clássicos. Mas ambas as&lt;br /&gt;acções têm o mesmo efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto VI, 32&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7646409938179550856?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7646409938179550856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7646409938179550856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-xiii.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (XIII)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-X2AL9wR5T4Y/TxNl6RDuYiI/AAAAAAAAFKg/UNJKS4Gafxc/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2804911144973044294</id><published>2012-01-12T11:14:00.000Z</published><updated>2012-01-12T11:14:27.697Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>NO PRINCÍPIO ERA O TEMPO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FVfLM3RSkdg/Tw69m7wpJvI/AAAAAAAAFKY/vQvy3roZCGc/s1600/q.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" kba="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-FVfLM3RSkdg/Tw69m7wpJvI/AAAAAAAAFKY/vQvy3roZCGc/s1600/q.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Julia Margaret Cameron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Há insectos que só vivem 24 ou 48 horas. Nascem, vivem e morrem em 24 ou 48 horas, o seu ciclo de vida é de 24 ou 48 horas. As tartarugas gigantes das ilhas Galápagos, por sua vez, vivem em média mais de 150 anos e os elefantes 100 anos. Outros animais vivem 3, 10 ou 30 anos. O homem contemporâneo, em média, morre algures entre os 70 e 80 anos. Pensar nisto é mais importante do que pode parecer à primeira vista. Eu imagino a vida como um filme onde fazemos de nós próprios. E há filmes para todos os gostos e feitios: dramas, comédias, tragédias, filmes de terror, policiais. De momento, não é isto que me interessa mas apenas a duração do filme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não pensando agora no cinema clássico, os filmes&amp;nbsp;de 3 ou mais&amp;nbsp;horas não são habitualmente filmes de acção pura e dura. Um filme de acção pura e dura que durasse&amp;nbsp;esse tempo&amp;nbsp;seria profundamente cansativo e&amp;nbsp;desgastante. Os filmes longos têm uma respiração própria, diálogos que vão para além da espuma que rapidamente&amp;nbsp;se dissolve nas&amp;nbsp;frases, com momentos de instropecção, com planos longos, momentos de silêncio. Na literatura passa-se o mesmo. &lt;em&gt;Guerra e Paz &lt;/em&gt;tem momentos de acção alucinantes mas, depois, tem páginas e páginas de filosofia pura e dura. Também&amp;nbsp;no &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt; vamos encontrar histórias dentro da própria história, todas elas com um sentido moral ou psicologicamente penetrante, que cortam a continuidade da acção em terras de Castilla&amp;nbsp;la Mancha,&amp;nbsp;cujo centro é o próprio cavaleiro da triste figura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto faz-me&amp;nbsp;perguntar o seguinte: que significa viver 70 ou 80 anos? É muito tempo ou pouco tempo? Ora bem, não vivemos tanto como a tartaruga gigante ou o elefante mas, comparada com as vidas da esmagadora maioria dos seres vivos, é uma vida longa. Talvez isto&amp;nbsp;possa significar que não podemos viver a nossa vida como se de um filme de acção&amp;nbsp;se tratasse. Eu entendo que um insecto seja frenético, ande sempre a esvoaçar. Entendo que um rato, nos seus dois anos de vida, não possa estar muito tempo parado. Mas um ser vivo que vive 70 ou 80 anos, não precisa, nem pode estar sempre em movimento. Neste sentido devemos tomar como exemplo a tartaruga ou o elefante. Uma vida humana, pela sua duração, precisa de pausas, de momentos mortos, de silêncios. A vida humana não é uma vida de acção mas uma vida com acções. São coisas completamente diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu vejo à minha volta pessoas que parecem uns insectos tresloucados, pessoas que vivem como se as suas vidas decorressem num espaço de 24 horas.&amp;nbsp; Mas irão viver 70 ou 80 anos. É como imaginar uma cabeça de tartaruga num corpo de insecto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2804911144973044294?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2804911144973044294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2804911144973044294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/no-principio-era-o-tempo.html' title='NO PRINCÍPIO ERA O TEMPO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-FVfLM3RSkdg/Tw69m7wpJvI/AAAAAAAAFKY/vQvy3roZCGc/s72-c/q.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4856023140360983203</id><published>2012-01-11T11:02:00.003Z</published><updated>2012-01-11T18:32:09.702Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>IMUNIDADE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-HRxo0-iyW-o/Tw1bd1g0XII/AAAAAAAAFKM/L0rHehB88Ys/s1600/mdfamilia_tchekhov_em_yalta%252C_na_dacha_dele.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="307" kba="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-HRxo0-iyW-o/Tw1bd1g0XII/AAAAAAAAFKM/L0rHehB88Ys/s400/mdfamilia_tchekhov_em_yalta%252C_na_dacha_dele.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Escrevia livros tristes para pessoas alegres», dizia Nabokov a respeito de Tchekov. O humor, por essência,&amp;nbsp;é ácido, cáustico, desmistificador, destruidor. Rir é&amp;nbsp;anular a aparente&amp;nbsp;seriedade ou&amp;nbsp;normalidade das coisas, é fazer estalar o verniz&amp;nbsp;que esconde umas unhas doentes ou que disfarça mesmo a ausência de unhas. Rir&amp;nbsp;é despir, desmaquilhar, desligar repentinamente&amp;nbsp;a música de fundo que dá ambiente onde o ambiente pura e simplesmente não existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O humor tchekoviano não é assim. Um&amp;nbsp;humor lúcido, claro, pois todo o humor é feito de lucidez, mas, em vez de uma lucidez destruidora, vamos encontrar&amp;nbsp;uma lucidez feita de&amp;nbsp;melancólica bonomia perante a&amp;nbsp;falha, o limite, a presença da ausência,&amp;nbsp;o irónico&amp;nbsp;desencontro com a felicidade.&amp;nbsp;É, por isso, um&amp;nbsp;humor pudico e que&amp;nbsp;olha com respeito para o que é risível pois o que faz rir coincide com o que faz chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste sentido é um humor saudável. Nabokov tem toda a razão&amp;nbsp;ao&amp;nbsp;dizer também que só as pessoas alegres conseguem perceber a tristeza dos seus livros. Porque se trata de uma alegria contida, de uma alegria serena perante a iminência da falha, muito diferente, portanto, da alegria do indigente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os tristes livros para pessoas alegres de Tchekov fez-me lembrar o facto de um realizador como&amp;nbsp;Woody Allen ter feito um filme profundamente angustiante e dramático como &lt;em&gt;Intimidade &lt;/em&gt;(sem esquecer &lt;em&gt;Matchpoint&lt;/em&gt;) ou de um realizador como&amp;nbsp;Bergman ter feito um filme cómico como &lt;em&gt;Sorrisos de uma Noite de Verão&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não será para todos a capacidade de conter a depressiva&amp;nbsp;tristeza com uma lúcida alegria mas também a de conter a torrencial&amp;nbsp;alegria com uma lúcida tristeza. Enfim, a lucidez, &lt;em&gt;tout court&lt;/em&gt;, será sempre um díficil e arriscado dom apenas ao alcance de quem olha para vida como um corpo auto-imune.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4856023140360983203?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4856023140360983203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4856023140360983203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/imunidade.html' title='IMUNIDADE'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-HRxo0-iyW-o/Tw1bd1g0XII/AAAAAAAAFKM/L0rHehB88Ys/s72-c/mdfamilia_tchekhov_em_yalta%252C_na_dacha_dele.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5145024248505897688</id><published>2012-01-10T17:31:00.000Z</published><updated>2012-01-10T17:31:24.988Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>TERRA DE NINGUÉM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6WLJfXu2daA/TwxygK-ssuI/AAAAAAAAFJ8/zlWG-xQHMcU/s1600/24103.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="267" src="http://3.bp.blogspot.com/-6WLJfXu2daA/TwxygK-ssuI/AAAAAAAAFJ8/zlWG-xQHMcU/s400/24103.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Margaret Bourke-White | Hats in the Garment District, New York [1930]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Tchekov, um homem que constrói três escolas nos arredores de Moscovo para filhos de camponeses, tratando ele, directamente, de todos os processos, que cria um serviço de bombeiros, uma clínica de doenças de pele, um museu de Belas-Artes, que se bate, em Moscovo, pela primeira Casa do Povo, com sala de leitura, biblioteca, um auditório e um teatro, que funda a primeira estação biológica da Crimeia, um homem que, enquanto médico, dá consultas gratuitas aos mais pobres, um homem que planta árvores para as ver crescer e, para além disso, é um dos grandes nomes da literatura universal, escreve, numa carta a Górki: &amp;nbsp;«Se cada qual, no seu lote de terra, fizesse tudo o que pudesse, que &amp;nbsp;maravilhosa seria a nossa terra!»&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega a impressionar a ingenuidade do grande escritor russo. «Se cada qual fizer tudo o que puder?». Acontece que há homens que quanto menos fizerem o que podem fazer no seu lote de terra, tanto melhor para a terra. Quanto mais fizerem, pior, quanto menos fizerem, melhor. Diria mesmo que a terra só teria a ganhar se não tivessem nascido. Porém, a partir do momento em que nascem, queira Deus que ouçamos falar &amp;nbsp;deles o menos possível. O escritor que me perdoe a possível insolência, mas apenas peço que seja ínfimo o seu lote de terra e esta tão infértil como um bloco de cimento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5145024248505897688?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5145024248505897688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5145024248505897688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/terra-de-ninguem.html' title='TERRA DE NINGUÉM'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6WLJfXu2daA/TwxygK-ssuI/AAAAAAAAFJ8/zlWG-xQHMcU/s72-c/24103.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-781338880913964747</id><published>2012-01-09T13:50:00.002Z</published><updated>2012-01-09T13:53:15.108Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>O DESPREZO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-F1Ej6enSoNE/TwrnReKU60I/AAAAAAAAFJ0/WD9pIp2_vUU/s1600/humphrey-bogart-rick-and-peter-lorre-ugarte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-F1Ej6enSoNE/TwrnReKU60I/AAAAAAAAFJ0/WD9pIp2_vUU/s1600/humphrey-bogart-rick-and-peter-lorre-ugarte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bogart está calmamente sentado perante o tabuleiro de xadrez, aparentemente alheado do que se passa à sua sua volta. Entretanto, Peter Lorre, com o habitual arzinho de réptil nojento, senta-se na sua mesa e começa a puxar conversa. Bogie não lhe liga nenhuma, expelindo apenas uns monossílabos de circunstância. Passado algum tempo, e apercebendo-se da sua insignificância, Lorre não resiste e acaba por&amp;nbsp;perguntar: "Você despreza-me, não despreza?". A resposta de Bogie é magistral: "Se pensasse em si, desprezava-o".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É muito violento ser desprezado por alguém. As pessoas gostam de ser amadas, admiradas, desejadas, elogiadas. Porém, desprezar alguém tem qualquer de paradoxal. Desprezar uma pessoa pressupõe uma dependência face a essa pessoa, tal como o amor ou a paixão. A pessoa que odeia outra está tão dependente dela como se a amasse. Odiar visceralmente alguém significa pensar nessa pessoa de uma tal maneira que acabamos por instalá-la bem dentro da nossa vida e consciência. A pessoa que odiamos está tão dentro de nós como aquela que amamos. E quanto mais a odiamos mais dependentes estamos dela.&amp;nbsp;Com o desprezo passa-se o mesmo. Desprezar alguém pressupõe uma consciência da existência da pessoa que desprezamos, isto é, pensar na pessoa que desprezamos. E pensar numa pessoa é viver com essa pessoa, é fazê-la entrar dentro da nossa vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, a resposta de Bogie é ainda mais violenta. Bogie não despreza o abjecto Lorre porque nem sequer se dá ao trabalho de pensar nele. Se pensasse, desprezá-lo-ia, mas nem sequer perde tempo a pensar nele. &amp;nbsp;Afirmar que o despreza, representaria um elogio para o desprezado, estaria a valorizar a sua existência. Quando um judeu sente desprezo pela figura de Hitler, isso significa que Hitler é uma figura importante para ele. Para um racista que sente desprezo por pretos, os pretos ocupam na sua consciência um lugar importante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É neste sentido que o ódio e o desprezo têm tanto de auto-destrutivo como o amor e a amizade têm de &amp;nbsp;auto-construtivo. Adormecer a pensar em alguém significa adormecer com essa pessoa. Acordar a pensar em alguém significa acordar com essa pessoa. Conduzir, estando a pensar em alguém, significa viajar com essa pessoa. Almoçar, pensando em alguém, significa almoçar com essa pessoa. Passear a pé, pensando em alguém, significa passear a pé, tendo como companhia essa pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reservemos esses momentos para as pessoas de quem gostamos ou amamos e não para aquelas que sobre &amp;nbsp;as quais pensamos ter razões para desprezar. A vida é demasiado curta e não há tempo a perder.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-781338880913964747?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/781338880913964747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/781338880913964747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/o-desprezo.html' title='O DESPREZO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-F1Ej6enSoNE/TwrnReKU60I/AAAAAAAAFJ0/WD9pIp2_vUU/s72-c/humphrey-bogart-rick-and-peter-lorre-ugarte.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8136943103666694406</id><published>2012-01-08T12:32:00.001Z</published><updated>2012-01-08T19:08:11.901Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>DIAS DE LUZ PERFEITA E EXACTA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qe2tQoftHFE/TwmKqz0EkdI/AAAAAAAAFJg/OiBbV1xZbig/s1600/clarence+white%252C+mother+and+child.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" rea="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-qe2tQoftHFE/TwmKqz0EkdI/AAAAAAAAFJg/OiBbV1xZbig/s640/clarence+white%252C+mother+and+child.jpg" width="513" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Clarence White | Mãe e Filho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta, &lt;br /&gt;Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter, &lt;br /&gt;Pergunto a mim próprio devagar &lt;br /&gt;Por que sequer atribuo eu &lt;br /&gt;Beleza às coisas. &lt;br /&gt;Uma flor acaso tem beleza? &lt;br /&gt;Tem beleza acaso um fruto? &lt;br /&gt;Não: têm cor e forma &lt;br /&gt;E existência apenas. &lt;br /&gt;A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe &lt;br /&gt;Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão. &lt;br /&gt;Não significa nada. &lt;br /&gt;Então por que digo eu das coisas: são belas? &lt;br /&gt;Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver, &lt;br /&gt;Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens &lt;br /&gt;Perante as coisas, &lt;br /&gt;Perante as coisas que simplesmente existem. &lt;br /&gt;Que difícil ser próprio e não ver senão o visível! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Alberto Caeiro, Poema XXVI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em dias de luz perfeita e exacta, a linguagem é uma doença, o vírus vindo do espaço,&amp;nbsp;de que falava William S. Burroughs. Um vírus que se instala e reproduz no cérebro para depois se instalar no mundo, não para nos aproximar mas para nos afastar cada vez mais dele. Como um martelo, um alicate ou um abre-latas, a linguagem não passa de uma ferramenta. Vale o que vale. Eu preciso de uma ferramenta para resolver problemas, para encontrar soluções mas, em dias de luz perfeita e exacta, recorrer à linguagem e aos conceitos é como entrar numa loja de ferragens em vez de passear num jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que significa dizer que uma coisa é bela? O que é a beleza? Dirá Platão que uma coisa é bela, seja uma paisagem, um fruto, uma mulher ou um edifício porque, enquanto vãs e frágeis realidades sensíveis, participam da ideia de beleza. Ideia de beleza que é una, ou seja, não há várias ideias de beleza. Há uma ideia de beleza como há uma ideia de "número" ou&amp;nbsp;de "triângulo".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito bem. Mas o que há de comum entre a serra de Sintra, um quadro de Vermeer,&amp;nbsp;uma mulher, uma abadia em ruínas,&amp;nbsp;o segundo andamento do concerto para piano de Ravel&amp;nbsp;ou uma laranja numa fruteira com mar ao fundo? O que há de comum entre a essência vegetal de uma árvore e a essência&amp;nbsp;musical de uma sonata? O que há de comum entre o&amp;nbsp;rosto de uma mulher e um&amp;nbsp;destroço de pedras condenadas pelo peso dos séculos? O que há de comum entre o mar e um&amp;nbsp;insecto que trepa uma flor? Nada. No entanto, reduzimos tudo à categoria de beleza. Mas o que é beleza? Que cor tem a beleza? Que cheiro tem a beleza? Que forma tem a beleza? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde Platão que confundimos a estética com a epistemologia. Mas em dias de luz perfeita e exacta, confundir a estética com a epistemologia significa&amp;nbsp;transformar a nossa alma no&amp;nbsp;gabinete de Fausto, feito de ferramentas e de sombras&amp;nbsp;que&amp;nbsp;infectam&amp;nbsp;os dias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada como arejar as casas, sobretudo em dias de luz perfeita e exacta, para combater os vírus que nos põem doentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8136943103666694406?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8136943103666694406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8136943103666694406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/dias-de-luz-perfeita-e-exacta.html' title='DIAS DE LUZ PERFEITA E EXACTA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qe2tQoftHFE/TwmKqz0EkdI/AAAAAAAAFJg/OiBbV1xZbig/s72-c/clarence+white%252C+mother+and+child.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-459607996801697148</id><published>2012-01-07T17:45:00.000Z</published><updated>2012-01-07T17:45:41.890Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>NEM OFICIAIS NEM CAVALHEIROS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NW0ZEtMc1OA/Twh7dB-w9LI/AAAAAAAAFJY/97sPinSrz2I/s1600/a-dama-de-shanghai.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="285" src="http://2.bp.blogspot.com/-NW0ZEtMc1OA/Twh7dB-w9LI/AAAAAAAAFJY/97sPinSrz2I/s400/a-dama-de-shanghai.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Entre um homem e uma mulher nunca poderá existir aquilo a que se convencionou chamar um "acordo de cavalheiros". E não o digo por causa da etimologia, pela ligação de cavalheiro a "cavaleiro" ou "cavalaria", a um ideal de nobreza cuja base é essencialmente masculina. Portanto, se afirmo não ser tal acordo possível, nada tem que ver com a essência masculina de um "cavalheiro" em oposição à essência feminina de "dama".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é um "acordo de cavalheiros"? Trata-se de um acordo no qual, por motivo de honra, educação ou &amp;nbsp;probidade moral, dois homens se submetem a um código por ambos aceite e partilhado. No fundo, trata-se de um sistema, como a língua ou outra estrutura afim, no qual as vontades individuais se diluem. Nós não falamos português porque desejamos ou decidimos falar português, nós falamos português porque não nos imaginamos a falar outra língua devido ao modo como essa língua está impregnada no nosso "código genético". Do mesmo modo, dois cavalheiros, em virtude da sua educação, do seu carácter, da sua elevação moral, decidem chegar a acordo sobre um determinado assunto, sem necessitarem de papéis, formalizações jurídicas, testemunhas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, entre um homem e uma mulher nunca tal poderá acontecer. Não significa isto que não possa haver acordos entre homens e mulheres. Claro que pode, homens e mulheres passam as suas vidas a chegarem a acordo entre si. Acontece, porém, que nunca poderá ser um acordo de cavalheiros. Porquê? Porque num acordo entre um homem e uma mulher nunca haverá a diluição dos seus eus num sistema global que os transcende. Os eus masculinos diluem-se nesse sistema. O eu masculino e o eu feminino, por sua vez, quando frente a frente, serão sempre irredutíveis a qualquer sistema. Um homem, perante uma mulher, será sempre um homem perante uma mulher, uma mulher, perante um homem, será sempre uma mulher perante um homem. Num acordo de cavalheiros, contrariamente ao que se pode julgar, a masculinidade é relegada para segundo plano, sendo substituída pelo ideal de "cavalheirismo". Um cavalheiro é um homem mas um homem não tem de ser necessariamente um cavalheiro. Quando um homem se torna cavalheiro e chega a acordo com outro cavalheiro, o "cavalheirismo" do acordo a que ambos chegam, sobrepõe-se à natural masculinidade de ambos, como se fosse uma segunda natureza.&lt;br /&gt;Entre um homem e uma mulher nunca tal acontecerá. Estaremos sempre no domínio das vontades individuais, da conflitualidade inerente ao dualismo dos géneros e, contrariamente à previsibilidade e mecanicismo do sistema, estaremos inevitavelmente no domínio da imprevisibilidade, do capricho, das arbitrárias &amp;nbsp;e obscuras movimentações da biologia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-459607996801697148?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/459607996801697148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/459607996801697148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/nem-oficiais-nem-cavalheiros.html' title='NEM OFICIAIS NEM CAVALHEIROS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NW0ZEtMc1OA/Twh7dB-w9LI/AAAAAAAAFJY/97sPinSrz2I/s72-c/a-dama-de-shanghai.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8172488409027359261</id><published>2012-01-06T21:12:00.000Z</published><updated>2012-01-06T21:12:08.776Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (XII)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-CWK12i_O9NI/TwdjeSCRIAI/AAAAAAAAFI4/9S4LLSrox8Y/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400px" rea="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-CWK12i_O9NI/TwdjeSCRIAI/AAAAAAAAFI4/9S4LLSrox8Y/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Bloom fala, escreve, ouve, é um facto,&lt;br /&gt;mas tem também dois olhinhos:&lt;br /&gt;gosta de ver uma mulher que se despe,&lt;br /&gt;um homem que salta, o animal que corre com medo,&lt;br /&gt;a trovoada e a chuva forte (quando as vê dentro de casa),&lt;br /&gt;gosta, enfim, de estar vivo,&lt;br /&gt;desde que, claro, o próprio corpo, esse estúpido,&lt;br /&gt;não o moleste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto V, 100&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8172488409027359261?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8172488409027359261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8172488409027359261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-xii.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (XII)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-CWK12i_O9NI/TwdjeSCRIAI/AAAAAAAAFI4/9S4LLSrox8Y/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-152725749222093065</id><published>2012-01-05T11:32:00.005Z</published><updated>2012-01-11T18:36:23.410Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='As fotografias dos outros'/><title type='text'>AQUILES SEM TARTARUGA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gg_zy87dhmU/TwWEI29FpII/AAAAAAAAFIw/umgPFbXTAw4/s1600/skarmavbild-2010-06-22-kl-13-01-04.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="323" rea="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-gg_zy87dhmU/TwWEI29FpII/AAAAAAAAFIw/umgPFbXTAw4/s400/skarmavbild-2010-06-22-kl-13-01-04.png" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A relação entre a velocidade e a abertura é um dos elementos básicos da fotografia. É com base nessa relação que tanto&amp;nbsp;é possível fabricar corpos arrastados no espaço (por exemplo, o rasto fantasmagórico&amp;nbsp;de uma pessoa em movimento ou,&amp;nbsp;de noite,&amp;nbsp;os faróis de um&amp;nbsp;carro numa linha contínua) como, em sentido contrário, congelar um corpo em movimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascido em 1903, Harold Edgerton foi o grande pioneiro desta última técnica, graças ao uso da luz estroboscópica. São célebres as suas imagens de uma bala congelada no ar&amp;nbsp;no momento em que atravessa uma maçã ou&amp;nbsp;uma gota de leite a salpicar quando bate no fundo. Em 1987, três anos antes de morrer, a &lt;em&gt;National Geographic&lt;/em&gt; dedica-lhe um artigo: "The man who made time stand still".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu fico fascinado com&amp;nbsp;esta imagem da bala parada&amp;nbsp;e da explosão da&amp;nbsp;maçã. E não penso especialmente no seu&amp;nbsp;belíssimo efeito estético. Refiro-me exactamente à possibilidade de assistirmos a um fenómeno físico imperceptível a olho nu devido a condicionalismos de natureza temporal:&amp;nbsp;a velocidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que é fascinante na percepção que temos de uma maçã rasgada por uma bala, assim como da bala que rasga a maçã, tornar-se-ia um pesadelo se pudéssemos congelar&amp;nbsp;mentalmente os fenómenos dos quais são feitas as nossas vidas. As nossas vidas são feitas de construções mas também de&amp;nbsp;destroços, explosões, desperdícios, vácuos, pequenos nadas.&amp;nbsp;Se pudéssemos assistir, mentalmente, a tudo isso, a vida seria insuportável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1963, Andy Warhol realiza um filme (Sleep) que consiste apenas em filmar o seu amigo John Giorno enquanto dorme. Uma sequência de 5 horas e 20 minutos em que apenas se vê um homem a dormir. Nada em Warhol me fascina e ainda menos este filme. Mas se nós víssemos a vida nesta escala microscópica, passo a passo, milímetro a milímetro, átomo a&amp;nbsp;átomo,&amp;nbsp;não só não seria fascinante como também distópico. Um horror, portanto. E um horror porque, na vida, os vazios&amp;nbsp;são tão importante como a plenitude, os espaços em branco tão importantes como os espaços ocupados, os silêncios tão importantes como os sons, os esquecimentos tão importantes como as memórias, a velocidade artificial&amp;nbsp;das coisas tão importante como a verdadeira&amp;nbsp;escala temporal em que elas acontecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Felizmente, não temos a capacidade mental&amp;nbsp;de uma máquina fotográfica. Uma imperfeição que, como tantas imperfeições humanas, é um verdadeiro luxo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-152725749222093065?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/152725749222093065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/152725749222093065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/zenao-sem-tartaruga.html' title='AQUILES SEM TARTARUGA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-gg_zy87dhmU/TwWEI29FpII/AAAAAAAAFIw/umgPFbXTAw4/s72-c/skarmavbild-2010-06-22-kl-13-01-04.png' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1836424317330936818</id><published>2012-01-04T22:26:00.000Z</published><updated>2012-01-04T22:26:11.962Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (XI)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-17ePI6ttL0o/TwTR0O6YumI/AAAAAAAAFIk/ViaEqLoeq1E/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400px" rea="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-17ePI6ttL0o/TwTR0O6YumI/AAAAAAAAFIk/ViaEqLoeq1E/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;As árvores, por exemplo, toleram bem o tédio:&lt;br /&gt;praticamente nada acontece no reino vegetal de uma floresta,&lt;br /&gt;e não é por essa razão que as exaltações guerreiras&lt;br /&gt;se multiplicam. O homem&lt;br /&gt;-&amp;nbsp; disse o velho - deveria aprender a imitar&lt;br /&gt;o ímpeto lento das árvores&lt;br /&gt;que sem serem vistas e jamais parando, sobem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto VI, 49&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1836424317330936818?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1836424317330936818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1836424317330936818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-xi.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (XI)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-17ePI6ttL0o/TwTR0O6YumI/AAAAAAAAFIk/ViaEqLoeq1E/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5766347537152314134</id><published>2012-01-04T11:29:00.003Z</published><updated>2012-01-04T11:32:56.168Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>PARÁBOLA ESPECIALMENTE INDICADA PARA UM NOVO ANO QUE COMEÇA E MAIS OS QUE HÃO-DE VIR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MVBi1evdnP8/TwQ1T_ESjiI/AAAAAAAAFIY/yLpNC7w03Qc/s1600/Henri_cartier-bresson-foto-brasserie_Lipp_1969.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" rea="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-MVBi1evdnP8/TwQ1T_ESjiI/AAAAAAAAFIY/yLpNC7w03Qc/s640/Henri_cartier-bresson-foto-brasserie_Lipp_1969.jpg" width="422" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Henri Cartier-Bresson&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda a gente se lembra. Depois de uma má campanha na fase de apuramento, a Dinamarca falha a qualicação para a fase final do campeonato da Europa de 92. Entretanto, devido a sanções políticas por causa da guerra, a selecção apurada, a Jugoslávia, ficou impedida de participar no torneio, tendo então&amp;nbsp;a Dinamarca&amp;nbsp;sido repescada à pressa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os jogadores preparavam-se para gozar férias. O treinador viria a confessar que, no momento em que soube do imprevisto&amp;nbsp;apuramento, andava ocupado com a remodelação da cozinha lá de casa. Michael Laudrup, a vedeta da equipa, em rota de colisão com o treinador, decidira abandonar a equipa. E&amp;nbsp;contrariamente aos longos&amp;nbsp;e tecnicamente&amp;nbsp;preparados estágios das outras equipas, tiveram apenas duas semanas de preparação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram campeões europeus, tendo, na final, derrotado a poderosa&amp;nbsp;Alemanha por 2-0, depois de terem eliminado a poderosa Holanda nas meias-finais. Uma lição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5766347537152314134?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5766347537152314134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5766347537152314134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2012/01/parabola-especialmente-indicada-para-um.html' title='PARÁBOLA ESPECIALMENTE INDICADA PARA UM NOVO ANO QUE COMEÇA E MAIS OS QUE HÃO-DE VIR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-MVBi1evdnP8/TwQ1T_ESjiI/AAAAAAAAFIY/yLpNC7w03Qc/s72-c/Henri_cartier-bresson-foto-brasserie_Lipp_1969.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3677853739900358408</id><published>2011-12-31T17:46:00.003Z</published><updated>2011-12-31T17:47:32.445Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>O TEMPO REENCONTRADO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-neFKECD4tqo/Tv9Bt9neFxI/AAAAAAAAFIM/c4TySG_b3GU/s1600/W_H_F_Talbot.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://3.bp.blogspot.com/-neFKECD4tqo/Tv9Bt9neFxI/AAAAAAAAFIM/c4TySG_b3GU/s640/W_H_F_Talbot.jpg" width="546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif; line-height: 22px;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;William Henry Fox Talbot | Auto-Retrato&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif; line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif; line-height: 22px;"&gt;«Reform, reform, reform. Aren't things bad enough already?» Foi este desabafo de um dos duques de Wellington que enviei aos meus amigos e outras pessoas mais chegadas no tradicional mail de votos de um bom ano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif; line-height: 22px;"&gt;Ironia das ironias, trata-se de uma frase conservadora com um conteúdo profundamente revolucionário, contrariamente a outras frases revolucionárias que, hoje, se tornaram escandalosa e repugnantemente conservadoras. Na 11º tese sobre Feuerbach, lamentava o revolucionário Karl Marx que, até ali, os filósofos se tinham apenas limitado a interpretar o mundo mas o que verdadeiramente importava era transformá-lo. Esta frase tão revolucionária, hoje, tornou-se um pesadelo. Apetece dizer que o mundo hoje está tão transformado que, o que verdadeiramente importa é pará-lo para o poder interpretar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 22px;"&gt;É neste sentido que a frase em cima apresentada contém, nos nossos dias, e neste simbólico momento de entrada num novo ano, um valor inestimável, devendo estar sempre presente nas consciências de todos. Seja na política, na economia, no trabalho, e em particular na escola (a minha área) mas também nas nossas vidas pessoais, no modo como pensamos o mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 22px;"&gt;Existe hoje um ímpeto transformador que, visto por si mesmo, não traz nada de bom. Transformar por transformar não tem qualquer valor. A modernidade só pela vaidade da modernidade é absolutamente vazia. Há coisas &amp;nbsp;boas que se conservaram durante séculos ou anos e que, hoje, facilmente são postas em causa. Coisas que se conquistaram e conservaram precisamente porque são boas. A felicidade não é boa por nós gostarmos dela. Pelo contrário, gostamos dela precisamente porque é boa. Seria bom ter sempre isso presente e, como Aristóteles, há muitos e muitos séculos atrás, continuarmos a reflectir sobre ela em vez de nos enterrarmos cada vez mais no que dá cabo dela. Como lembra o escritor Gonçalo M. Tavares, parafraseando Hans Christian Andersen, pede-se às pessoas para rezarem e estas apenas sabem cantar a tabuada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 22px;"&gt;Bom 2011, ups, enganei-me, bom 2012.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3677853739900358408?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3677853739900358408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3677853739900358408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/o-tempo-reencontrado_31.html' title='O TEMPO REENCONTRADO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-neFKECD4tqo/Tv9Bt9neFxI/AAAAAAAAFIM/c4TySG_b3GU/s72-c/W_H_F_Talbot.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-593882981515613963</id><published>2011-12-30T18:52:00.000Z</published><updated>2011-12-30T18:52:12.100Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ida ao sótão'/><title type='text'>NARCISISMO MATINAL</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-k9IZpywlEmI/Tv4HeS7f_hI/AAAAAAAAFIA/jihLZbTxIxs/s1600/21narciso_caravaggio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-k9IZpywlEmI/Tv4HeS7f_hI/AAAAAAAAFIA/jihLZbTxIxs/s640/21narciso_caravaggio.jpg" width="524" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Caravaggio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pessoas há que têm dificuldade em enfrentar o espelho matinal com o rosto ainda com restos de sono. Lembro-me de, numa entrevista, António Lobo Antunes dizer que o pai tirava os óculos para fazer a barba para não ver nitidamente o rosto deformado por horas de sono, apenas o branco puro e imaculado do creme de barbear.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podemos ver um anti-Narciso em todo aquele que recusa ver o seu rosto no espelho matinal. Narciso é precisamente aquele que adora contemplar-se, alheando-se da contemplação de todos os outros rostos. Mas é exactamente o contrário. Recusar-se a enfrentar o seu próprio rosto continua a ser um acto de enorme narcisismo. Só recusa ver o seu rosto aquele que quer muito ver o seu rosto mas sabe que não vai encontrar o rosto que desejaria. Amar-se a si mesmo não é mais narcisismo do que sofrer por não poder amar uma parte de si que não existe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-593882981515613963?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/593882981515613963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/593882981515613963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/narcisismo-matinal.html' title='NARCISISMO MATINAL'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-k9IZpywlEmI/Tv4HeS7f_hI/AAAAAAAAFIA/jihLZbTxIxs/s72-c/21narciso_caravaggio.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-589932575271874303</id><published>2011-12-29T20:53:00.001Z</published><updated>2011-12-30T10:43:47.817Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>DE OLHOS BEM FECHADOS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OYucotxtSDk/TvzSumosUBI/AAAAAAAAFH0/C4OIpon2MEg/s1600/951f3e502bae045f590b3e46a7fabd2f.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-OYucotxtSDk/TvzSumosUBI/AAAAAAAAFH0/C4OIpon2MEg/s1600/951f3e502bae045f590b3e46a7fabd2f.jpeg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Julia Margaret Cameron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve tempos em que para mim era importante saber se uma pessoa era de esquerda ou de direita, se era religiosa ou ateia, se lia Marx ou Corin Tellado, se era apreciadora de arte holandesa ou de telenovelas mexicanas, se era egiptólogo ou costureirinha da sé. Nos meus 20, 30 ou 40 anos, acreditava serem &amp;nbsp;importante critérios para, como animais que farejam mais do que pensam, nos podermos orientar em relação aos outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, aos 50 anos, já nada disso me interessa. A verdade de uma pessoa começa no momento em que fecha os olhos para adormecer. Nós somos o que dormimos. Ou, como diria o bardo inglês, somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sono não tem ideologia, religião, mentalidade, moral ou profissão. Acordar é apenas regressar diariamente ao palco onde, como actores cómicos ou dramáticos, conhecemos de cor o papel que iremos desempenhar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-589932575271874303?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/589932575271874303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/589932575271874303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/de-olhos-bem-fechados.html' title='DE OLHOS BEM FECHADOS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OYucotxtSDk/TvzSumosUBI/AAAAAAAAFH0/C4OIpon2MEg/s72-c/951f3e502bae045f590b3e46a7fabd2f.jpeg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4756807833120394295</id><published>2011-12-28T12:01:00.001Z</published><updated>2011-12-28T12:40:14.140Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>PIERRE MENARD REVISITADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-g7GkvmoWlag/Tvr-G1nrqsI/AAAAAAAAFHo/Ziz6lZvVgOg/s1600/quixote1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" rea="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-g7GkvmoWlag/Tvr-G1nrqsI/AAAAAAAAFHo/Ziz6lZvVgOg/s400/quixote1.jpg" width="244" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dOqP-S5p9ko/Tvr9_lqrQQI/AAAAAAAAFHg/EfLvH4Jyny0/s1600/quixote_2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" rea="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-dOqP-S5p9ko/Tvr9_lqrQQI/AAAAAAAAFHg/EfLvH4Jyny0/s400/quixote_2.jpg" width="244" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Ontem, depois de 11 meses sem saber dele, voltei a encontrar o &lt;em&gt;D. Quixote&amp;nbsp;&lt;/em&gt;que, neste caso, não andava perdido pelos campos de Castilla La&amp;nbsp;Mancha mas, algures, numa&amp;nbsp;qualquer arca perdida em Torres Novas.&amp;nbsp;Isto, dito, assim, pode não querer dizer nada mas quer dizer muito e irei explicar porquê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito antes de ter lido o D. Quixote eu fiz várias tentativas para o ler sem nunca chegar a consegui-lo. Tentei uma versão e não consegui, tentei outra versão e também não consegui. Até que compro uma outra edição, aliás, simples e barata, com tradução e notas de José Bento. Comecei a ler e já não consegui parar, tendo, no fim, tomado a decisão de ser aquele o livro da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, eu tenho o hábito de sublinhar os livros, incluindo romances. Acontece que, como não poderia deixar de ser, eu tenho o &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt; bastante sublinhado, relendo muitas&amp;nbsp;vezes&amp;nbsp;essas inúmeras passagens, coisa&amp;nbsp;tão importante como tomar&amp;nbsp;um bom banho de mar, fazer uma caminhada bem cedo de madrugada ou comer chocolate. Uma coisa muito física, quase vital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de continuarem em minha posse as outras duas edições, cheguei a ponderar comprar de novo a edição perdida. Mas não era o livro que eu queria. O que eu queria era o livro sublinhado por mim. É o mesmo livro mas não é o mesmo livro. Há uma enorme diferença entre o livro virgem e o livro sublinhado por mim. O livro virgem é o livro escrito por Cervantes e publicado em 1605 (primeira parte) e 1615 (segunda parte). O livro sublinhado, por sua vez,&amp;nbsp;é o livro escrito&amp;nbsp;com a mão de&amp;nbsp;Cervantes e escrito&amp;nbsp;com os&amp;nbsp;meus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu fosse um Orlando ao contrário e, em vez de caminhar imortalmente do passado para o futuro, caminhasse do futuro para o passado, podendo reprotagonizar a escrita de um livro para ser lido no futuro, teria parado no momento em que Cervantes se prepararia para escrever o &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt;. Compreender que o &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt; é o livro da minha vida significa igualmente compreender que o &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt; é o livro em que absolutamente coincidem a cabeça do escritor e a cabeça do leitor que sou eu, o livro cujo momento de leitura coincide absolutamente com o momento da escrita. E, como diria Pierre Menard a Borges «antes de tudo um livro agradável» e não «uma ocasião de brindes patrióticos, de soberba gramatical, de obscenas edições de luxo. A glória é uma incompreensão e talvez a pior». Ou seja, o livro em estado de puro no &lt;em&gt;atelier&lt;/em&gt;&amp;nbsp; mental do pintor, tal como um quadro de Velasquez acabado de pintar na caótica e suja oficina do pintor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tê-lo reencontrado foi como ter reecontrado um livro escrito por mim. Dito de outra maneira: foi como ter reencontrado uma parte de mim, algures perdida por aí. Não a glória, claro está, apenas uma parte agradável de mim, aquela de que sempre gostei e continuarei eternamente&amp;nbsp;a procurar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4756807833120394295?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4756807833120394295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4756807833120394295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/pierre-menard-revisitado.html' title='PIERRE MENARD REVISITADO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-g7GkvmoWlag/Tvr-G1nrqsI/AAAAAAAAFHo/Ziz6lZvVgOg/s72-c/quixote1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8139099197069500889</id><published>2011-12-27T13:05:00.002Z</published><updated>2011-12-27T13:08:35.135Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>NIETZSCHE C'EST MOI</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SEM35hwfojk/Tvm3w3CdrlI/AAAAAAAAFHU/rFwd2ZIGVD8/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="462" rea="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-SEM35hwfojk/Tvm3w3CdrlI/AAAAAAAAFHU/rFwd2ZIGVD8/s640/untitled.bmp" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O Passado Remoto&lt;/em&gt; é uma belíssima autobiografia de Giovanni Papini que começa da seguinte maneira: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Este livro não é nem pretende ser uma autobiografia. Aqueles que se põem a contar a sua vida de fio a pavio, desde os primeiros passos, julgam-se personagens muito importantes na cena do mundo e, ao mesmo tempo, dão já por encerrada e concluída a sua obra. Não tenho nem esta modéstia nem aquela pretensão. Este livro, muito&amp;nbsp;pelo contrário, é um livro de recordações pessoais, mas onde a primeira pessoa comparece, por simples necessidade de narração, somente para apresentar as figuras e os factos das terceiras pessoas. É, pois, uma recolha de testemunhos: testemunhos sobre certos acontecimentos ou figuras que observei nos mais verdes anos da minha vida e, principalmente, testemunhos sobre homens que conheci. Uns e outros propõem-se contribuir para o conhecimento dos diversos aspectos, humores, gostos, pensamentos e costumes de um período (1885-1914) que, hoje, depois das guerras e das revoluções que têm alterado a feição da Europa, bem pode chamar-se "remoto". Se em algumas destas recordações apareço como protagonista ou quase protagonista, mantém-se todavia firme o propósito de revelar certos motivos ou tonalidades daquela época distante».&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega a ser perturbadora esta espécie de modéstia ou ingenuidade&amp;nbsp;em alguém que pretende descrever descentradamente&amp;nbsp;um período&amp;nbsp;histórico do qual fez parte. Entendo esta quase vergonha em se assumir como protagonista mas é um processo inevitável em qualquer descrição do mundo que não se apresente formal e tecnicamente como científica. Porque o mundo e, particularmente, a história,&amp;nbsp;por muito objectivamente que o queiramos descrever, é sempre engolido pelo protagonismo de quem o descreve. O mundo, na cabeça de&amp;nbsp;um vulgar e anónimo&amp;nbsp;soldado russo em Borodino, está todo ele na cabeça desse soldado russo. Neste sentido, cada ser humano&amp;nbsp;funciona como&amp;nbsp;uma espécie de escafandro ao contrário: o nosso equipamento mental não serve para impedir o mundo de entrar em nós mas precisamente para impedir que o mundo saia de nós depois de nele ter entrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É sintomático o modo como Papini inicia a sua (supostamente falsa) autobiografia. Faz uma longa viagem até à sua infância, até um remoto&amp;nbsp;dia de sol&amp;nbsp;de Inverno na sua Florença natal, durante um passeio levado pela mão da sua mãe. Entretanto, em frente&amp;nbsp;a um hotel da cidade, passam por ele&amp;nbsp;dois estrangeiros, tendo um deles, homem&amp;nbsp;com&amp;nbsp;"ar grave e um pouco triste",&amp;nbsp;parado para acariciar, com afectuosa delicadeza, os seus caracóis loiros.&amp;nbsp;Assume o escritor: «Por muito tempo ficou em mim a estranha imagem daquele homem de grandes bigodes, que me tinha olhado e afagado, tanto mais que semelhantes gestos de admiração me eram dirigidos quase sempre por mulheres». Esse homem era Friederich Nietzsche que, viria o escritor italiano,&amp;nbsp;anos depois,&amp;nbsp;a confirmar, tinha sido convidado pelo director desse hotel para passar uns dias em Florença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste capítulo, Papini fala sobre Nietzsche ou fala sobre si próprio? Claro que é sobre si próprio. Nietzsche, aqui, é obviamente ele próprio.&amp;nbsp;E é&amp;nbsp;sempre ele próprio mesmo&amp;nbsp;quando fala do exército italiano, de Roma, de Marinetti, do olhar de Lenine ou do regicidio. Papini, o escritor da &lt;em&gt;História de Cristo&lt;/em&gt;, foi afagado pelo escritor do &lt;em&gt;Anticristo&lt;/em&gt;. Tudo o que nós escrevemos, escrevemos, porque fomos afagados pelo mundo que nos fez como somos para, dentro do nosso escafandro,&amp;nbsp;nunca mais lá&amp;nbsp;regressarmos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8139099197069500889?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8139099197069500889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8139099197069500889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/nietzsche-cest-moi.html' title='NIETZSCHE C&apos;EST MOI'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SEM35hwfojk/Tvm3w3CdrlI/AAAAAAAAFHU/rFwd2ZIGVD8/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1996280920904604709</id><published>2011-12-27T10:40:00.000Z</published><updated>2011-12-27T10:40:33.310Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (X)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wfG8G3Yjm2I/TvmgSoF0J0I/AAAAAAAAFHI/g5X37vDfbmw/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" rea="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-wfG8G3Yjm2I/TvmgSoF0J0I/AAAAAAAAFHI/g5X37vDfbmw/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas nesta oportunidade falemos ainda dos Deuses&lt;br /&gt;ou do Destino.&lt;br /&gt;É evidente que as formigas trabalham mais&lt;br /&gt;que os Deuses:&lt;br /&gt;senão qual a utilidade de ser coisa divina?&lt;br /&gt;Quem acreditaria em milagres, se um Deus,&lt;br /&gt;mesmo que mal colocado na hierarquia,&lt;br /&gt;trabalhasse das nove às cinco?&lt;br /&gt;Decididamente, os Deuses já começam a vida&lt;br /&gt;inertes e preguiçosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto II, 23&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1996280920904604709?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1996280920904604709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1996280920904604709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-x.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (X)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-wfG8G3Yjm2I/TvmgSoF0J0I/AAAAAAAAFHI/g5X37vDfbmw/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8967989762557538719</id><published>2011-12-26T18:05:00.000Z</published><updated>2011-12-26T18:05:48.669Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>NATAL TRANSCENDENTAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gUAiBUeFlhQ/Tvixsl4sbnI/AAAAAAAAFG8/Gt-xt95zesI/s1600/Brassai_Marlene_19372.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" rea="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-gUAiBUeFlhQ/Tvixsl4sbnI/AAAAAAAAFG8/Gt-xt95zesI/s400/Brassai_Marlene_19372.jpg" width="295" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Brassaï&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem errar muito o alvo, definir o Natal é basicamente o seguinte: 1. um jantar&amp;nbsp;no qual&amp;nbsp;várias pessoas da mesma família comem bacalhau cozido com couves; 2. um almoço no dia seguinte; 3. uma troca de prendas&amp;nbsp;entre&amp;nbsp;os&amp;nbsp;dois&amp;nbsp;momentos&amp;nbsp;gastronómicos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porquê, então, a atmosfera festiva do Natal? Porquê&amp;nbsp;esta exuberância utópica como se o&amp;nbsp;calendário tivesse finalmente&amp;nbsp;alcançado&amp;nbsp;o seu Tempo&amp;nbsp;Prometido?&amp;nbsp;Por que razão anda toda a gente a desejar a toda a gente "Boas Festas", "Bom Natal" ou "Feliz Natal",&amp;nbsp;na rua, sms's, mails, cartas, telefonemas? Que significa, afinal, esta alegria, esta felicidade, este júbilo? Será devido ao nascimento do menino que nasceu nas palhinhas&amp;nbsp;em Belém? Não. Já ninguém quer saber do menino para nada. Deus morreu e o menino está simplesmente à espera da Páscoa para ser crucificado e renascido e, graças a isso, nos&amp;nbsp;podermos empaturrar com amêndoas e ovos de chocolate e passar uns dias no Algarve se por acaso&amp;nbsp;estiver bom tempo. Será porque jantamos, almoçamos e recebemos prendas? Obviamente que não. Porque a família está reunida? &amp;nbsp;Mas a família reúne-se em outras alturas do ano para almoçar e jantar, aniversários, casamentos ou baptizados. Porquê, então?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Natal as pessoas não comemoram nada&amp;nbsp;porque já não há nada para&amp;nbsp;comemorar. No Natal as pessoas festejam apenas a ideia de natal. Natal é&amp;nbsp;a ideia de Natal.&amp;nbsp;Uma espécie de&amp;nbsp;categoria kantiana, ou seja,&amp;nbsp;uma forma pura, um ideal na direcção do qual construímos os nossos pensamentos. Por isso gostamos todos&amp;nbsp;muito uns dos outros no natal. Gostamos muito uns dos outros não porque gostemos especialmente muito uns dos outros mas&amp;nbsp;porque gostamos muito&amp;nbsp;da ideia de gostarmos muito&amp;nbsp;uns dos outros e aproveitamos o Natal para, durante dois dias, podermos viver a ideia de gostarmos muito uns dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Natal vivemos de certo modo uma&amp;nbsp;utopia e não vejo qualquer mal nisso. Até porque sempre gostei do Natal e continuo a gostar. Mas confesso que já gostei mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8967989762557538719?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8967989762557538719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8967989762557538719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/natal-transcendental.html' title='NATAL TRANSCENDENTAL'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-gUAiBUeFlhQ/Tvixsl4sbnI/AAAAAAAAFG8/Gt-xt95zesI/s72-c/Brassai_Marlene_19372.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5369174919161470189</id><published>2011-12-25T11:47:00.002Z</published><updated>2011-12-25T11:50:40.934Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>O TEMPO EMBRULHADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-KzEhZj2mBwE/TvcKNiicWCI/AAAAAAAAFGw/BJQlT54nw2k/s1600/Three_sisters_main.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="221" rea="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-KzEhZj2mBwE/TvcKNiicWCI/AAAAAAAAFGw/BJQlT54nw2k/s400/Three_sisters_main.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha nova casa está ainda naquela fase&amp;nbsp;apocalíptica do&amp;nbsp;"cheiro do napalm pela manhã". Caixas, caixinhas e caixotes espalhados pelo chão, mesas e&amp;nbsp;cadeiras como se a minha sala fosse o Delta do Mekong trasformado numa instalação de Serralves com música de Wagner a compor o ambiente. Muitas já vazias, outras ainda por esvaziar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa já vazia fui dar com folhas de jornal completamente amarfanhadas,&amp;nbsp;cumprida que foi&amp;nbsp;a nobre função de protegerem um conjunto de&amp;nbsp;copos de cristal&amp;nbsp;de uma casa para a outra. Quando, agora, dei com essa caixa e vejo aquele novelos&amp;nbsp;de papel, não resisti a&amp;nbsp;esticar alguns deles para relembrar&amp;nbsp;notícias de há vários anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei perfeitamente que, como dizia André Gide, a coisa mais velha do mundo é o jornal do dia anterior. Não me surpreende, pois, a inquietante&amp;nbsp;estranheza&amp;nbsp; que é estar a ler notícias de há&amp;nbsp;vários anos como se acabasse de comprar o jornal num quiosque. O que verdadeiramente me surpreendeu não foi tanto&amp;nbsp;aquele cemitério de notícias frescas e de "última hora" mas as próprias folhas amarfanhadas, amachucadas, amarrotadas, esta&amp;nbsp;estranha e disforme&amp;nbsp;expressão física do tempo factual.&amp;nbsp;Como se aquelas folhas se tornassem numa extensão física dos próprios conteúdos noticiosos, outrora lisos e transparentemente lúcidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A nossa&amp;nbsp;consciência do tempo, ou melhor, a nossa&amp;nbsp;consciência dos factos no tempo, também pode ser uma consciência lisa como as folhas de um jornal acabado de comprar, ou, pelo contrário, uma consciência amarfanhada, como a folha de um jornal que embrulha há anos&amp;nbsp;o copo de cristal. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ir em busca do tempo perdido é, no fundo, como voltar a alisar uma folha de jornal cujas notícias se perdem num caos informe e ilegível&amp;nbsp;com o objectivo de proteger copos de cristal. Acontece&amp;nbsp;simplesmente o seguinte: enquanto o copo de cristal está protegido pelas amarfanhadas&amp;nbsp;notícias de um velho&amp;nbsp;jornal, não se pode beber por ele. E&amp;nbsp;um copo protegido é um copo inútil. Quando, finalmente, o copo de cristal&amp;nbsp;é desembrulhado para poder ser usado&amp;nbsp;e as folhas de jornal podem ser de novo&amp;nbsp;alisadas, regressa então à sua fragilidade de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5369174919161470189?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5369174919161470189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5369174919161470189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/o-tempo-embrulhado.html' title='O TEMPO EMBRULHADO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-KzEhZj2mBwE/TvcKNiicWCI/AAAAAAAAFGw/BJQlT54nw2k/s72-c/Three_sisters_main.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-926216376884548239</id><published>2011-12-20T23:27:00.000Z</published><updated>2011-12-20T23:27:32.709Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>LATIM E METEOROLOGIA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-n-pA2dd256Y/TvEXCyeNrCI/AAAAAAAAFGY/xqbHeh4c9b0/s1600/bruegel_hunters_in_the_snow.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-n-pA2dd256Y/TvEXCyeNrCI/AAAAAAAAFGY/xqbHeh4c9b0/s1600/bruegel_hunters_in_the_snow.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Bruegel | Caçadores na&amp;nbsp;Neve&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span&gt;Gosto do céu azul e do sol de Inverno mas gostaria que&amp;nbsp;o Natal deste ano,&amp;nbsp;ao contrário do anterior, tivesse frio, chuva&amp;nbsp; e nevoeiro. Neve nem vale a pena pedi-la pois já&amp;nbsp;sei que não a&amp;nbsp;tenho. Religiosamente falando,&amp;nbsp;um sol quase quente e céu azul&amp;nbsp;é para o domingo de Páscoa. A Páscoa é feita para o campo, o Natal é feito para a casa. Nasce-se recolhidamente mas renasce-se no esplendor do espaço aberto.&amp;nbsp; Mais do que&amp;nbsp;de conceitos, a religião é feita de sensações. E o clima, neste caso,&amp;nbsp;é como o Latim na missa. Não&amp;nbsp;faz mal&amp;nbsp;não&amp;nbsp;perceber o que se ouve.&amp;nbsp;A única coisa&amp;nbsp;que importa é ouvir. E o frio do Natal é um perfeito&amp;nbsp;Latim&amp;nbsp;para a pele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-926216376884548239?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/926216376884548239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/926216376884548239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/latim-e-meteorologia.html' title='LATIM E METEOROLOGIA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-n-pA2dd256Y/TvEXCyeNrCI/AAAAAAAAFGY/xqbHeh4c9b0/s72-c/bruegel_hunters_in_the_snow.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5436989400818042403</id><published>2011-12-18T12:18:00.002Z</published><updated>2011-12-18T12:22:59.963Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>A CIÊNCIA DA DESTRUIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-TP9SK9p5Qfc/Tu3SZ5P68LI/AAAAAAAAFGQ/NrcUG3fKZXI/s1600/wwii-bombing-cc-gordonr.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-TP9SK9p5Qfc/Tu3SZ5P68LI/AAAAAAAAFGQ/NrcUG3fKZXI/s1600/wwii-bombing-cc-gordonr.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Catedral de Colónia, intacta após um bombardeamento&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mudar&amp;nbsp;de casa&amp;nbsp;torna-se engraçado comparar&amp;nbsp;a fase&amp;nbsp;em que&amp;nbsp;embalo os livros&amp;nbsp;com a&amp;nbsp;outra em que, já na&amp;nbsp;casa nova, são tirados das&amp;nbsp;caixas para regressarem às prateleiras. Enquanto na primeira fase&amp;nbsp;há uma&amp;nbsp;rápida e feroz&amp;nbsp;destruição da ordem estabelecida,&amp;nbsp;já que&amp;nbsp;a única preocupação é embalar o mais depressa possível para poderem ser levados, na segunda, pelo contrário, há uma lentidão e um cuidado na sua&amp;nbsp;arrumação pelas prateleiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando estou a embalar livros não estou a embalar livros. Os livros, nesse momento,&amp;nbsp;não são livros. São apenas&amp;nbsp;corpos, substâncias pesadas, volumes que ocupam espaço como desconfortáveis&amp;nbsp;pedras num caminho onde é suposto passear tranquilamente sem ter de olhar para o chão. Transportar um caixote com livros é como transportar pratos ou&amp;nbsp;pequenos electrodomésticos. Um caixote com livros não é um caixote com livros mas apenas um caixote. A diferença entre a &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt;&amp;nbsp; e o &lt;em&gt;Silêncio do Mar&lt;/em&gt;&amp;nbsp;é que o primeiro são 3 grossos volumes e o segundo apenas um livro fininho. Eis a degradante&amp;nbsp;condição a que ficam reduzidos os livros, quase uma perversão ontológica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, ontem, voltei a recolocá-los nas prateleiras, processo que pressupõe uma espécie de renascimento de todos eles.&amp;nbsp;O processo migratório daqueles livros&amp;nbsp;para um novo lar leva a uma espontânea redescoberta e reavaliação de todos eles. E livros para os quais não olhava há anos, livros que eu tinha até esquecido que existiam, voltam a adquirir uma importância genésica, como se ainda estivessem na livraria à espera de serem comprados. Estou a arrumar os livros e dou por mim a folheá-los lentamente, a lê-los, chegando mesmo, por vezes, a sentar-me. Há, por isso, um veemente&amp;nbsp;constraste entre a brutal rapidez da destruição inerente&amp;nbsp;à desarrumação inicial e a paciente, meticulosa e reflexiva&amp;nbsp;lentidão da arrumação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Curioso será, entretanto, comparar este processo com o que acontece na vida,&amp;nbsp;na qual,&amp;nbsp;creio,&amp;nbsp;talvez possa resultar melhor o processo inverso: aprender a destruir lentamente e a reconstruir rapidamente. A destruição deveria ser uma ciência, um processo feito de tentativas e erros, de paciente observação e rigorosas conclusões para, finalmente, formular uma teoria exacta&amp;nbsp;que torne&amp;nbsp;a realidade cristalina perante os nossos olhos. A destruição devia, pois,&amp;nbsp;não ser só uma ciência mas uma ciência exacta.&amp;nbsp;Reconstruir, por sua vez, não deverá ser uma ciência mas uma arte, a qual, de exactidão não deve ter nada. Uma arte marcada pela espontaneidade, a improvisação, a imaginação, a criatividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida de um ser humano é feita de permanentes destruições e reconstruções, de sucessivas mortes e renascimentos. Saber destruir é uma técnica difícil e que não está ao alcance de todos. É como fazer a limpeza de um maxilar depois de extrair um quisto. Deve ficar tudo bem limpo e com a consciência clara do quanto importante foi proceder a essa extracção. A boca deve ficar bem limpa como se tivesse estado sempre limpa. Para isso é, repito, precisa paciência, determinação, tempo, para não voltar a surpreender-nos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deve ser por isso que as guerras se desejam rápidas. Deve haver um medo qualquer de que a lentidão impeça o desejo de destruir, pois, destruir, ao contrário do que se julga,&amp;nbsp;cansa muito mais do que construir. Destruir é passar do ser ao nada e isso é sempre&amp;nbsp;profundamente desgastante, embora pareça fácil. Matar depressa, destruir depressa será, pois, uma forma de nos protegermos a nós próprios (ou de nós próprios). Mas não nos esqueçamos que a guerra de 39-45 foi, por outros meios, uma continuação da guerra de 14-18 que, por sua vez, foi uma continuação de um passado que nunca ficou irreversivelmente morto. Cá está a limpeza&amp;nbsp;meticulosa da gengiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabemos, desde os gregos,&amp;nbsp;ser a destruição inevitável. Mas também sabemos que a saúde, a paz e a fé&amp;nbsp;serão sempre os nossos principais objectivos.&amp;nbsp;Sim, a fé.&amp;nbsp;Renascer é, também,&amp;nbsp;ao contrário da ciência, que é sempre fria,&amp;nbsp;um processo religioso e quente. Daí a destruição ser tão importante&amp;nbsp;na imagética religiosa, do Dilúvio ao Apocalipse. Nunca dizemos que&amp;nbsp;o céu&amp;nbsp;pode&amp;nbsp;esperar. Achamos&amp;nbsp;sempre que o céu está&amp;nbsp;à nossa espera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5436989400818042403?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5436989400818042403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5436989400818042403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/ciencia-da-destruicao.html' title='A CIÊNCIA DA DESTRUIÇÃO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-TP9SK9p5Qfc/Tu3SZ5P68LI/AAAAAAAAFGQ/NrcUG3fKZXI/s72-c/wwii-bombing-cc-gordonr.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1739736327341062178</id><published>2011-12-17T12:23:00.002Z</published><updated>2011-12-17T12:25:31.614Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>COSMOGONIA DOMÉSTICA</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="415" src="http://www.youtube.com/embed/w72ZcLFDs6M" width="520"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabo de mudar de casa. Os livros ainda se encontram hibernados&amp;nbsp;em várias dezenas de caixas espalhadas pelo chão. O caos absoluto. Quando os retirar do limbo irei eventualmente&amp;nbsp;encontrar S. Agostinho por cima de Henry Miller, Platão por baixo de Philip Roth, Ariosto e David Lodge lado a lado.&amp;nbsp;Muito mais do que um&amp;nbsp;borgesiano labirinto, uma demoníaca orgia bibliofágica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do caos primordial, da cósmica escuridão onde&amp;nbsp;se misturam indiferenciadamente&amp;nbsp;livros de&amp;nbsp;arte com&amp;nbsp;política, clássicos&amp;nbsp;gregos com&amp;nbsp;desgraças camilianas ou&amp;nbsp;o Chiado&amp;nbsp;queiroziano com o cavernoso&amp;nbsp;laboratório de Fausto, farei, mais uma vez,&amp;nbsp;e&amp;nbsp;pacientemente,&amp;nbsp;o papel de Deus a criar o&amp;nbsp;mundo ou pelo menos a tentar pensar o pensamento de Deus antes de criar o mundo. Decidi&amp;nbsp;voltar de novo&amp;nbsp;pôr a tocar as Variações Goldberg enquanto recrio o mundo a partir&amp;nbsp;do caos. &lt;br /&gt;Quero acreditar que o mundo teria ganho bastante se Deus o&amp;nbsp;tivesse criado a ouvir as Variações Goldberg. É verdade que quando Deus fez o mundo ainda não existiam as Variações Goldberg mas como Deus é omnisciente também não é menos verdade que&amp;nbsp;já conhecia as Variações Goldberg ainda antes de existirem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se Deus ouvia música enquanto criava o mundo. Nem tão pouco sei se Deus gosta de música.&amp;nbsp;Se ouvia música,&amp;nbsp;pelo que conheço do mundo,&amp;nbsp;não eram certamente as Variações Goldberg.&amp;nbsp;Eu,&amp;nbsp;brincando um pouco ao papel de Deus sempre que mudo de casa,&amp;nbsp;quero continuar a acreditar que partir para uma nova ordem através das Variações Goldberg, será sempre um factor de esperança e optimismo, conhecendo melhor a ordem que cada coisa ocupa no universo, como se fosse a única&amp;nbsp;coisa verdadeiramente certa para esse lugar. É difícil. Ou até impossível. Mas perante as Variações Goldberg fica-se sempre com vontade de voltar a&amp;nbsp;acreditar em tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1739736327341062178?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1739736327341062178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1739736327341062178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/cosmogonia-domestica.html' title='COSMOGONIA DOMÉSTICA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/w72ZcLFDs6M/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1244837123856244557</id><published>2011-12-15T22:51:00.000Z</published><updated>2011-12-15T22:51:25.882Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>DOWNLOAD EXISTENCIAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kTnwKUxRVgw/Tup4opoiLOI/AAAAAAAAFGI/m-FsHalgbtI/s1600/Alfred+Eisenstaedt%252C+Steam+Engine+of+the+Southern+Railway+System%252C+1938.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-kTnwKUxRVgw/Tup4opoiLOI/AAAAAAAAFGI/m-FsHalgbtI/s1600/Alfred+Eisenstaedt%252C+Steam+Engine+of+the+Southern+Railway+System%252C+1938.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Alfred Eisenstaedt&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Estive há pouco a&amp;nbsp;fazer o download&amp;nbsp;um ficheiro enviado por um amigo. Enquanto a janela mostrava a barrazinha que vai enchendo,&amp;nbsp;aparecia escrito,&amp;nbsp;acompanhado de&amp;nbsp;contagem decrescente: &lt;strong&gt;tempo restante estimado&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;É também assim que olho para o tempo de vida que me resta. Muito estimado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1244837123856244557?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1244837123856244557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1244837123856244557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/download-existencial.html' title='DOWNLOAD EXISTENCIAL'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kTnwKUxRVgw/Tup4opoiLOI/AAAAAAAAFGI/m-FsHalgbtI/s72-c/Alfred+Eisenstaedt%252C+Steam+Engine+of+the+Southern+Railway+System%252C+1938.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2208690566728780223</id><published>2011-12-14T23:18:00.000Z</published><updated>2011-12-14T23:18:36.138Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (IX)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hXubg8D3-8c/TukuS7adY1I/AAAAAAAAFGA/9gqa1r5eTVs/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400px" oda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-hXubg8D3-8c/TukuS7adY1I/AAAAAAAAFGA/9gqa1r5eTVs/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que razão não é a vida apenas uma ordem que respira,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;onde para cada momento existe uma única acção certa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida individual como algo de didáctico e estúpido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;onde se pedisse apenas uma repetição dos dias&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que outros já tivessem praticado em perfeita segurança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2208690566728780223?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2208690566728780223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2208690566728780223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-ix.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (IX)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hXubg8D3-8c/TukuS7adY1I/AAAAAAAAFGA/9gqa1r5eTVs/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7309076039115778499</id><published>2011-12-14T21:35:00.001Z</published><updated>2011-12-14T21:36:30.651Z</updated><title type='text'>PLASTICIDADE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PC_wviqk5-E/TukVnVK9eSI/AAAAAAAAFF4/l-dY9DaT1Uw/s1600/TheCountessCastiglione.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" oda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-PC_wviqk5-E/TukVnVK9eSI/AAAAAAAAFF4/l-dY9DaT1Uw/s640/TheCountessCastiglione.jpg" width="508px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pierre Louis Pierson | Condessa Castiglione&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aluno num teste: «Podemos demonstrar a plasticidade do cérebro através de dois exemplos, um cego é um indivíduo que tem a incapacidade de ver, então o seu cérebro irá moldar-se a esta dificuldade, desenvolvendo as áreas vizinhas, por exemplo, a visão.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta&amp;nbsp;desvairada&amp;nbsp;frase&amp;nbsp;ilude&amp;nbsp;uma sabedoria&amp;nbsp;de séculos:&amp;nbsp;a ideia de que, para&amp;nbsp;ver, é preciso fechar os olhos. De que&amp;nbsp;cegos são aqueles que, com&amp;nbsp;os olhos bem&amp;nbsp;abertos, se&amp;nbsp;deixam&amp;nbsp;arrastar pela&amp;nbsp; vã e ilusória espuma&amp;nbsp;da visibilidade. Outros, sem&amp;nbsp;verem&amp;nbsp;um palmo&amp;nbsp;à frente dos olhos, são verdadeiramente&amp;nbsp;visionários. Quanto mais visionário, menos&amp;nbsp;vê, quanto mais vê, menos visionário. &lt;br /&gt;Isto é assim tanto&amp;nbsp;na política, como na religião,&amp;nbsp;como&amp;nbsp;no amor. No amor, porém, e como não poderia deixar de&amp;nbsp;ser,&amp;nbsp;o problema é mais complexo, pois&amp;nbsp;quem vê também&amp;nbsp;é visto. O político visionário será sempre um solitário. O místico visionário será sempre um solitário.&amp;nbsp;O amante visionário, por sua vez, será sempre um solitário que junta a sua solidão à solidão de outro amante solitário.&amp;nbsp;A solidão&amp;nbsp;de duas pessoas que se desvanecem numa abstracção fantasmagórica&amp;nbsp;ou de&amp;nbsp;dois fantasmas que lutam para emergir&amp;nbsp;no plano visível. Simultaneamente, vê-se tudo e não se vê nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7309076039115778499?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7309076039115778499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7309076039115778499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/plasticidade.html' title='PLASTICIDADE'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-PC_wviqk5-E/TukVnVK9eSI/AAAAAAAAFF4/l-dY9DaT1Uw/s72-c/TheCountessCastiglione.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4854096999866013910</id><published>2011-12-13T22:01:00.000Z</published><updated>2011-12-13T22:01:01.106Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>SEM OBRIGAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9hD1euqjdKo/TufIq1hbMiI/AAAAAAAAFFY/o0ZxYIEWWgI/s1600/gertrude+kasebier.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-9hD1euqjdKo/TufIq1hbMiI/AAAAAAAAFFY/o0ZxYIEWWgI/s1600/gertrude+kasebier.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gertrude Käsebier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito interessante a relação das mulheres com a palavra "obrigado". Há dois tipos de mulheres: as que dizem "obrigado" e as que dizem "obrigada". Eu sei que parece exagero dividir assim&amp;nbsp;as mulheres. Mas não é.&amp;nbsp;É tão importante como a marca do perfume,&amp;nbsp;o tipo de sapatos ou os livros que lêem. Por exemplo, as que lêem Virginia Woolf e as que lêem José Rodrigues dos Santos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mulher que diz "obrigada" é uma mulher que mostra educação e&amp;nbsp;que sabe falar, num mundo cheio de mulheres que dizem "obrigado". São mulheres que aprenderam a falar bem&amp;nbsp;e haverá sempre um certo orgulho na exposição dessa aprendizagem e na relação correcta com as convenções, seja na linguagem, seja na maneira como come, se senta ou bate palmas. Eu tenho uma filha e foram muitas as vezes que tive de a&amp;nbsp;corrigir sempre que a ouvia dizer "obrigado". Um pai tem de ensinar um filho a falar bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelo contrário, uma&amp;nbsp;mulher&amp;nbsp;que diz "obrigado" será sempre uma mulher que&amp;nbsp;vive numa linguagem suburbana, que&amp;nbsp;fala como se exibisse os seus bibelôs foleiros na sua sala de jantar. Uma mulher que diz "obrigado" será sempre uma mulher&amp;nbsp;proscrita num mundo que&amp;nbsp;esteja longe&amp;nbsp;da sua sala com bibelôs foleiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas pode haver ainda um terceiro tipo de mulheres. As mulheres que dizem "obrigado", sabendo que deveriam dizer "obrigada" mas que, ainda assim, continuam a dizê-lo porque gostam do valor neutro da palavra "obrigado". Porque acham que dizer obrigado é uma abstracção assexuada que dispensa género masculino e feminino. Porque vêem o "obrigado" como uma espécie de interjeição social que, como um "ai" ou um "ui" ou um "ena", não tem sexo. Ou como um enunciado performativo que consiste mais numa acção do que num discurso e uma acção, embora praticada por um homem ou mulher, que&amp;nbsp;também não tem sexo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que tipo de mulher é esta? Tem de ser uma mulher muito segura de si, que sabe bem não ser contaminada por uma linguagem de lata e cuja imagem social não vai ser pervertida. Uma mulher consciente do impacto negativo da palavra mas com a convicção de que a sua identidade é impermeável a esta mácula linguística e transcendente às convenções sociais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De certo modo, é possível estabelecer aqui uma analogia com os três&amp;nbsp;estádios de Kierkegaard. A mulher que tanto pode dizer "obrigado" como "obrigada" encontra-se no plano do absolutamente concreto, do momento, de um instante sem consistência. É como a figura de D. Juan no amor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois, a mulher que diz orgulhosamente "obrigada" encontra-se no plano da convenção, da responsabilidade, da seriedade. Mas de uma responsabilidade castradora, uma responsabilidade sem rosto, o respeito por uma ordem à qual se subjuga tal como uma formiga em relação ao seu código genético.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, temos então a mulher que diz "obrigado", não por ignorância, mas com a mesma convicção com que a anterior diz "obrigada". Trata-se, porém, de uma convicção diferente. Uma convicção que penetra numa ordem que transcende a ordem social e moral. A mulher que diz "obrigado" desta maneira está no mesmo plano de Abraão quando é convocado pelo anjo para sacrificar o seu filho Isaac. Se comete um crime, será apenas aos olhos dos outros, daqueles que pensam no bem e no mal com o mesmo rigor e organização com que as formigas se organizam em carreiros. Será uma mulher subversiva mas&amp;nbsp;uma subversão saudável pois dará lugar a uma nova ordem: a ordem das mulheres que dizem "obrigado", sabendo que deveriam dizer "obrigada".&amp;nbsp; Sabe que está errada mas tem a consistência de quem tem toda a razão do mundo. E eu gosto disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4854096999866013910?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4854096999866013910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4854096999866013910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/sem-obrigacao.html' title='SEM OBRIGAÇÃO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9hD1euqjdKo/TufIq1hbMiI/AAAAAAAAFFY/o0ZxYIEWWgI/s72-c/gertrude+kasebier.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-6744877407485421565</id><published>2011-12-12T22:37:00.001Z</published><updated>2011-12-12T22:37:50.325Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ida ao sótão'/><title type='text'>SER CONSERVADOR É...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ko-jSKo90ZE/TuaB8coA6PI/AAAAAAAAFFQ/ZsmbCyDgsTA/s1600/virgemkazan.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-ko-jSKo90ZE/TuaB8coA6PI/AAAAAAAAFFQ/ZsmbCyDgsTA/s1600/virgemkazan.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;... continuar a preferir estes ícones aos do Ambiente de Trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-6744877407485421565?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6744877407485421565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6744877407485421565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/ser-conservador-e.html' title='SER CONSERVADOR É...'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ko-jSKo90ZE/TuaB8coA6PI/AAAAAAAAFFQ/ZsmbCyDgsTA/s72-c/virgemkazan.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7391384900455871311</id><published>2011-12-11T20:02:00.000Z</published><updated>2011-12-11T20:02:19.086Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ida ao sótão'/><title type='text'>CORES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wcrJcsTB9BY/TuUKkVyYtwI/AAAAAAAAFFI/KoCK8fo2H68/s1600/aaa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-wcrJcsTB9BY/TuUKkVyYtwI/AAAAAAAAFFI/KoCK8fo2H68/s1600/aaa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, a pintora Maria Helena Vieira da Silva mudou de casa. Com montes de livros para arrumar nas prateleiras, alguns amigos decidem fazer-lhe uma surpresa, poupando-a dessa enorme maçada. Sem ela saber, levaram as caixas para a nova casa, arrumando os livros&amp;nbsp;nas estantes de acordo com um critério racional e verosímil que toda a gente segue: dispor os livros por temas e autores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, quando&amp;nbsp;a pintora chega à nova casa&amp;nbsp;reage&amp;nbsp;mal e sem conseguir esconder a sua&amp;nbsp;desilusão.&amp;nbsp; Queria os livros arrumados por cores. Como eu a entendo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7391384900455871311?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7391384900455871311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7391384900455871311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/cores.html' title='CORES'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wcrJcsTB9BY/TuUKkVyYtwI/AAAAAAAAFFI/KoCK8fo2H68/s72-c/aaa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-353462477285006967</id><published>2011-12-07T15:48:00.000Z</published><updated>2011-12-07T15:48:52.980Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>LÓGICA DA BATATA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3t0IzCzQBpc/Tt-H2jDNEdI/AAAAAAAAFFA/d1E0apPA3_c/s1600/Imogen+cu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="491px" mda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-3t0IzCzQBpc/Tt-H2jDNEdI/AAAAAAAAFFA/d1E0apPA3_c/s640/Imogen+cu.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Imogen Cunningham | The Unmade Bed&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No enunciado do teste, eu peço explicitamente aos alunos, repito, explicitamente, para me explicarem as vantagens da lógica informal face à lógica formal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma aluna responde: «A lógica informal relaciona-se com argumentos indutivos. Os argumentos indutivos fazem-nos acreditar em coisas que podem ou não ser verdadeiras. Pode levar-nos a tirar conclusões precipitadas de determinados temas. A lógica informal não tem vantagem em relação à lógica formal».&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta resposta é absolutamente maravilhosa. Eu digo expressamente&amp;nbsp;à aluna que a lógica informal tem vantagens em relação à lógica formal, pedindo para as explicar,&amp;nbsp;e ela explica-me,&amp;nbsp;dizendo expressamente que a lógica informal não tem essas&amp;nbsp;vantagens. Eu espeto-lhe nos olhos&amp;nbsp;as vantagens da lógica&amp;nbsp;informal&amp;nbsp;e os olhos dela só conseguem ler desvantagens.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta divergência perceptiva está grande parte&amp;nbsp;dos conflitos humanos. Sempre assim foi e sempre assim irá ser. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-353462477285006967?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/353462477285006967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/353462477285006967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/logica-da-batata.html' title='LÓGICA DA BATATA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-3t0IzCzQBpc/Tt-H2jDNEdI/AAAAAAAAFFA/d1E0apPA3_c/s72-c/Imogen+cu.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-6051767943448695944</id><published>2011-12-06T22:38:00.000Z</published><updated>2011-12-06T22:38:50.846Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (VIII)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-g4VLSBOHnYU/Tt6ZOLozNJI/AAAAAAAAFEw/816hJ_sqRxY/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://1.bp.blogspot.com/-g4VLSBOHnYU/Tt6ZOLozNJI/AAAAAAAAFEw/816hJ_sqRxY/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que já desde os Antigos existe nos homens&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é esse desejo de contacto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que certas más interpretações direccionam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para a lâmina o que deveria dirigir-se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para o erótico movimento de desapertar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a blusa da mulher amada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Erros no caminho, eis como tal se poderia descrever.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto I, 80&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-6051767943448695944?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6051767943448695944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6051767943448695944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-viii.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (VIII)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-g4VLSBOHnYU/Tt6ZOLozNJI/AAAAAAAAFEw/816hJ_sqRxY/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7834023044772510959</id><published>2011-12-06T14:27:00.001Z</published><updated>2011-12-06T14:47:13.688Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>PATHOS MODERNO AVANT LA LETTRE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MdXOghhkKBg/Tt4lVBsT9aI/AAAAAAAAFEo/AQGKHTE-gpw/s1600/corin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-MdXOghhkKBg/Tt4lVBsT9aI/AAAAAAAAFEo/AQGKHTE-gpw/s1600/corin.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Aluna num teste: «Para Aristóteles existem três modos de discurso, o deliberativo que é para as Assembleias, o judicial que é para os juízes, e usa-se nos tribunais e o epidíctico que surge para os telespectadores».&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de Leonardo da Vinci talvez tenha sido Aristóteles o homem mais genial de todos os tempos. E gosto de fazer perceber isso aos meus alunos. Daí que, sem que&amp;nbsp;tal seja&amp;nbsp;necessário, eu&amp;nbsp;explique sempre&amp;nbsp;todas as águas por onde navegou o génio grego. Como não podia deixar de ser,&amp;nbsp;inclui o&amp;nbsp;que escreveu sobre a tragédia e a comédia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só isso&amp;nbsp;pode explicar a, digamos, ligeiramente&amp;nbsp;descontextualizada&amp;nbsp;resposta da minha aluna. Eu falei em comédia e ela deve ter pensado numa qualquer &lt;em&gt;stand up comedy&lt;/em&gt; da SIC. Falei em tragédia e deve ter pensado num daqueles dramalhões da TVI.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7834023044772510959?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7834023044772510959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7834023044772510959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/pathos-moderno-avant-la-lettre.html' title='PATHOS MODERNO AVANT LA LETTRE'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-MdXOghhkKBg/Tt4lVBsT9aI/AAAAAAAAFEo/AQGKHTE-gpw/s72-c/corin.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3328384157444024201</id><published>2011-12-05T23:12:00.000Z</published><updated>2011-12-05T23:12:44.602Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (VII)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vNeAgmlSWyU/Tt1Pvu2UkYI/AAAAAAAAFEg/ZDxLHvgmEPk/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://4.bp.blogspot.com/-vNeAgmlSWyU/Tt1Pvu2UkYI/AAAAAAAAFEg/ZDxLHvgmEPk/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Bloom procurava o insólito que não&lt;br /&gt;sendo acontecimento mudo ou ruído, sendo&lt;br /&gt;sítio, obriga a caminhar. Se o que procuro&lt;br /&gt;chegasse à&amp;nbsp; minha cadeira,&lt;br /&gt;para que me serviriam os sapatos? Mas é já&lt;br /&gt;um conhecimento clássico: acontecimentos novos&lt;br /&gt;existem em espaços novos, e não em antigos.&lt;br /&gt;Não deixes que a tua cadeira confortável prejudique&lt;br /&gt;a tua curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto I, 70&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3328384157444024201?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3328384157444024201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3328384157444024201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-vii.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (VII)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vNeAgmlSWyU/Tt1Pvu2UkYI/AAAAAAAAFEg/ZDxLHvgmEPk/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4330470223208996911</id><published>2011-12-05T14:31:00.000Z</published><updated>2011-12-05T14:31:01.346Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>ETERNO RETORNO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kDT2W7Dhbuk/TtzUxo86GmI/AAAAAAAAFEY/-jdTGYXL_Uc/s1600/la_femme_d_a_cote.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-kDT2W7Dhbuk/TtzUxo86GmI/AAAAAAAAFEY/-jdTGYXL_Uc/s1600/la_femme_d_a_cote.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem que eu viva 500 anos, cinema&amp;nbsp;irá ser&amp;nbsp;sempre cinema francês. Ninguém consegue fugir à sua infância.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4330470223208996911?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4330470223208996911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4330470223208996911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/eterno-retorno.html' title='ETERNO RETORNO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-kDT2W7Dhbuk/TtzUxo86GmI/AAAAAAAAFEY/-jdTGYXL_Uc/s72-c/la_femme_d_a_cote.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-62350614770055359</id><published>2011-12-04T23:19:00.000Z</published><updated>2011-12-04T23:19:14.227Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (VI)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0ZuIqZP6e7w/TtvqXl92WtI/AAAAAAAAFEI/0FW5uD75hSk/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://3.bp.blogspot.com/-0ZuIqZP6e7w/TtvqXl92WtI/AAAAAAAAFEI/0FW5uD75hSk/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diga-se que pensar não é assim tão fácil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certos homens, estando sentados,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esforçam-se tanto por esboçar uma ideia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que acabam banhados em suor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E entretanto cá fora: nada,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;nem a carcaça do mais efémero indício&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de inteligência. Cada ideia parece estar nesses cérebros&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;como um labirinto de que só raramente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;consegue sair. Bloom pensa naquele pai e nos três filhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que família coerente, murmura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Canto I, 67&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-62350614770055359?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/62350614770055359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/62350614770055359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-vi.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (VI)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-0ZuIqZP6e7w/TtvqXl92WtI/AAAAAAAAFEI/0FW5uD75hSk/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-376376679049452969</id><published>2011-12-04T18:05:00.003Z</published><updated>2011-12-04T20:55:42.490Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>AUTO-RETRATO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qoKsgPVQit8/Ttu1stEWrUI/AAAAAAAAFEA/KS_ylJg44Yc/s1600/504px-Rembrandt_van_rijn-self_portrait.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="640px" src="http://3.bp.blogspot.com/-qoKsgPVQit8/Ttu1stEWrUI/AAAAAAAAFEA/KS_ylJg44Yc/s640/504px-Rembrandt_van_rijn-self_portrait.jpg" width="538px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não pude deixar de ficar fascinado com &lt;a href="http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2163496&amp;amp;seccao=Artes Pl%E1sticas"&gt;esta&lt;/a&gt; notícia e a ironia que lhe está subjacente. A ironia que há em&amp;nbsp;encontrar o auto-retrato inacabado&amp;nbsp;de um homem que, ao longo da vida,&amp;nbsp;tanto se auto-retratou, tanto perseguiu a fixação dos seus&amp;nbsp;estados de alma através da variação de expressões do rosto, sempre obcecado com a fixação da&amp;nbsp;sua identidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que melhor auto-retrato&amp;nbsp;do que&amp;nbsp;um auto-retrato inacabado? A arte do auto-retrato será sempre, mas sempre, a mais inacabada de todas as artes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-376376679049452969?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/376376679049452969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/376376679049452969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/autoretrato.html' title='AUTO-RETRATO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qoKsgPVQit8/Ttu1stEWrUI/AAAAAAAAFEA/KS_ylJg44Yc/s72-c/504px-Rembrandt_van_rijn-self_portrait.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-393765419021722197</id><published>2011-12-03T18:47:00.000Z</published><updated>2011-12-03T18:47:08.213Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (V)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_tox2H3K0T0/TtpukhW72YI/AAAAAAAAFD4/RsHUgMktWbk/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://3.bp.blogspot.com/-_tox2H3K0T0/TtpukhW72YI/AAAAAAAAFD4/RsHUgMktWbk/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O certo é que Bloom adormeceu sonhando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que alguém por ele alisava os dias seguintes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansado de ser mal recebido e traído, Bloom sonhou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que ser feliz não era um bem supérfluo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;como o são certas jóias e adereços de beleza efémera.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto II, 58&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-393765419021722197?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/393765419021722197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/393765419021722197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-v.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (V)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_tox2H3K0T0/TtpukhW72YI/AAAAAAAAFD4/RsHUgMktWbk/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3107689982521017001</id><published>2011-12-03T11:02:00.003Z</published><updated>2011-12-03T11:40:03.157Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>AMOR AMOR</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-jDUsG7ZnE8s/Ttn_80sFFlI/AAAAAAAAFDw/OjsQeO6oIFQ/s1600/bfi-00n-kln.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-jDUsG7ZnE8s/Ttn_80sFFlI/AAAAAAAAFDw/OjsQeO6oIFQ/s1600/bfi-00n-kln.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as semanas vou ao lar ver a minha mãe.&amp;nbsp;Todas as semanas, de&amp;nbsp;todos os meses, de todos os anos. Costumo ir ao fim de semana mas quando tal não é possível passo depois&amp;nbsp;na terça ou&amp;nbsp;na quarta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O lar tem uma sala de visitas onde nos encontramos com os velhotes, sendo aí, portanto, que estou com ela. Sempre, mas sempre que lá vou, está também uma senhora, numa cadeira de rodas, que não anda nem fala e sempre, sempre acompanhada do marido, que não está no lar e tem ainda pernas para andar. Estão sempre no mesmo sítio, ela, numa cadeira de rodas, ele, ao lado, numa cadeira normal. Nunca falam, estão apenas ali sentados ao lado um do outro em silêncio.&amp;nbsp;Sempre que eu chego ele já lá está. Sempre que&amp;nbsp;me venho embora, ele ainda lá fica.&amp;nbsp;De vez em quando ele diz-lhe alguma coisa, ela abana ligeiramente a cabeça para mostrar que ouviu e entendeu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem&amp;nbsp;e a mulher têm um ar humilde. Ele, pelo que já&amp;nbsp;pude perceber foi agricultor mas ainda é pessoa para semear umas coisitas, pois de vez em quando interrompe o silêncio para contar à mulher&amp;nbsp;o que anda a semear e a tratar lá na horta, enquanto ela, com olhar vago e distante, sem expressão no rosto, vai&amp;nbsp;abanando ligeiramente a cabeça. Não sei se tem ou não tem a 4ªclasse. Se sabe ler e escrever. De certeza absoluta que nunca ouviu falar de Ulisses e Penélope, de Dido e Eneias, de Tristão e Isolda,&amp;nbsp;de Dante e Beatriz. De certeza absoluta que nunca sentiu quaisquer devaneios amorosos enquanto ouve as Variações Goldberg. De certeza absoluta que nada sabe de pintura para alguma&amp;nbsp;vez se ter projectado&amp;nbsp;no amor de Claude por Camille ou de&amp;nbsp;Egon por Edith. De certeza absoluta que não assistiu&amp;nbsp;aos&amp;nbsp;neuróticos amores de Woody Allen&amp;nbsp;nem poderá desconfiar&amp;nbsp;do que pode ter uma noite de Verão que ver com comédias sexuais.&amp;nbsp;De certeza absoluta que não saberá falar de maneira a poder exprimir por palavras o que sente pela mulher. Aliás, de certeza absoluta que, pela educação que teve, jamais ousaria exprimir sem resistência o que sente pela mulher, essas coisas efeminadas que um homem jamais se atreveria a dizer na barbearia ou na taberna. De certeza absoluta que não sabe o que é um blogue e, por isso, jamais poderia usar um blogue para insinuar, ainda que disfarçada e pudicamente, o que sente pela mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É por isso que eu dedico este post a este homem. Ele seria incapaz de o fazer, mas eu faço-o por ele. Aquele homem, nada sabendo dizer do amor, nada sabendo de psicanálise, de filosofia, de antropologia,&amp;nbsp;de literatura, de mitologia,&amp;nbsp;sabendo apenas de batatas, de couves e de nabiças, sabe tudo&amp;nbsp;o&amp;nbsp;que é preciso saber&amp;nbsp;sobre o amor. Aquele homem é um animal. Perfeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3107689982521017001?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3107689982521017001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3107689982521017001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/amor-amor.html' title='AMOR AMOR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-jDUsG7ZnE8s/Ttn_80sFFlI/AAAAAAAAFDw/OjsQeO6oIFQ/s72-c/bfi-00n-kln.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-220778161786051933</id><published>2011-12-02T22:46:00.000Z</published><updated>2011-12-02T22:46:24.333Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (IV)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-hsUeYyplmS8/TtlVA7R-dwI/AAAAAAAAFDo/PhTH-2_r620/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://2.bp.blogspot.com/-hsUeYyplmS8/TtlVA7R-dwI/AAAAAAAAFDo/PhTH-2_r620/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ratos, sapos, pássaros, minhocas, doninhas&lt;br /&gt;a baleia, cabras de chifres diversos, até aracnídeos,&lt;br /&gt;tudo é bicharada que adormece. Presidente, &lt;br /&gt;carpinteiro, santo supérfluo, criminoso necessário,&lt;br /&gt;carteiro coxo, corredor de automóveis, paralíticos,&lt;br /&gt;multidões em fúria, tudo, quando vestido pelo pijama do cansaço, adormece.&lt;br /&gt;Até, vejam bem, homens e mulheres apaixonados;&lt;br /&gt;facto que constitui ostensivo desperdício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto II, 61&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-220778161786051933?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/220778161786051933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/220778161786051933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-iv.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (IV)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-hsUeYyplmS8/TtlVA7R-dwI/AAAAAAAAFDo/PhTH-2_r620/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-6948626244041468392</id><published>2011-12-02T15:40:00.002Z</published><updated>2011-12-02T15:42:26.039Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>ANIMA ABSCONDITA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-39sKhkYSexQ/Ttjvm4r0gvI/AAAAAAAAFDg/HVAcUZBiW10/s1600/august_sander_05.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-39sKhkYSexQ/Ttjvm4r0gvI/AAAAAAAAFDg/HVAcUZBiW10/s1600/august_sander_05.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;August Sander&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-me há dias para reler o &lt;em&gt;Silêncio do Mar&lt;/em&gt;.&amp;nbsp;Li-o há cerca de 30 anos, lembro-me de ter gostado e resolvi pegar nele outra vez. Voltei a gostar. &lt;br /&gt;Apesar de, aqui e ali,&amp;nbsp;alguma retórica literária&amp;nbsp;um pouco&amp;nbsp;desadequada aos nossos padrões actuais, não me desiludiu e, ao contrário do que tantas vezes acontece ao&amp;nbsp;ler&amp;nbsp;as mesmas coisas&amp;nbsp;em idades completamente diferentes, pensei&amp;nbsp;exactamente o mesmo do que me lembro de ter pensado na primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;França durante a ocupação nazi. Um oficial alemão instala-se numa casa onde vive um homem com a sua jovem&amp;nbsp;sobrinha. O oficial é um homem bom,&amp;nbsp;sensível, apaixonado pela cultura francesa e acredita genuinamente que a ocupação irá dar à Alemanha o melhor da cultura francesa e à França o melhor da cultura alemã. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respeitando em absoluto os dois moradores, tudo faz para ser simpático, gentil,&amp;nbsp;assertivo, mostrar que não está ali como força ocupante mas com um ser humano que, provisoriamente cumpre obrigações militares mas que, voltando à vida civil, voltará a ser o músico que era e que gosta de ser. Fala, fala, fala.&amp;nbsp;Em todos os serões desce as escadas para&amp;nbsp;fazer companhia ao dois residentes mas irá sempre esbarrar com&amp;nbsp;o silêncio, a indiferença, o desprezo de dois franceses revoltados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta relação entre o oficial alemão e os dois franceses é muito interessante. São três pessoas que ali estão, três identidades pessoais. Só que, por outro lado a subjectividade inerente a essa identidade pessoal&amp;nbsp;é&amp;nbsp;inevitavelmente diluída na sua&amp;nbsp;identidade política. O alemão tem um nome, e um nome que traduz uma subjectidade que será sempre&amp;nbsp;irredutível a quaisquer outras&amp;nbsp;identidades objectivas&amp;nbsp;ou que transcendem o domínio puramente subjectivo&amp;nbsp;(se é branco ou preto, loiro ou moreno, europeu ou asiático, alemão ou francês, católico ou protestante) mas que ali é completamente anulada.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aquele homem não está ali.&amp;nbsp;Para os dois franceses aquele homem não tem alma pois&amp;nbsp;quem ali&amp;nbsp;está&amp;nbsp;não é bem um homem mas um país, uma nação invasora. Os dois franceses não se recusam a falar com um homem, recusam-se a serem submetidos a um país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos perante um caso extremo. Mas, e é isto que agora me interessa, não será isto que se passa em todas as relações humanas? A relação entre duas pessoas será quase sempre uma relação entre identidades transcendentes, identidade exteriores à real identidade subjectiva. Um alemão será sempre um alemão, um engenheiro será sempre um engenheiro, um homem será sempre um homem, uma mulher será sempre uma mulher, um velhote será sempre um velhote, um preto será sempre um preto. É verdade que as pessoas serão sempre isso. Também são isso. Mas haverá sempre uma subjectividade para além disso, uma subjectividade impermeável a isso. &lt;em&gt;Isso&lt;/em&gt; que, neste caso, já&amp;nbsp;não é o &lt;em&gt;id&lt;/em&gt; psicanalítico mas, pelo contrário, o que há de mais claro, definido e objectivo na identidade de um indivíduo.&lt;br /&gt;Eu acredito que as pessoas têm uma alma mas também acredito que está sempre escondida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-6948626244041468392?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6948626244041468392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6948626244041468392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/anima-abscondita.html' title='ANIMA ABSCONDITA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-39sKhkYSexQ/Ttjvm4r0gvI/AAAAAAAAFDg/HVAcUZBiW10/s72-c/august_sander_05.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-25361260508223375</id><published>2011-12-01T22:30:00.001Z</published><updated>2011-12-01T22:31:34.437Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (III)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Vvpi4V-iiCA/TtgAMCvO8iI/AAAAAAAAFDY/7FRNUVQn46M/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-Vvpi4V-iiCA/TtgAMCvO8iI/AAAAAAAAFDY/7FRNUVQn46M/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A vida pressupõe dois pés, duas pernas,&lt;br /&gt;dois olhos, dois braços, e até o cérebro&lt;br /&gt;tem duas partes: a direita e a esquerda.&lt;br /&gt;Só o amor quando é forte não tem lado&lt;br /&gt;esquerdo e direito. É um sentimento central;&lt;br /&gt;qualquer acontecimento quotidiano, ou extraordinário,&lt;br /&gt;parece ocorrer nas suas vizinhanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto III, 121&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-25361260508223375?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/25361260508223375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/25361260508223375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-iii.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (III)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Vvpi4V-iiCA/TtgAMCvO8iI/AAAAAAAAFDY/7FRNUVQn46M/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7491435077833385288</id><published>2011-12-01T14:50:00.000Z</published><updated>2011-12-01T14:50:22.019Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>GOOD VIBRATIONS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5sqRkaroCm8/TteSRChHDuI/AAAAAAAAFDQ/s2iFpsKCim4/s1600/24822_1396060547625_1415552567_1063286_6244548_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="355px" src="http://3.bp.blogspot.com/-5sqRkaroCm8/TteSRChHDuI/AAAAAAAAFDQ/s2iFpsKCim4/s400/24822_1396060547625_1415552567_1063286_6244548_n.jpg" width="400px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;[estudante preparando-se&amp;nbsp; para um teste de matemática]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas na vida que nunca me interessaram, sendo&amp;nbsp;as desobertas&amp;nbsp;científicas, seguramente, uma delas. Quero lá saber como funciona o aparelho digestivo da rã, se em Saturno existe ácido sulfúrico ou o que possa&amp;nbsp;ser&amp;nbsp;uma molécula. Nunca consegui perceber o que é uma molécula embora também&amp;nbsp;nunca&amp;nbsp;tenha feito&amp;nbsp;qualquer esforço para o&amp;nbsp;&amp;nbsp;tentar. E&amp;nbsp;tanto se me dá como se me deu que&amp;nbsp;os golfinhos sejam mamíferos, peixes ou aves ou que as plantas respirem por pulmões ou guelras.&amp;nbsp;Mas também não sou um obscurantista ou um místico&amp;nbsp;destrambelhado&amp;nbsp;que olha para as ciências com desprezo. Nada. Tenho todo o respeito pela ciência e agradeço bastante aos cientistas as coisas que eles sabem e inventam para meu benefício. Mas eu também&amp;nbsp;gosto da ideia de&amp;nbsp;existirem canalizadores e dentistas&amp;nbsp;e isso não me obriga a entender de&amp;nbsp;esgotos&amp;nbsp;ou a saber&amp;nbsp;arrancar um dente. Todavia, há por vezes descobertas científicas que considero verdadeiramente iluminadoras. É o caso &lt;a href="http://www.tecmundo.com.br/pesquisa/15475-como-funciona-o-cerebro-de-uma-mulher-durante-o-sexo-.htm"&gt;desta&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu detesto, odeio, abomino tudo o que tenha que ver com pedagogia, ciências da educação, teorias sobre o ensino-aprendizagem e outra perigosas insanidades. Para quê tantas teorias sobre como motivar os alunos, aumentar as suas competências cognitivas, a atenção, a concentração?&amp;nbsp;Há anos que&amp;nbsp;penso assim. Mas, agora, graças à ciência, mais razões terei para o pensar.&amp;nbsp;Pelos vistos, não se trata de um problema de mais horas ou método&amp;nbsp;de estudo, de saber se&amp;nbsp;o ensino deve ou não estar centrado no aluno, se as aulas devem ser mais expositivas ou práticas. Nada disso.&amp;nbsp;No que diz respeito ao sexo feminino, bastaria distribuir no início de cada&amp;nbsp;ano lectivo estimulantes&amp;nbsp;dispositivos tecnológicos, e respectivas pilhas,&amp;nbsp;que, podendo ser usados 3 vezes por dia, iriam contribuir sobremaneira para o sucesso escolar com que tanto sonhamos e, já agora, numa época tão depressiva como aquela que vivemos, contribuir também para um povo mais feliz e mentalmente mais saudável. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7491435077833385288?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7491435077833385288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7491435077833385288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/12/good-vibrations.html' title='GOOD VIBRATIONS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5sqRkaroCm8/TteSRChHDuI/AAAAAAAAFDQ/s2iFpsKCim4/s72-c/24822_1396060547625_1415552567_1063286_6244548_n.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-6807695746034305994</id><published>2011-11-30T21:39:00.000Z</published><updated>2011-11-30T21:39:21.571Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (II)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-l2Hg0e-1Y_c/TtaiXyyVrPI/AAAAAAAAFDI/Y-ouzZLWL3c/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://1.bp.blogspot.com/-l2Hg0e-1Y_c/TtaiXyyVrPI/AAAAAAAAFDI/Y-ouzZLWL3c/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não leva apenas uma demão, a vida leva cinco ou seis,&lt;br /&gt;quando não dezenas, e o truque, se existe,&lt;br /&gt;é guardar a cor mais perfeita para o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto II, 16&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-6807695746034305994?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6807695746034305994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6807695746034305994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-ii.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (II)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-l2Hg0e-1Y_c/TtaiXyyVrPI/AAAAAAAAFDI/Y-ouzZLWL3c/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3258348690192993158</id><published>2011-11-30T19:09:00.000Z</published><updated>2011-11-30T19:09:05.039Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>MAR E MAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4mvXuL9eCso/TtZ-7qqqauI/AAAAAAAAFDA/l-jnheMKGPw/s1600/Gericault_Raft_of_the_Medusa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="431px" src="http://1.bp.blogspot.com/-4mvXuL9eCso/TtZ-7qqqauI/AAAAAAAAFDA/l-jnheMKGPw/s640/Gericault_Raft_of_the_Medusa.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Géricault | A Jangada de Medusa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num livro&amp;nbsp;sobre os hinos de Hölderlin, diz Heidegger&amp;nbsp;que a luta pela poesia no poema é a luta contra nós próprios. Porquê? Porque, diz ele, "na medida em que na trivialidade quotidiana do ser-aí, estamos expulsos da poesia, estamos sentados na praia cegos, coxos e surdos e não vemos nem ouvimos nem sentimos a ondulação do mar".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois, só que Hölderlin, como se sabe,&amp;nbsp; morreu louco. O mar, por vezes, enlouquece. Percebe-se assim melhor por que razão o Evangelho enaltece os pobres de espírito. Jesus curava cegos, coxos e surdos mas eram outros cegos, coxos e surdos e não aqueles de que fala Heidegger. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu gosto do mar. Mas há mar e mar, há ir e voltar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3258348690192993158?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3258348690192993158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3258348690192993158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/mar-e-mar.html' title='MAR E MAR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4mvXuL9eCso/TtZ-7qqqauI/AAAAAAAAFDA/l-jnheMKGPw/s72-c/Gericault_Raft_of_the_Medusa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1664261907321602760</id><published>2011-11-29T17:11:00.001Z</published><updated>2011-11-30T21:40:05.211Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo M. Tavares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (I)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jcpUIM6KPkQ/TtUSGRO1AZI/AAAAAAAAFCw/acgS1KBcFkA/s1600/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="400px" src="http://3.bp.blogspot.com/-jcpUIM6KPkQ/TtUSGRO1AZI/AAAAAAAAFCw/acgS1KBcFkA/s400/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG" width="260px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Víscera que esquece menos que a cabeça - o coração.&lt;br /&gt;Se queres informações sobre o passado, Bloom,&lt;br /&gt;fala com os homens de uma cidade, &lt;br /&gt;mas se desejas surpreender de uma vez a&lt;br /&gt;sabedoria primária&lt;br /&gt;passa uma tarde ao lado de um animal&lt;br /&gt;sem linguagem.&lt;br /&gt;Nem tudo o que se passa&lt;br /&gt;pode ser escrito, eis o que já sabíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Canto I, 27&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1664261907321602760?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1664261907321602760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1664261907321602760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/goncalo-m-tavares-uma-viagem-india-i.html' title='GONÇALO M. TAVARES - UMA VIAGEM À ÍNDIA (I)'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jcpUIM6KPkQ/TtUSGRO1AZI/AAAAAAAAFCw/acgS1KBcFkA/s72-c/_opt_VOLUME1_CAPAS-UPLOAD_CAPAS_GRUPO_LEYA_CAMINHO_EGM_9789722121309_uma_viagem_a_india_goncalo_m_tavares.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8521125465060689179</id><published>2011-11-29T09:08:00.000Z</published><updated>2011-11-29T09:08:06.544Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>URGÊNCIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CU8l3_DKEE4/TtSgtRJx3jI/AAAAAAAAFCo/QpSvHqSmaK4/s1600/old-hospital-surgery.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="511" src="http://3.bp.blogspot.com/-CU8l3_DKEE4/TtSgtRJx3jI/AAAAAAAAFCo/QpSvHqSmaK4/s640/old-hospital-surgery.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Numa rua de Torres Novas está uma faixa de pano&amp;nbsp;que tem&amp;nbsp;escrito: "NÃO FECHEM AS URGÊNCIAS". Faz todo o sentido.&amp;nbsp;Fechar urgências significa fechar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8521125465060689179?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8521125465060689179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8521125465060689179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/urgencia.html' title='URGÊNCIA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CU8l3_DKEE4/TtSgtRJx3jI/AAAAAAAAFCo/QpSvHqSmaK4/s72-c/old-hospital-surgery.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2519801439677923540</id><published>2011-11-27T20:38:00.001Z</published><updated>2011-11-27T21:07:16.905Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>MUSEU SEM MUSAS [PARTE IV]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-OBiyIT8lHYw/TtKd8G559vI/AAAAAAAAFCg/dTgwK_3yD4I/s1600/100640.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-OBiyIT8lHYw/TtKd8G559vI/AAAAAAAAFCg/dTgwK_3yD4I/s400/100640.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Thomas Struth&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi uma, nem duas, nem três. Foram já&amp;nbsp;muitas as vezes que&amp;nbsp;ouvi pessoas se&amp;nbsp;queixarem de&amp;nbsp;estarem em frente da &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt; sem conseguirem perceber o que tem&amp;nbsp;aquilo de tão&amp;nbsp;especial. Pessoas excitadas, ansiosas, nervosas por, finalmente, se encontrarem frente a frente, não com um quadro, mas com o quadro dos quadros,&amp;nbsp;com&amp;nbsp;"o quadro". Mas que depois de esperarem&amp;nbsp;na fila saem&amp;nbsp;com uma sensação de estranheza por nada terem visto de especial. O que é engraçado é o facto de eu só ouvir isto&amp;nbsp;com&amp;nbsp;a &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt; e não, por exemplo,&amp;nbsp;com as&amp;nbsp;&lt;em&gt;Meninas&lt;/em&gt;, uma &lt;em&gt;Ronda da Noite&lt;/em&gt;, um Vermeer, Van Gogh ou Picasso. Porquê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque a &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt; está, para um turista, no mesmo plano da torre Eiffel, da ponte de Londres, da torre de Pisa, da fontana di Trevi ou da ponte Carlos. Um turista em Paris vai&amp;nbsp;ver o&amp;nbsp;Louvre como vai ver o Sacré Coeur, o Moulin Rouge&amp;nbsp;ou qualquer outro ponto turístico da cidade. Ok, mas por que razão ninguém fica desiludido com um ponto turístico&amp;nbsp;mas fica com a &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt;? Porque os pontos turísticos são apenas belezas materiais que se apreciam fisicamente (com os olhos, estando o corpo presente) enquanto à volta da &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt; existe toda uma mitologia que supostamente&amp;nbsp;a eleva acima do profano, possuindo uma aura que está ausente de um simples ponto turístico. Quem vai ver a &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt; vai ver um rosto que já viu dezenas de vezes, esperando, porém, que, ao vê-lo lá, no&amp;nbsp;próprio santuário que o guarda, se dê uma espécie de hierofania. A hierofania, no entanto, não ocorre e a pessoa sai de lá com a sensação de que se limitou a ver o que sempre viu sem&amp;nbsp; nada ter acontecido. Ainda por cima é&amp;nbsp; pequenino, dizem as pessoas, frustadas, aumentando ainda mais a desilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não quero negar à obra de arte a aura de que fala Benjamin. O que eu quero dizer é que&amp;nbsp;essa aura não está ao alcance das hordas turísticas que pagam bilhete para entrarem nesses armazéns museológicos no interior dos quais tentam elevar o espírito que andou perdido pelos armazéns comerciais e turísticos. Ir ao Louvre será assim uma espécie de missa turística onde o espírito repousa no meio da azáfama&amp;nbsp;das férias. Uma pessoa vai ver a &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt; levada pela mesma sensação e esperança com que um muçulmano se prepara para ir a Meca. &lt;br /&gt;A grande diferença é que um muçulmano não anda com máquina fotográfica ao pescoço, acredita no que vai ver e sabe o que vai ver. O nosso turista, pelo contrário, não acredita em nada mas pensa que o sagrado se pode enfiar pelos seus olhos dentro só pelo facto de pagar um bilhete para&amp;nbsp;olhar para ele. Não pode. Como diria um&amp;nbsp;medieval: para compreender temos que&amp;nbsp;primeiro acreditar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2519801439677923540?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2519801439677923540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2519801439677923540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/museu-sem-musas-parte-iv.html' title='MUSEU SEM MUSAS [PARTE IV]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-OBiyIT8lHYw/TtKd8G559vI/AAAAAAAAFCg/dTgwK_3yD4I/s72-c/100640.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-895663914441093970</id><published>2011-11-26T14:43:00.001Z</published><updated>2011-11-26T14:46:06.455Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='turismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>BLOW UP</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-unfqNJbDVrk/TtCxrf_M0ZI/AAAAAAAAFCY/prDpDTLuth0/s1600/bill-brandt-31.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-unfqNJbDVrk/TtCxrf_M0ZI/AAAAAAAAFCY/prDpDTLuth0/s1600/bill-brandt-31.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Bill Brandt&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje de manhã aconteceu-me uma coisa curiosa quando estava ao telefone com uma amiga que vive em Atenas. Bateram-lhe à porta, ela pede-me para eu esperar um pouco mas como o telefone era portátil leva-o consigo. Eu fico então na minha sala a acompanhar uma sequência de sons que me chegam do outro extremo da Europa: uma porta que se abre, uma voz que fala uma língua ininteligível, a voz da minha amiga no mesmo registo ininteligível, passos, vozes, o barulho de uma gaveta,&amp;nbsp;continuação das vozes numa&amp;nbsp;língua ininteligível,&amp;nbsp;novo barulho de gaveta, continuação das vozes, passos misturados com vozes,&amp;nbsp;uma porta a fechar. E eu aqui, em Torres Novas, como numa auditiva janela indiscreta com binóculos nos ouvidos, a acompanhar todo o processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se esta sequência de sons captada telefonicamente viesse de uma&amp;nbsp; casa na minha terra, eu não estaria agora com esta conversa. Ouvimos muitas vezes sons familiares deste tipo vindos de outros apartamentos e nem ligamos, tal é a sua quotidiana evidência e realismo. Uma gaveta a abrir e fechar é igual em qualquer parte do universo e pouca coisa no mundo será tão pouco estimulante como o som de uma gaveta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso deste telefonema, porém, não posso evitar um sentimento de perplexidade ao ouvir os sons quotidianos de uma casa no outro extremo da Europa, anulando toda a espacialidade e rugosidade física do mundo real, substituídas por uma espécie de pureza ou céu virtual; anulando a distância real entre mim e alguém que está em Atenas, distância feita de milhares de km, de diferentes e grandes países, de diferentes climas, de diferentes paisagens. O mundo real deixa de existir, havendo apenas diferentes pontos do universo coincidindo numa mesma dimensão, que já não é bidimensional ou tridimensional, ou nem sequer dimensional, mas etérea. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca fui à Grécia. Conheço a Grécia de algumas fotografias de monumentos, ilhas, aldeias pitorescas pintadas de branco e azul, paisagens bonitas: imagens, postais ilustrados, estereótipos visuais. O estranho, neste caso, foi eu sair de repente da Grécia dos postais ilustrados, das ilhas, dos monumentos para consumo turístico e, sem sair da minha sala, entrar numa sala cujos sons, apesar da sua extrema familiaridade, não deixam de ser abstractos pois são de um país que não existe. Não existe? Sim, claro, não existe para mim. Para mim, a Grécia "real” é a Grécia turística que vê toda a gente que nunca foi à Grécia ou que vêem as pessoas que vão à Grécia para continuarem a verem lá o que já antes vêem as pessoas que nunca foram à Grécia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que não deixa de ser paradoxal. Quanto mais "real" e colado à realidade for o som num país distante (uma porta que se abre, uma gaveta que se fecha, passos, vozes), mais abstracto ele será, pois mais se afasta das imagens mentais que formamos de um país, as que se tornam&amp;nbsp;verdadeiramente familiares para nós (apesar de nunca as termos visto)&amp;nbsp;e alimentam a nossa consciência: a Acrópole, as casas brancas e azuis nas ilhas, os anfiteatros.&amp;nbsp;E não há nada de mais real do que os sons de uma doméstica sala grega, tal como a sala de uma casa portuguesa, sueca ou russa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por razões familiares e de amizade, em tempos longínquos acabei por&amp;nbsp;passar férias&amp;nbsp;em cidades como Paris, Hannover, Bremen ou Hamburgo, onde tinha uma rotina diária: estava em casa, conhecia os vizinhos, ia ao pão e ao café da esquina. Quando estamos deste modo numa cidade, passamos a ver a verdadeira cidade, a cidade real. Sem máquina fotográfica, sem&amp;nbsp;instinto&amp;nbsp;de turista, sem mapa e guias&amp;nbsp;na mão e no bolso&amp;nbsp;a morada do hotel para podermos regressar ao fim do dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira vez que saí de Portugal foi para ir a Badajoz. Era ainda criança e lembro-me de pensar que iria entrar noutro planeta. Imaginava tudo diferente do que até então conhecera. Ora, a coisa mais estranha quando lá cheguei foi achar tudo aquilo demasiado normal: pessoas normais, casas normais, carros normais, lojas normais. Vim desiludido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma desilusão que haveria de me marcar toda a vida. Eu não tenho especial apetência por viajar, porém, de vez em quando gosto de sair para arejar um pouco, sobretudo em Portugal, onde há sítios de que gosto bastante. Mas é muito raro vir de algum sítio sem uma sensação de desilusão, principalmente no estrangeiro. É verdade que é com alguma relativa indiferença e tédio que olho para monumentos, casas bonitas e isso. Pergunto sempre a mim por que raio hei-de estar a olhar para o que já estou farto de ver em fotografias. Quando vi o Big Ben e a ponte de Londres a minha reacção foi: "Ok, podemos ir embora?", como se estivesse a olhar pela centésima vez para a mesma fotografia. É por isso também que não me passa pela cabeça ir a cidades como Praga, Veneza ou Nova Iorque, só para ver o que já vi em inúmeras fotografias ou filmes. Nas poucas vezes que estive no estrangeiro, limitei-me a ver o que já tinha visto, ficando sempre com a sensação de que estou sempre no mesmo sítio. Pode parecer uma parvoíce e uma deficiência minha, que assumo, mas não consigo que seja de outra maneira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O som longínquo de uma vulgar gaveta a abrir-se e fechar-se na sala de um apartamento de Atenas, apesar da sua radical vulgaridade, soou-me mais fantástico do que chegar em frente à Acrópole e olhar para aqueles pedregulhos absolutamente iguais aos das fotografias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-895663914441093970?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/895663914441093970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/895663914441093970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/blow-up.html' title='BLOW UP'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-unfqNJbDVrk/TtCxrf_M0ZI/AAAAAAAAFCY/prDpDTLuth0/s72-c/bill-brandt-31.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4617129314631798259</id><published>2011-11-25T14:52:00.000Z</published><updated>2011-11-25T14:52:05.465Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>BOM FIM DE SEMANA</title><content type='html'>&lt;object height="81" width="100%"&gt; &lt;param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28353367"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed allowscriptaccess="always" height="81" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28353367" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"&gt;&lt;/embed&gt; &lt;/object&gt; &lt;a href="http://soundcloud.com/leonardcohen/show-me"&gt;Show Me The Place&lt;/a&gt; by &lt;a href="http://soundcloud.com/leonardcohen"&gt;leonardcohen&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4617129314631798259?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4617129314631798259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4617129314631798259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/bom-fim-de-semana.html' title='BOM FIM DE SEMANA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3422143973193349209</id><published>2011-11-25T14:51:00.001Z</published><updated>2011-11-25T15:01:46.106Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>NOITES PASSADAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bS2HZB1544c/Ts-owtmKoHI/AAAAAAAAFCQ/rXWdBgbRDCo/s1600/DesperateRomantics.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="426px" src="http://3.bp.blogspot.com/-bS2HZB1544c/Ts-owtmKoHI/AAAAAAAAFCQ/rXWdBgbRDCo/s640/DesperateRomantics.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Desperate Romantics [fotograma]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que significa uma pessoa acordar de manhã e dizer que passou muito bem a noite? Significa que dormiu bem. Mas&amp;nbsp;parece ser&amp;nbsp;um estranho passar bem. Passar bem implica um prazer e uma pessoa não pode ter prazer em dormir, pois para&amp;nbsp;ter prazer em&amp;nbsp;dormir deveríamos ter a consciência de que estávamos a dormir,&amp;nbsp;e&amp;nbsp;é impossível estar ao mesmo tempo a dormir e ter a consciência disso. Se dormimos não&amp;nbsp;estamos conscientes, se&amp;nbsp;estamos conscientes, não dormimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste caso, porém, é possível dizer que se passou bem a noite, pois o objectivo de uma noite bem passada é estar o mais inconsciente possível durante o mais tempo possível. Daí&amp;nbsp;se dizer, como se acabasse de espreguiçar, que se&amp;nbsp;passou bem a noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora isto dá uma imensa liberdade a quem dorme. Quem dorme liberta-se completamente dos conteúdos do mundo.&amp;nbsp;O seu bem-estar, o seu "passar bem" não está dependente do mundo, como acontece a quem está acordado,&amp;nbsp;mas precisamente do que o mundo deixa de lhe oferecer&amp;nbsp;enquanto dorme. Dormir bem é, por isso, uma expressão de liberdade. A pessoa passou bem a noite porque a&amp;nbsp;atravessou livremente, sem ser surpreendida pelos desafios do mundo, parecendo assim regressar de um paraíso inconsciente, pré-racional, perfeito na sua total ausência de lucidez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida&amp;nbsp;ideal seria mesmo estar a dormir e acordado ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3422143973193349209?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3422143973193349209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3422143973193349209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/noites-passadas.html' title='NOITES PASSADAS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-bS2HZB1544c/Ts-owtmKoHI/AAAAAAAAFCQ/rXWdBgbRDCo/s72-c/DesperateRomantics.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3925513132251098653</id><published>2011-11-24T21:16:00.000Z</published><updated>2011-11-24T21:16:38.108Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>A MÃO E O ESPÍRITO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OOpUzs7bO4Y/Ts6cf4Th5oI/AAAAAAAAFCI/ivih170KaBY/s1600/MV5BMjEwMDE1MzkwMF5BMl5BanBnXkFtZTcwMTkxMjEwNQ%2540%2540__V1__SX640_SY428_.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-OOpUzs7bO4Y/Ts6cf4Th5oI/AAAAAAAAFCI/ivih170KaBY/s1600/MV5BMjEwMDE1MzkwMF5BMl5BanBnXkFtZTcwMTkxMjEwNQ%2540%2540__V1__SX640_SY428_.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;John Huston | O Morto [fotograma]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos anos 70, era eu um garoto, Mário Soares passou por Torres Novas e calhou ter-lhe apertado a mão. Ele era&amp;nbsp;então&amp;nbsp;ministro dos Negócios Estrangeiros e, dias antes,&amp;nbsp;e tinha-o visto no telejornal a apertar a mão a Henry Kissinger em Washington. Lembro-me de ter pensado na altura que&amp;nbsp; tinha acabado de apertar a mão ao homem que tinha apertado a mão a Henry Kissinger, o político mais poderoso do mundo. Foi&amp;nbsp;a minha&amp;nbsp;versão&amp;nbsp;barthesiana&amp;nbsp;de estar a ver os olhos que viram o imperador, só que, desta vez, com uma sugestão&amp;nbsp;muito mais física e realista&amp;nbsp;do que a de Barthes,&amp;nbsp;mais virtual e ilusória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este episódio faz-me pensar na ilusão&amp;nbsp;de um&amp;nbsp;contacto&amp;nbsp;com outro ser humano cuja essência é puramente virtual. O meu aperto de mão a Mário Soares foi real. O aperto de mão de Soares e Kissinger foi real. Mas eu não tive qualquer contacto directo com a mão de Kissinger. Alimentei a sugestão, comprazi-me&amp;nbsp;com a&amp;nbsp;sugestão mas não passou disso mesmo:&amp;nbsp;uma sugestão. Eu nunca cheguei a ver Kissinger, nunca respirei o seu oxigénio, nunca lhe apertei a mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O espaço&amp;nbsp;contemporâneo está inundado de relações virtuais, de amizades virtuais, cumplicidades virtuais, amores e ódios virtuais. Há pessoas que se amam e odeiam sem nunca se chegarem a ter visto. Amizades&amp;nbsp;que se fazem e desfazem sem nunca se chegarem a ter visto.&amp;nbsp;Parece-me evidente&amp;nbsp;que não passa tudo de uma ilusão construída a partir de elementos distantes e fugazes. &lt;br /&gt;Mas eu gosto de complicar as coisas&amp;nbsp;e é isso que irei fazer: até que ponto serão virtuais&amp;nbsp;não apenas as relações que acabo de referir mas&amp;nbsp;todas as relações? Até que ponto o conhecimento do outro não é facilmente iludido pela&amp;nbsp;aparente objectividade de uma&amp;nbsp;presença física? Como se o corpo ou&amp;nbsp; uma simples mão pudessem significar alguma coisa. É verdade que&amp;nbsp;um corpo é muito mais do que a sua&amp;nbsp;ausência.&amp;nbsp;Mas&amp;nbsp;que raio é um corpo? Que raio será uma mão?&amp;nbsp;Não será o corpo também um falacioso núcleo da identidade do outro? O que há nessa identidade que nós jamais chegaremos a ver, por muitos olhares, abraços,&amp;nbsp;beijos ou&amp;nbsp;sexo que exista com os seus íntimos&amp;nbsp;fluidos orgânicos misturados na objectividade&amp;nbsp;e pura materialidade de uma&amp;nbsp;penetração&amp;nbsp;física? O que há nessa identidade&amp;nbsp;que nem o&amp;nbsp;próprio&amp;nbsp;consegue&amp;nbsp;ver quanto mais os outros, completamente impermeável a quaisquer invasões das consciências alheias?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mão, essa amálgama de pele, ossos, tendões, músculos, gordura,&amp;nbsp;veias, sangue, está toda aí para a observarmos, agarrarmos ou sermos agarrados por ela. O&amp;nbsp;espírito,&amp;nbsp;esse, será sempre&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;brisa&amp;nbsp;invisível que tanta vezes&amp;nbsp;nos&amp;nbsp;arrefece à sua passagem e&amp;nbsp;sem nunca deixar rasto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3925513132251098653?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3925513132251098653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3925513132251098653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/mao-e-o-espirito.html' title='A MÃO E O ESPÍRITO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OOpUzs7bO4Y/Ts6cf4Th5oI/AAAAAAAAFCI/ivih170KaBY/s72-c/MV5BMjEwMDE1MzkwMF5BMl5BanBnXkFtZTcwMTkxMjEwNQ%2540%2540__V1__SX640_SY428_.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-103779508307702835</id><published>2011-11-24T13:40:00.000Z</published><updated>2011-11-24T13:40:05.783Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>15 Março 1942 - 23 Novembro 2011</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-fi8XTBb-zn8/Ts5I0-JFfgI/AAAAAAAAFB0/6r_NzNdskaE/s1600/montserrat_figueras2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-fi8XTBb-zn8/Ts5I0-JFfgI/AAAAAAAAFB0/6r_NzNdskaE/s1600/montserrat_figueras2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-103779508307702835?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/103779508307702835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/103779508307702835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/15-marco-1942-23-novembro-2011.html' title='15 Março 1942 - 23 Novembro 2011'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-fi8XTBb-zn8/Ts5I0-JFfgI/AAAAAAAAFB0/6r_NzNdskaE/s72-c/montserrat_figueras2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5215774159270897247</id><published>2011-11-23T18:51:00.000Z</published><updated>2011-11-23T18:51:29.686Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>VALE DE SANTARÉM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-20oYngArAoM/Ts0rJInrk2I/AAAAAAAAFBs/GvXJPc5idCI/s1600/Paul+Noug%25C3%25A9%252C+Les+oiseaux+vous+poursuivent+from+the+series+%25E2%2580%259DLa+Subversion+des+images%252C%25E2%2580%259D+1929-1930.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-20oYngArAoM/Ts0rJInrk2I/AAAAAAAAFBs/GvXJPc5idCI/s1600/Paul+Noug%25C3%25A9%252C+Les+oiseaux+vous+poursuivent+from+the+series+%25E2%2580%259DLa+Subversion+des+images%252C%25E2%2580%259D+1929-1930.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Paul Nougé | Les Oiseaux Vous Poursuivent &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Certamente influenciado por uma fatal e&amp;nbsp;irreversível astenia romântica, as&amp;nbsp;&lt;em&gt;Viagens na Minha Terra&lt;/em&gt; é um dos meus livros de eleição. São várias as razões,&amp;nbsp;e uma&amp;nbsp;não pouco importante&amp;nbsp;será&amp;nbsp;sem dúvida&amp;nbsp;a&amp;nbsp;metalepse final quando o narrador se encontra com algumas das personagens da novela. Uma metalepse é quando elementos de um nível narrativo se misturam com elementos de outro nível narrativo.&lt;br /&gt;Eu sei que as &lt;em&gt;Viagens &lt;/em&gt;é uma obra de ficção. Mas uma obra de ficção que&amp;nbsp;explica o modo como se processa a própria vida dos seres humanos.&amp;nbsp; Os seus&amp;nbsp;encontros e desencontros serão sempre o ponto de partida e o ponto de chegada de uma metalepse. O Vale de Santarém é muito mais do que o Vale de Santarém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5215774159270897247?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5215774159270897247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5215774159270897247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/vale-de-santarem.html' title='VALE DE SANTARÉM'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-20oYngArAoM/Ts0rJInrk2I/AAAAAAAAFBs/GvXJPc5idCI/s72-c/Paul+Noug%25C3%25A9%252C+Les+oiseaux+vous+poursuivent+from+the+series+%25E2%2580%259DLa+Subversion+des+images%252C%25E2%2580%259D+1929-1930.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7440362012812519221</id><published>2011-11-22T18:22:00.000Z</published><updated>2011-11-22T18:22:22.349Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='As fotografias dos outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>A BANHEIRA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HnkI2ez0FZo/TsvM8uJmOTI/AAAAAAAAFBk/7NmMXj_LxWo/s1600/eggleston_2_girls_on_couch.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-HnkI2ez0FZo/TsvM8uJmOTI/AAAAAAAAFBk/7NmMXj_LxWo/s1600/eggleston_2_girls_on_couch.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu e esta fotografia foi amor à primeira vista. Literalmente. Porquê? Bem, o amor à primeira vista não&amp;nbsp;tem necessariamente explicação mas, neste caso, a explicação existe: por tudo.&amp;nbsp;Pelos seus&amp;nbsp;bonitos e elegantes elementos físicos, ou seja, o padrão do sofá, o copo com a flor vermelha sobre&amp;nbsp;a branca textura da parede, ou a combinação de cores dos&amp;nbsp;dois vestidos.&amp;nbsp;Pela beleza simultaneamente&amp;nbsp;seráfica e contemporânea&amp;nbsp;das duas raparigas, uma&amp;nbsp;mais ostensiva, outra mais discreta.&amp;nbsp;Mas sobretudo pela densidade dramática da cena, na qual a&amp;nbsp;ausência&amp;nbsp;de uma das raparigas contrasta fortemente com a inquietação e ansiedade da outra, bem traduzidas na expressão do rosto e num&amp;nbsp;braço cujo movimento e dinamismo mais&amp;nbsp;acentua o&amp;nbsp;alheamento&amp;nbsp;dos outros&amp;nbsp;dois braços repousados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu olho para esta fotografia e, apesar da sua&amp;nbsp;identidade contemporânea flagrantemente denunciada pelo relógio de pulso,&amp;nbsp;muita história da arte me&amp;nbsp;atravessa a cabeça.&amp;nbsp;A sua&amp;nbsp;densidade dramática lembra a de&amp;nbsp;tantos interiores holandeses onde o silêncio e&amp;nbsp;a paz sugeridas não conseguem iludir um mundo&amp;nbsp;de turbulências interiores, inquietações, ansiedades ou subtis&amp;nbsp;jogos psicológicos. O próprio silêncio que&amp;nbsp; tão facilmente&amp;nbsp;aqui se perscruta&amp;nbsp;é nitidamente holandês. Holandês, como poderia ser o silêncio que envolve suavemente&amp;nbsp;as figuras vagas e distantes da pintura de Hammershoi.&amp;nbsp;A própria&amp;nbsp;inconsciência da rapariga deitada faz-me&amp;nbsp;pensar&amp;nbsp;na inconsciência que&amp;nbsp;isola a mãe de&amp;nbsp;Whistler,&amp;nbsp;pintada por este&amp;nbsp;em 1871.&amp;nbsp;Há ainda qualquer coisa nesta espontânea encenação que me atira para as&amp;nbsp;formalistas, embora&amp;nbsp;ígualmente poéticas,&amp;nbsp;encenações&amp;nbsp;de&amp;nbsp;Lady Clementine Hawarden,&amp;nbsp;Julia Margaret Cameron ou Alice Boughton. Eis pois&amp;nbsp;uma daquelas fotografias que, como tantas fotografias ou quadros, se pode tornar facilmente num objecto de culto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É&amp;nbsp;por isso&amp;nbsp;que mais fascinante ainda&amp;nbsp;se torna conhecer&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.smithsonianmag.com/arts-culture/10024276.html#related"&gt;aqui&amp;nbsp;&lt;/a&gt;a&amp;nbsp;história desta fotografia. Um fascínio que aumenta a partir do momento em que penso igualmente&amp;nbsp;na história por detrás&amp;nbsp;da&amp;nbsp; dramaticamente bela e irreversivelmente ausente&amp;nbsp;Ofélia de John Everet Millais. Elizabeth Siddal foi pintada dentro de uma banheira para oferecer ao pintor o maior realismo possível na construção da cena. Acontece que isto se passou no Inverno e Londres no Inverno não é o Rio de Janeiro. Millais bem tentou ir aquecendo a água mas por dificuldades técnicas um dia arrefeceu de tal modo que a pobre Elizabeth acabou com uma pneumonia. E uma pneumonia no século XIX não era bem a mesma coisa do que uma pneumomia actualmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há, portanto, uma banheira a unir&amp;nbsp;a história de Karen e Lesa&amp;nbsp;e a história&amp;nbsp;de Elizabeth, ainda que por razões bastante diferentes. Duas banheiras reais onde se iniciam duas ficções. Um mundo real do qual, literalmente, emergem dois mundos ideais, cuja imaculda perfeição renega a banheira onde tanto pode estar uma rapariga embriagada por um adolescente&amp;nbsp;desgosto de amor,&amp;nbsp;actualmente uma enfermeira divorciada e&amp;nbsp;que pouco tempo depois desta fotografia cantava numa banda punk,&amp;nbsp;como uma humilde jovem londrina,&amp;nbsp;que adoece gravemente e com um percurso de vida marcado por depressões e dependente da droga.&lt;br /&gt;Neste caso, nem a arte imita a vida, nem é a vida que imita a arte, como dizia Wilde. Não há qualquer imitação. Arte e vida&amp;nbsp;surgem aqui tão distantes uma da outra&amp;nbsp;como a maçã ideal de Platão da maçã que comemos para depois ser digerida no organismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7440362012812519221?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7440362012812519221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7440362012812519221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/banheira.html' title='A BANHEIRA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HnkI2ez0FZo/TsvM8uJmOTI/AAAAAAAAFBk/7NmMXj_LxWo/s72-c/eggleston_2_girls_on_couch.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4021657408056733072</id><published>2011-11-22T09:48:00.001Z</published><updated>2011-11-22T09:48:17.282Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>FRASE QUE, ENTRETANTO, DEIXOU DE SE OUVIR</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Pxn-0IDAB9Q/Tstvi9b-VaI/AAAAAAAAFBU/19RLvK7hYfs/s1600/Diane+Arbus.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="632" src="http://4.bp.blogspot.com/-Pxn-0IDAB9Q/Tstvi9b-VaI/AAAAAAAAFBU/19RLvK7hYfs/s640/Diane+Arbus.bmp" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Diane Arbus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a economia, estúpido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4021657408056733072?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4021657408056733072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4021657408056733072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/frase-que-entretanto-deixou-de-se-ouvir.html' title='FRASE QUE, ENTRETANTO, DEIXOU DE SE OUVIR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Pxn-0IDAB9Q/Tstvi9b-VaI/AAAAAAAAFBU/19RLvK7hYfs/s72-c/Diane+Arbus.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5016365848293198836</id><published>2011-11-21T22:13:00.000Z</published><updated>2011-11-21T22:13:44.688Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>ERROS MEUS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-my0G2FM0jhI/TsqXkfCI-GI/AAAAAAAAFBM/vjsWjAvo8FA/s1600/LUCAS_%257E1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="640" src="http://1.bp.blogspot.com/-my0G2FM0jhI/TsqXkfCI-GI/AAAAAAAAFBM/vjsWjAvo8FA/s640/LUCAS_%257E1.JPG" width="433" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lucas Cranach | Adão e Eva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só pode ser um vírus que por aí anda.&amp;nbsp;Foram várias as vezes que, nos últimos&amp;nbsp;dias,&amp;nbsp;ouvi&amp;nbsp;o tão filosófico&amp;nbsp;"As desculpas não se pedem, evitam-se". Ainda hoje foi uma contínua a dizê-lo&amp;nbsp;para um aluno que&amp;nbsp;deve ter feito alguma. A frase é bonita e soa bem mas não faz sentido.&amp;nbsp;As&amp;nbsp;pessoas sabem que a desculpa é o desfazer da culpa mas esquecem&amp;nbsp;que a culpa é inerente à nossa condição, coisa difícil de desfazer. Nós erramos, não porque queremos errar&amp;nbsp;mas porque não sabemos que vamos errar ou porque julgamos&amp;nbsp;saber que não vamos errar. Só conhecemos o sabor da maçã depois de a termos comido do mesmo&amp;nbsp;que, entretanto, já&amp;nbsp;não conseguimos fingir que&amp;nbsp;não o conhecemos.&amp;nbsp;Há, admito,&amp;nbsp;duas maneiras de evitarmos&amp;nbsp;a culpa e de nos tornarmos inexoravelmente eficazes:&amp;nbsp;atarem-nos as mãos e os pés e&amp;nbsp;taparem-nos a boca,&amp;nbsp;ou sermos lobotomizados.&amp;nbsp;Assim já ninguém&amp;nbsp;teria de&amp;nbsp;pedir desculpa a ninguém,&amp;nbsp;o que, convenhamos,&amp;nbsp;seria um tremendo aborrecimento, o aborrecimento de&amp;nbsp;um mundo sem culpa. A culpa é má mas&amp;nbsp;é bom poder&amp;nbsp;depois&amp;nbsp;desfazê-la.&amp;nbsp;Pior do que errar seria mesmo não poder errar. A inteligência, maior ou menor, é uma qualidade partilhada por seres humanos, anjos e deuses. Os erros, esses, são visceralmente nossos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5016365848293198836?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5016365848293198836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5016365848293198836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/erros-meus.html' title='ERROS MEUS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-my0G2FM0jhI/TsqXkfCI-GI/AAAAAAAAFBM/vjsWjAvo8FA/s72-c/LUCAS_%257E1.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-6761786092192348817</id><published>2011-11-20T18:04:00.002Z</published><updated>2011-11-20T18:06:19.481Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>MUSEU SEM MUSAS [PARTE III]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-x65okg5WSLM/Tsk6M3E9i8I/AAAAAAAAFA8/ZfxQ_U8-uLU/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="550px" src="http://4.bp.blogspot.com/-x65okg5WSLM/Tsk6M3E9i8I/AAAAAAAAFA8/ZfxQ_U8-uLU/s640/untitled.bmp" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Thomas Struth&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não&amp;nbsp;sendo pessoa de viajar, não conheço muitos museus. Mas, nos&amp;nbsp;poucos&amp;nbsp;onde entrei,&amp;nbsp;tive a oportunidade&amp;nbsp;de ver quadros de todos os grandes pintores. Leonardo, Rembrandt, Rafael, Bruegel, Caravaggio, Rembrandt, Vermeer, Van Gogh,&amp;nbsp;Monet, Degas ou Picasso. Mantenho o que disse anteriormente: nada ganhei por tê-los visto à minha frente, comparados com as reproduções que já conhecia antes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abro apenas uma verdadeira excepção:&amp;nbsp;o &lt;em&gt;Enterro do Conde de Orgaz&lt;/em&gt;. Foi até hoje o quadro que mais prazer me deu ver e o único que me fez sentir verdadeiramente o privilégio de estar perante um quadro. Foi&amp;nbsp;a obra de arte que mais tempo demorei a contemplar. Lembro-me vagamente de sentir outras pessoas a chegar, olhar e&amp;nbsp;partir, e eu sem conseguir sair dali como se&amp;nbsp;estivesse&amp;nbsp;colado ao chão e&amp;nbsp;incapaz de ir embora. Não sei&amp;nbsp;dizer quanto tempo&amp;nbsp;estive a olhar para aquilo mas foi certamente muito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando, finalmente, consegui sair, lembro-me&amp;nbsp;de me ter queixado da má iluminação do quadro, muito diferente&amp;nbsp;da&amp;nbsp;que encontramos nos museus&amp;nbsp;(o quadro&amp;nbsp;está&amp;nbsp;numa igreja,&amp;nbsp; por cima do túmulo da figura principal nele representada).&amp;nbsp;Para além disso, a distância entre nós e&amp;nbsp;ele é bastante significativa, o que&amp;nbsp;dificulta ainda mais a sua apreciação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje tenho&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;certeza: foi precisamente o facto de ter visto o quadro no próprio local para onde foi projectado, um túmulo distante e mal iluminado, que me fez aumentar o fascínio por ele. Não tive qualquer êxtase místico na sua presença. Digo isto porque sei de quem já ficou a tremer quando o viu. Mas ter visto aquela obra-prima, não num asséptico e iluminado zoo como é um museu, mas sobre o próprio cadáver do conde, numa igreja mal iluminada, permitiu juntar o&amp;nbsp; exacerbado maneirismo do&amp;nbsp;pintor&amp;nbsp;ao tenebrismo da contemplação, um momento único de fruição estética e de elevada&amp;nbsp;densidade psicológica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora tenha estado&amp;nbsp;na igreja de S. Tomé&amp;nbsp;numa manhã deste século,&amp;nbsp;compreendi muito melhor o que é&amp;nbsp;representar misticamente no século XVI&amp;nbsp;a morte de alguém que viveu no século XIV.&amp;nbsp; Num museu&amp;nbsp;teria visto apenas um&amp;nbsp;grande obra-prima. Mas&amp;nbsp;seria&amp;nbsp;uma tremenda injustiça reduzir&amp;nbsp;o &lt;em&gt;Enterro do Conde de Orgaz&lt;/em&gt; a&amp;nbsp;uma obra-prima.&amp;nbsp;Essas,&amp;nbsp;estão orgulhosamente&amp;nbsp;expostas nessas montras iluminadas chamadas museus.&amp;nbsp;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-6761786092192348817?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6761786092192348817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6761786092192348817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/museu-sem-musas-parte-iii.html' title='MUSEU SEM MUSAS [PARTE III]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-x65okg5WSLM/Tsk6M3E9i8I/AAAAAAAAFA8/ZfxQ_U8-uLU/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5633374769907535203</id><published>2011-11-20T11:17:00.000Z</published><updated>2011-11-20T11:17:58.593Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>LOTARIA COM U</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-G6pYqAJC08M/TsgGm5GF6XI/AAAAAAAAFA0/ylLu8dhsjeI/s1600/last_year_at_marienbad.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="470" src="http://2.bp.blogspot.com/-G6pYqAJC08M/TsgGm5GF6XI/AAAAAAAAFA0/ylLu8dhsjeI/s640/last_year_at_marienbad.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Alain Resnais | O Último Ano em Marienbad [fotograma]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser exasperante a nossa mania de querer justificar tudo.&amp;nbsp;Talvez se deva&amp;nbsp;&amp;nbsp;à&amp;nbsp;familiaridade entre justificação e justiça.&amp;nbsp;As&amp;nbsp;coisas&amp;nbsp;sem justificação tornam&amp;nbsp;o mundo não apenas incompreensível mas injusto. Como se lhe&amp;nbsp;faltasse ordem&amp;nbsp;e&amp;nbsp;racionalidade.&amp;nbsp;Estarmos perante uma coisa que não conseguimos justificar&amp;nbsp;é&amp;nbsp;mais ou menos o que sente&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;pessoa a quem morreu um familiar cujo corpo nunca apareceu. Sabe que está morto mas não consegue fazer o&amp;nbsp;luto pois&amp;nbsp;não consegue justificar&amp;nbsp;que está morto, sendo isso um factor de perturbação que instala&amp;nbsp;uma desordem no mundo. Também&amp;nbsp;viver sem conseguir&amp;nbsp;justificar o que se&amp;nbsp;tem&amp;nbsp; pela frente conduz&amp;nbsp;a esse mesmo sentimento de vazio,&amp;nbsp;falta e&amp;nbsp;impotência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas&amp;nbsp;isto não deixa de ser um erro. Não temos de procurar a justiça num mundo que&amp;nbsp;não feito para ser justo. O mundo é o que é e não o que nós queríamos que ele fosse. Daí que, muitas vezes, mais do que pretendermos justificar as coisas, deveríamos&amp;nbsp;procurar&amp;nbsp;injustificá-las. &lt;br /&gt;Nós estamos&amp;nbsp;racionalmente&amp;nbsp;formatados para justificar mas deveríamos aprender também&amp;nbsp;a&amp;nbsp;injustificar. Seria um excelente exercício.&amp;nbsp;Uma pessoa A pede sempre à pessoa B: "Justifica lá isso". Mas também seria bom aprender a dizer "Injustifica-me lá&amp;nbsp;isso se fazes favor". E a pessoa B começar a&amp;nbsp;pensar&amp;nbsp;para ser capaz de&amp;nbsp;injustificar em vez de justificar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Procurar injustificar é procurar o absurdo. Mas por que carga de água devemos rejeitar o absurdo como importante categoria para compreendermos a realidade? Porquê presumir apenas a ordem e a racionalidade como categorias legítimas? Num mundo de acasos, num mundo de sorte e azar,&amp;nbsp;num mundo de átomos tresloucados, injustificar&amp;nbsp;será sempre&amp;nbsp;o exercício ideal para fazer o luto de um morto que nunca aparecerá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5633374769907535203?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5633374769907535203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5633374769907535203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/lotaria-com-u.html' title='LOTARIA COM U'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-G6pYqAJC08M/TsgGm5GF6XI/AAAAAAAAFA0/ylLu8dhsjeI/s72-c/last_year_at_marienbad.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8290658951233857816</id><published>2011-11-19T11:36:00.000Z</published><updated>2011-11-19T11:36:50.270Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>O RISO DE SILENO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KTA1IZi9lNQ/TseQ0rnKDsI/AAAAAAAAFAc/n4Ceg9Ezsss/s1600/Angel_of_the_Nativity%252C_by_Julia_Margaret_Cameron.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-KTA1IZi9lNQ/TseQ0rnKDsI/AAAAAAAAFAc/n4Ceg9Ezsss/s640/Angel_of_the_Nativity%252C_by_Julia_Margaret_Cameron.jpg" width="478" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Julia Margaret Cameron | Anjo da Natividade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enviaram-me um site onde, entre outras coisas assim engraçadas, é possível saber qual a canção que estava no topo das rádios em Inglaterra e nos EUA&amp;nbsp;no dia em que nascemos. Movido por uma curiosidade mórbida, não resisti e&amp;nbsp;lá&amp;nbsp;fui então ver&amp;nbsp;qual a canção que mais se ouvia no dia em que finalmente decidi sair e abrir os olhos para ver o mundo. A resposta não poderia ter sido mais sugestiva: &lt;em&gt;It's Now or Never&lt;/em&gt;, do Elvis Presley.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou mesmo obrigado a concluir que&amp;nbsp;o&amp;nbsp;que tem de ser tem mesmo muita força. Depois disto&amp;nbsp;nem&amp;nbsp;me atrevo a imaginar&amp;nbsp;o que&amp;nbsp; raio poderá estar no topo das rádios no dia em que eu morrer. Só pode ser qualquer coisa que dê vontade de dançar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8290658951233857816?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8290658951233857816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8290658951233857816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/o-riso-de-sileno.html' title='O RISO DE SILENO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KTA1IZi9lNQ/TseQ0rnKDsI/AAAAAAAAFAc/n4Ceg9Ezsss/s72-c/Angel_of_the_Nativity%252C_by_Julia_Margaret_Cameron.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-4396438022503639386</id><published>2011-11-18T19:20:00.001Z</published><updated>2011-11-19T14:20:48.893Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>FELIZ ANOVERSÁRIO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-D4JmtloqKyY/TsauNBTluCI/AAAAAAAAFAU/eyI8MI6Gtn0/s1600/front.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="454px" src="http://3.bp.blogspot.com/-D4JmtloqKyY/TsauNBTluCI/AAAAAAAAFAU/eyI8MI6Gtn0/s640/front.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Elliott Erwitt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos S&lt;em&gt;pleen &lt;/em&gt;de Baudelaire começa com chave de ouro: «J'ai plus de souvenirs que si j'avais mille ans».&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que razão ler isto no início de um poema&amp;nbsp;invoca naturalmente tristeza e não alegria? Por que razão nos inclinamos para pensar que abrir um poema, tendo a recordação como motivo, remete para&amp;nbsp;sentimentos de&amp;nbsp;melancolia ou atormentado devaneio? Uma pessoa pode ter uma vida cheia de recordações felizes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta está numa vida que parece ter mil anos. No peso dos mil anos. Uma vida de recordações felizes é uma vida que parece durar pouco. A felicidade faz a vida passar depressa. A tristeza, pelo contrário, torna a vida num longo calvário, num deserto sem princípio nem fim. Sei lá, como se nunca tivéssemos nascido mas sempre vivido. Como já tivéssemos nascido com um longo&amp;nbsp;passado agrilhoado&amp;nbsp;na alma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baudelaire gostaria bem&amp;nbsp;mais de ter escrito um&amp;nbsp;verso feliz&amp;nbsp;onde falasse&amp;nbsp;de&amp;nbsp;mil recordações&amp;nbsp;como se tivesse&amp;nbsp;vivido um só ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-4396438022503639386?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4396438022503639386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/4396438022503639386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/feliz-anoversario.html' title='FELIZ ANOVERSÁRIO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-D4JmtloqKyY/TsauNBTluCI/AAAAAAAAFAU/eyI8MI6Gtn0/s72-c/front.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5957099617720024730</id><published>2011-11-17T18:20:00.001Z</published><updated>2011-11-17T18:21:53.888Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>MUSEU SEM MUSAS [PARTE II]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HfBF9QgL4ZQ/TsTyq7YKD4I/AAAAAAAAFAM/pGAx8-w7pGc/s1600/091206_he_Basel-d6_0053-729833.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="480px" src="http://3.bp.blogspot.com/-HfBF9QgL4ZQ/TsTyq7YKD4I/AAAAAAAAFAM/pGAx8-w7pGc/s640/091206_he_Basel-d6_0053-729833.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;Thomas Struth&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Insisto: gosto&amp;nbsp;de ir a museus e não deixo de passar neles&amp;nbsp;sempre que é possível&amp;nbsp;e o interesse&amp;nbsp;se justifica.&amp;nbsp;Mas entro&amp;nbsp;no museu&amp;nbsp;com o mesmo espírito de quem passeia por um jardim&amp;nbsp;durante o intervalo&amp;nbsp;do almoço. Nunca entrei num museu com espírito de peregrino em busca de um local sagrado ou para alimentar qualquer relação idolátrica com um pintor ou quadro, nem nunca entrei com espírito de expedição científica com o objectivo de analisar os&amp;nbsp;quadros de carne e osso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com uma ou outra excepção, num museu,&amp;nbsp;nada descubro num quadro&amp;nbsp;que que não tivesse já descoberto antes nem sinto ou deixo de sentir&amp;nbsp;um prazer que já&amp;nbsp;sentisse ou deixasse de sentir antes.&amp;nbsp;Até porque não tenho a preocupação de conhecer o quadro real, não condicionado pela impressão no papel ou pelas difererentes versões digitais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu gosto muito do &lt;em&gt;Baloiço&lt;/em&gt;. Já&amp;nbsp;o vi, na net ou em livros, mais claro e mais escuro, mais esverdeado, azulado ou&amp;nbsp;acinzentado.&amp;nbsp;E com vários tons de verde ou de azul. Acontece que já fui propositadamente&amp;nbsp;ao local&amp;nbsp;onde&amp;nbsp;está para o ver e se me perguntarem hoje quais são as suas&amp;nbsp;verdadeiras cores e tonalidades, não sei responder. E não sei responder porque nem sequer as vi. Vi o quadro mas não reparei nas cores. Limitei-me a ver o quadro que já tinha visto sem encontrar nada que não tivesse já previamente visto. Pronto, gostei de o ver mas não ganhei nada em ver o quadro real.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora bem, sem querer ser exemplo para ninguém, isto tem que ver com a minha maneira de me relacionar com a pintura. Eu não sou propriamente um esteta, nem tenho paciência para apreciações técnicas. Sou demasiado preguiçoso para isso e, pior ainda, demasiado distraído e esquecido para memorizar pormenores técnicos. Eu já li várias vezes as diferenças técnicas&amp;nbsp;entre os pintores de&amp;nbsp;&amp;nbsp;Veneza e de&amp;nbsp;Florença. Li várias vezes mas continuo sem saber pois esqueço-me sempre. E esqueço-me pois não é essa a minha maneira de ver pintura embora reconheça o seu valor e importância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que vejo quando vejo&amp;nbsp;um quadro? O que procuro num quadro? Procuro fundamentalmente um sentido narrativo ou a expressão visual de uma ideia complexa. Gosto de procurar num quadro o que possa haver nele que me obrigue a pensar, a&amp;nbsp;reorganizar a minha subjectividade e a tornar mais aguda&amp;nbsp;a minha percepção do mundo. E gosto do lado aberto da obra. Não apenas do que lá está mas também do que é apenas sugerido ou do que pode lá ser posto por mim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se é&amp;nbsp;mais azulado ou esverdeado, é-me absolutamente indiferente. É claro que há pintores de&amp;nbsp;cujas cores gosto muito. Mas tanto as&amp;nbsp;aprecio na net ou num livro como em frente ao próprio quadro.&amp;nbsp;Se eu vejo as árvores de Fragonard mais escuras num livro, não vejo que seja um especial benefício vê-las depois mais claras no próprio museu. Eu não vou ao museu para&amp;nbsp;ver a cor das árvores. A bem dizer, eu não vou ao museu para ver nada de especial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou apenas dar um passeio que me pode saber tão bem como estar numa esplanada a conversar com alguém ou a ler o jornal. (continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5957099617720024730?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5957099617720024730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5957099617720024730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/museu-sem-musas-parte-ii.html' title='MUSEU SEM MUSAS [PARTE II]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HfBF9QgL4ZQ/TsTyq7YKD4I/AAAAAAAAFAM/pGAx8-w7pGc/s72-c/091206_he_Basel-d6_0053-729833.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1833979418713897148</id><published>2011-11-16T21:45:00.001Z</published><updated>2011-11-16T21:46:14.408Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>DUPLICAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0rbeg0Q0osY/TsQQSKwurwI/AAAAAAAAFAE/q1jvvU90NLs/s1600/gertude_kasebier_fotografa_americana_thumb%255B3%255D.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="640px" src="http://2.bp.blogspot.com/-0rbeg0Q0osY/TsQQSKwurwI/AAAAAAAAFAE/q1jvvU90NLs/s640/gertude_kasebier_fotografa_americana_thumb%255B3%255D.jpg" width="513px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Gertrude Käsebier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;«O pensamento é uma qualidade própria da alma, que a si mesma se duplica»&amp;nbsp; Heraclito (frg. 115 Diels-Kranz)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resta saber&amp;nbsp;o que&amp;nbsp;entende Heraclito por duplicação da alma. Se&amp;nbsp;for uma multiplicação,&amp;nbsp;refere-se&amp;nbsp;a&amp;nbsp;uma alma que&amp;nbsp;se&amp;nbsp;engrandece, que se expande. Mas temo que&amp;nbsp;duplicação também possa significar uma alma que se divide, saindo enfraquecida dessa divisão.&lt;br /&gt;Por isso, pelo sim, pelo não, por vezes&amp;nbsp;o melhor&amp;nbsp;será mesmo não pensar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1833979418713897148?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1833979418713897148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1833979418713897148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/gertrude-kasebier-o-pensamento-e-uma.html' title='DUPLICAÇÃO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0rbeg0Q0osY/TsQQSKwurwI/AAAAAAAAFAE/q1jvvU90NLs/s72-c/gertude_kasebier_fotografa_americana_thumb%255B3%255D.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3784561020634666377</id><published>2011-11-16T16:35:00.004Z</published><updated>2011-11-16T16:43:25.919Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>MUSEU SEM MUSAS [PARTE I]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PvlFVnlZefc/TsPaN-S_72I/AAAAAAAAE_c/xobHCx7p0bQ/s1600/struthbig.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="518px" src="http://2.bp.blogspot.com/-PvlFVnlZefc/TsPaN-S_72I/AAAAAAAAE_c/xobHCx7p0bQ/s640/struthbig.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TfdT1hFrW_k/TsPaGggTROI/AAAAAAAAE_U/efQwajbbeik/s1600/5472705620_9b00bf5784_b.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="482px" src="http://1.bp.blogspot.com/-TfdT1hFrW_k/TsPaGggTROI/AAAAAAAAE_U/efQwajbbeik/s640/5472705620_9b00bf5784_b.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-j4TqE4fuSyA/TsPaZN2WYNI/AAAAAAAAE_s/9qIMpi3n6os/s1600/tuchman7-8-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="458px" src="http://4.bp.blogspot.com/-j4TqE4fuSyA/TsPaZN2WYNI/AAAAAAAAE_s/9qIMpi3n6os/s640/tuchman7-8-1.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-FVde_MJ7IeM/TsPbQ-ABWbI/AAAAAAAAE_0/2SSTImAYy8M/s1600/opera216_museo_madre.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="456px" src="http://3.bp.blogspot.com/-FVde_MJ7IeM/TsPbQ-ABWbI/AAAAAAAAE_0/2SSTImAYy8M/s640/opera216_museo_madre.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Thomas Struth&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá ver o seguinte. Eu gosto de ir a museus ver pintura. Se&amp;nbsp;vou a um sítio e por lá&amp;nbsp;existe&amp;nbsp;um museu que valha a pena, faço questão de passar por lá. Nas duas vezes que estive em Amarante&amp;nbsp;fui ver&amp;nbsp;os quadros de Amadeo; passar por Viseu implica&amp;nbsp;passar pelo Grão Vasco; nunca fui ao Porto sem ir a Serralves e na última vez fui ao Soares dos Reis; ainda há pouco tempo estive em Lisboa e fui ver a (excelente)&amp;nbsp;exposição de naturezas-mortas na Gulbenkian; e&amp;nbsp;também não há muito tempo gostei&amp;nbsp;bastante de visitar o museu de Évora onde nunca tinha calhado ir.&lt;br /&gt;Tenho, contudo, uma relação estranha com museus. Não sei explicar bem.&amp;nbsp;Gosto de ir ao museu mas, depois, quando por lá ando, sinto sempre um certo desconforto no modo como vou vendo os quadros, como me coloco perante eles. Como disse, não sei explicar bem mas, ainda assim, vou tentar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu vou dizer será, para muitos,&amp;nbsp;uma tremenda barbaridade, uma aberração da pior espécie, um crime de lesa-pintura. Aqui vai: eu prefiro ver a reprodução de um quadro&amp;nbsp;num livro que vou folheando no meu sofá ou deitado na cama, ou até no monitor do computador,&amp;nbsp;do que ver o&amp;nbsp;próprio&amp;nbsp;quadro no&amp;nbsp;museu. Pronto,&amp;nbsp;tenho dito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu entro num museu e tenho dezenas, centenas ou milhares de quadros para ver em série. Como se estivessem numa linha de produção. Quadros&amp;nbsp;oriundos de&amp;nbsp;espaços e tempos completamente diferentes, motivações completamente diferentes, psicologias completamente diferentes, objectivos completamente diferentes. No entanto, entro no museu, e ainda que possam estar dispostos racionalmente, ei-los ali todos juntos como num armazém. &lt;br /&gt;Está a ver a última cena do &lt;em&gt;Citizen Kane&lt;/em&gt;, aquele armazém onde estão acumulados os milhares de objectos pertencentes ao magnata?&amp;nbsp;Pois&amp;nbsp;é assim que eu me sinto sempre que entro num museu. Por detrás daquela&amp;nbsp;intocável e insuspeita racionalidade e cientificidade museológica, vejo&amp;nbsp;um&amp;nbsp;mundo caótico feito de objectos distintos, heterogéneos, feitos de essências diferentes. Depois,&amp;nbsp;é andar para a frente: ora agora&amp;nbsp;vejo um, ora agora&amp;nbsp;vejo outro, vejamos o que vem a seguir e o que mais virá depois.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagino um&amp;nbsp; enorme salão&amp;nbsp;com&amp;nbsp;dezenas de&amp;nbsp;animais embalsamados&amp;nbsp;provenientes de &lt;em&gt;habitats&lt;/em&gt; completamente diferentes. Olho para a direita e vejo um urso polar, olho para a esquerda e vejo um crocodilo. Continuo a andar. Olho para a direita e vejo um tigre, olho para a esquerda e vejo uma catatua. E assim sucessivamente. Entretanto, olho para o espaço envolvente e o que vejo? Imaculadas paredes brancas condensando, num mesmo espaço&amp;nbsp;neutro e&amp;nbsp;asséptico,&amp;nbsp;animais sem vida e&amp;nbsp;sem qualquer ligação entre as suas naturezas. E eu, no espaço de um minuto, passo de A para B, de B para C, de C para D. Com os quadros passa-se exactamente a mesma coisa: entro numa sala e dou com vinte quadros. Entro noutra sala e venham mais vinte. Quadros que, na sua origem, nada têm que&amp;nbsp;ver entre si&amp;nbsp;mas que surgem ali juntos como se tivessem sido pintados para estarem ao lado uns dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois, há outro aspecto que me incomoda, relacionado com&amp;nbsp;a natureza institucional e formal do&amp;nbsp;museu. Pensemos no percurso do quadro desde o genésico&amp;nbsp;momento criador do artista na solidão do &lt;em&gt;atelier&lt;/em&gt; até à sua&amp;nbsp;colocação na asséptica parede do museu por funcionários de luvas brancas. A partir do momento em que o quadro é colocado nesta parede, parede que funciona como montra iluminada de uma loja de produtos luxuosos, sofre um processo de palaciana&amp;nbsp;institucionalização que anula a pureza original da sua "demoníaca" criação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual a relação entre&amp;nbsp;a génese do quadro na fáustica "obscuridade"&amp;nbsp;do&amp;nbsp;&lt;em&gt;atelier&lt;/em&gt; do pintor e a sua exibicionista e embalsamada&amp;nbsp;presença&amp;nbsp;nesse verdadeiro&amp;nbsp;zoo artístico que&amp;nbsp;é o&amp;nbsp;museu? Eu&amp;nbsp;Imagino Van Gogh a pintar um quadro. Mas imagino mesmo. Vejo as suas mãos, o seu rosto, as suas expressões. Consigo mesmo entrar na sua cabeça e assisitir aos turbilhões&amp;nbsp;mentais que a povoam.&amp;nbsp;Mas vejo&amp;nbsp;depois&amp;nbsp;esse quadro embalsamado no&amp;nbsp;museu com uma placazinha informativa ao lado, e não consigo ver ali o quadro que Van Gogh pintou numa manhã de Verão depois de tomar o pequeno-almoço. Pronto, não consigo. Não pode ser o mesmo quadro.&amp;nbsp;Eu sinto-me dentro do iluminado, asseado e asséptico museu a olhar para o quadro de Van Gogh&amp;nbsp;como me sinto numa repartição de finanças, num banco ou na sede da EDP. &lt;br /&gt;Depois, para agravar, há toda uma série de factores que me&amp;nbsp;incomodam:&amp;nbsp;toda aquela gente à minha volta, o tempo que tenho para lá estar, as pernas e os olhos&amp;nbsp;que começam&amp;nbsp;a doer depois de ver os primeiros 50 quadros. &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Daí gostar mais de ver a reprodução do quadro de Van&amp;nbsp;Gogh&amp;nbsp;no sossego da minha cama ou sofá. Silêncio.&amp;nbsp; Repouso. Só eu e o quadro. A minha consciência ao encontro da consciência do pintor, liberta de qualquer espaço e de qualquer tempo. Tenho&amp;nbsp;o quadro na minha mão como se fosse meu. O facto de ser um monumental quadro de Rubens miniaturizado nalguns cêntimetros de papel não me incomoda. Paradoxalmente, ainda o torma mais íntimo. Deixa de impressionar, é verdade, não me esmaga como no museu, mas sinto que o vejo melhor assim. Como se a sua miniaturização o tornasse maior. Acredite se quiser: eu já vi quadros enormes em museus, tendo acabado por vê-los melhor num livro ou no meu computador.&lt;/div&gt;Também é verdade que no livro não estou a ver&amp;nbsp;o quadro no local próprio&amp;nbsp;para onde foi projectado. Aquele quadro&amp;nbsp;foi feito para uma parede e não para ser reproduzido num livro.&amp;nbsp;Mas&amp;nbsp;o museu também não é o local para onde foi projectado, não é o seu habitat natural. Os pintores não pintam quadros para serem embalsamados em museus. Os pintores pintam porque gostam de pintar ou pintam porque encomendaram os quadros para uma sala, um escritório, uma&amp;nbsp;cozinha ou entrada de uma casa. E pelo menos no livro posso agarrá-lo com as mãos. No museu nem sequer me deixam encostar-lhe o nariz. [continua]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3784561020634666377?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3784561020634666377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3784561020634666377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/museu-sem-musas-parte-i.html' title='MUSEU SEM MUSAS [PARTE I]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-PvlFVnlZefc/TsPaN-S_72I/AAAAAAAAE_c/xobHCx7p0bQ/s72-c/struthbig.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1664807519064044051</id><published>2011-11-15T18:37:00.001Z</published><updated>2011-11-15T18:41:27.063Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>IN NULLA RES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gRxaeTp5ACw/Tr_7DBtItxI/AAAAAAAAE9I/BPWPjpumlMg/s1600/Duane_Michals_The_Annunciation_625_16_129_t614.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="464px" nda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-gRxaeTp5ACw/Tr_7DBtItxI/AAAAAAAAE9I/BPWPjpumlMg/s640/Duane_Michals_The_Annunciation_625_16_129_t614.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Duane Michals | A Anunciação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho sempre&amp;nbsp;um livro como leitura principal mas nunca deixo de ir&amp;nbsp;debicando outras coisas. Neste momento ando com o&amp;nbsp;&lt;em&gt;Teatro de Sabbath&lt;/em&gt;, do Philip Roth, mas passei a manhã de domingo&amp;nbsp;na cama a ler&amp;nbsp;textos gregos reunidos por Maria Helena da Rocha Pereira na &lt;em&gt;Hélade&lt;/em&gt;.&amp;nbsp;Textos de&amp;nbsp;autores conhecidos como Homero, Píndaro, Arquíloco ou Anaximandro e de outros menos conhecidos como Calino, Terpandro, Álcman ou Mimnermo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto,&amp;nbsp;não pude deixar de&amp;nbsp;comparar o início do romance de Roth com, por exemplo,&amp;nbsp;o início da&lt;em&gt; Ilíada&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;e&amp;nbsp;no flagrante&amp;nbsp;contraste&amp;nbsp;entre o antigo e o&amp;nbsp;contemporâneo. &lt;br /&gt;O primeiro começa assim: "Ou deixas de foder outras ou está tudo acabado", enquanto&amp;nbsp;a Ilíada, assim: "Canta-me, ó deusa, a cólera funesta de Aquiles,/ filho de Peleu, que causou aos Aqueus sofrimentos sem conta/ e precipitou no Hades muitas almas ilustres/ de heróis, fazendo deles mesmos a presa dos cães/ e de todas aves - cumpriam-se os desígnios de Zeus-/desde&amp;nbsp; o momento em que se separaram, discordando um do&amp;nbsp; outro,/ o Atrida, senhor dos homens, e o divino Aquiles."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-á dizer que se trata de uma&amp;nbsp;comparação abusiva ou&amp;nbsp;arbitrária&amp;nbsp;uma vez&amp;nbsp;que nem todos os textos&amp;nbsp;antigos e&amp;nbsp;contemporâneos começam assim. Muito bem. Porém, independentemente disso, o início de Roth jamais poderia ser um início antigo ou grego, do mesmo modo que o&amp;nbsp;início da &lt;em&gt;Ilíada&lt;/em&gt; não&amp;nbsp;faria&amp;nbsp;sentido&amp;nbsp;num texto moderno. Mas nós julgamos compreender um grego,&amp;nbsp;contrariamente ao que aconteceria com um grego em relação a nós se agora ressuscitasse e lesse o início do &lt;em&gt;Teatro de Sabbath&lt;/em&gt;, ainda que com um dicionário de inglês-grego antigo na mão. Também Dante não iria entender Herberto Hélder, Ariosto entender Joyce, nem&amp;nbsp;Shakespeare entender Beckett. E embora hoje qualquer pintor possa compreender Ticiano, de certeza que Ticiano não iria entender Chagall.&amp;nbsp;E&amp;nbsp;embora entendamos perfeitamente&amp;nbsp;a música de Bach, alguém acredita que Bach pudesse entender a música de Stockhausen?&amp;nbsp;Não admitimos a possibilidade de&amp;nbsp;eles nos entenderem mas assumimos claramente o conhecimento&amp;nbsp;deles,&amp;nbsp;tal como um adulto pensa conhecer as crianças, sabendo, porém, que as crianças não têm capacidade para entender os adultos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas será mesmo assim? Não haverá aqui uma ilusão em relação ao conhecimento do passado? Pensamos sempre que conhecemos o que veio antes.&amp;nbsp;Mas, do mesmo modo que, em&amp;nbsp;adultos, há sempre uma distância&amp;nbsp;entre o&amp;nbsp;que pensamos sobre o que pensávamos em crianças e o que efectivamente pensávamos, também na história haverá sempre uma distância entre o que pensamos que outros pensaram e o que&amp;nbsp;eles na verdade&amp;nbsp;pensaram.&lt;br /&gt;Não haverá sempre um fosso entre as consciências antigas e as consciências modernas? Aquela hermenêutica ambição de conhecer melhor&amp;nbsp;um autor passado do que ele se conheceu a si próprio, parece-me despropositada. Nós lemos Homero, ouvimos Bach e vemos Ticiano com os nossos esquemas mentais, não com os esquemas com que eles criaram. Podemos estudar o contexto cultural, social, económico, filosófico, religioso e mais sei lá o quê, mas haverá sempre uma relação fantasmagórica entre duas consciências. A poesia de Homero, a música de Bach e a pintura de Ticiano são, actualmente, criações nossas do século XXI. Nós adoptámo-los. E passaram a ser nossos contemporâneos. Os verdadeiros Homero, Bach e Ticiano ficaram irreversivelmente mortos e esquecidos num irrecuperável passado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1664807519064044051?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1664807519064044051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1664807519064044051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/in-nulla-res.html' title='IN NULLA RES'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gRxaeTp5ACw/Tr_7DBtItxI/AAAAAAAAE9I/BPWPjpumlMg/s72-c/Duane_Michals_The_Annunciation_625_16_129_t614.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7974237798898385447</id><published>2011-11-15T13:42:00.002Z</published><updated>2011-11-15T13:46:54.049Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escola'/><title type='text'>EUFEMISMO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WSpFqmwpqfU/TsJle_2n8aI/AAAAAAAAE_M/WQAQritwLjw/s1600/Doisneau2%2528blog%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" nda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-WSpFqmwpqfU/TsJle_2n8aI/AAAAAAAAE_M/WQAQritwLjw/s640/Doisneau2%2528blog%2529.jpg" width="591" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Robert Doisneau&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma daquelas turmas que estão para uma escola como os ratos estão para&amp;nbsp;um navio, leccionando-lhes uma disciplina que, dias antes da primeira aula, eu&amp;nbsp;nem sabia que existia. &lt;br /&gt;Ontem, decidi armar-me em intelectual e começar&amp;nbsp;a&amp;nbsp;falar&amp;nbsp;da facilidade&amp;nbsp;com que&amp;nbsp;actualmente&amp;nbsp;nos deslocamos para sítios distantes&amp;nbsp;graças à existência de rápidos meios de transporte. Um aluno, revelando ainda&amp;nbsp;alguns vestígios de vida inteligente,&amp;nbsp;afirmou que era possível dar a volta ao mundo em 80 dias dentro de um balão. Eu,&amp;nbsp;maravilhado com o que ouvia, perplexo com a descoberta de não&amp;nbsp;ser o único intelectual&amp;nbsp;no porão,&amp;nbsp;disse: "Ah, mas isso é um livro!". E ele: "Não é nada um livro, é um filme, um filme que já passou na televisão".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias vi um documentário sobre a &lt;em&gt;Nouvelle Vague&lt;/em&gt;, centrado nas relações entre Godard e Truffaut, no qual&amp;nbsp;é citado&amp;nbsp;Fritz Lang, um dos&amp;nbsp;heróis dos jovens realizadores franceses. Dizia o realizador&amp;nbsp;de &lt;em&gt;Almas Perversas&lt;/em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;que o cinema é uma arte feita especialmente para jovens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No momento em que ouvi isto, comecei a&amp;nbsp;pensar sobre a&amp;nbsp;diferença entre o cinema e a pintura ou a literatura e a recepção de cada uma delas&amp;nbsp;em função da idade das pessoas. Porém,&amp;nbsp;depois da conversa&amp;nbsp;com o meu aluno, fui obrigado&amp;nbsp;a alterar radicalmente o contexto e&amp;nbsp;sentido da frase. &lt;br /&gt;Julgo entender o que queria dizer&amp;nbsp;Fritz Lang. Mas,&amp;nbsp;neste momento, julgo entender também o&amp;nbsp;profundo&amp;nbsp;sentido eufemístico da frase. A juventude&amp;nbsp;não pode ser apenas vista como um estado etário. É também um estado mental, digamos assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7974237798898385447?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7974237798898385447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7974237798898385447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/eufemismo.html' title='EUFEMISMO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-WSpFqmwpqfU/TsJle_2n8aI/AAAAAAAAE_M/WQAQritwLjw/s72-c/Doisneau2%2528blog%2529.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3264615939798467849</id><published>2011-11-14T19:26:00.000Z</published><updated>2011-11-14T19:26:27.141Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>DEMOCRACIA POPULAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-56LGjBiqKeg/TsFpN9vuHkI/AAAAAAAAE_A/nxvVrC2u8U0/s1600/35398.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" nda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-56LGjBiqKeg/TsFpN9vuHkI/AAAAAAAAE_A/nxvVrC2u8U0/s640/35398.jpg" width="459px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anda muita gente incomodada com o facto de&amp;nbsp;estarem a cair&amp;nbsp;governos na Europa, não pela vontade dos eleitores expressa democraticamente nas urnas, mas por pressão dos mercados financeiros dominados por rostos invisíveis. Entendo a preocupação e sou sensível ao problema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso, porém, se não teria sido bom para a Europa que&amp;nbsp;os mercados financeiros, desagradados com a situação política da Alemanha nos anos 30, tivesse conseguido arredar Hitler do poder, apesar de&amp;nbsp;lá ter&amp;nbsp;chegado por vontade expressa&amp;nbsp;do povo alemão, tal como aconteceu, por exemplo, com o povo italiano em relação ao simpático&amp;nbsp;Berlusconi, com o povo de Oeiras em relação a Isaltino ou o povo de Felgueiras em relação a Felgueiras. A democracia é muito&amp;nbsp;linda mas&amp;nbsp;acontece também que dar a palavra ao povo resulta muitas vezes numa enorme chatice. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um mal não ilude outro mal nem um mau princípio faz esquecer um bom princípio. Resta apenas avaliar as consequências.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3264615939798467849?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3264615939798467849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3264615939798467849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/democracia-popular.html' title='DEMOCRACIA POPULAR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-56LGjBiqKeg/TsFpN9vuHkI/AAAAAAAAE_A/nxvVrC2u8U0/s72-c/35398.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7578217659725252308</id><published>2011-11-14T18:46:00.000Z</published><updated>2011-11-14T18:46:38.555Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>O OVO DA SERPENTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-c3Hg4c32i00/TsFc_UJuZAI/AAAAAAAAE-4/CYVxDNLKKlU/s1600/IB.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-c3Hg4c32i00/TsFc_UJuZAI/AAAAAAAAE-4/CYVxDNLKKlU/s1600/IB.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Franz Gall foi um médico alemão do&amp;nbsp;XIX para quem a cartografia do cérebro era tão exacta como um mapa da Europa com os seus países bem identificados.&amp;nbsp;Desenvolveu então&amp;nbsp;uma teoria segundo a qual através da&amp;nbsp;palpação das saliências da&amp;nbsp;cabeça&amp;nbsp;seria possível aferir o carácter e personalidade de uma pessoa. Do mesmo modo&amp;nbsp;que olhando para&amp;nbsp;o mapa da Europa podemos&amp;nbsp;localizar&amp;nbsp;os diferentes&amp;nbsp;países, também&amp;nbsp;apalpando a cabeça de uma pessoa&amp;nbsp;poderíamos dizer&amp;nbsp;se é corajosa, alegre ou&amp;nbsp;benevolente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até se conta&amp;nbsp;que, um dia, num evento social, lhe&amp;nbsp;pediram para avaliar o carácter de um homem através da palpação da sua cabeça. Concluiu então, depois de apalpar,&amp;nbsp;que seria uma pessoa com um péssimo carácter e&amp;nbsp;sobre a qual&amp;nbsp;disse coisas muito pouco abonatórias.&amp;nbsp;Soube de seguida&amp;nbsp;que se tratava de um general com um elevadíssimo estatuto social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois eu acho o seguinte.&amp;nbsp;Tivesse Franz Gall vivido no século XX e&amp;nbsp;nem precisava de apalpar&amp;nbsp;a cabeça de Ingmar Bergman para&amp;nbsp;conhecer os conteúdos mentais do realizador&amp;nbsp;no&amp;nbsp;momento em que esta fotografia foi tirada. Bastaria observá-la, como eu faço agora,&amp;nbsp;para&amp;nbsp;ter a certeza de&amp;nbsp;que foi no&amp;nbsp;preciso momento em que na&amp;nbsp;cabeça do génio sueco começaram a&amp;nbsp;surgir&amp;nbsp;as&amp;nbsp;ideias para o seu &lt;em&gt;Ovo da Serpente&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7578217659725252308?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7578217659725252308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7578217659725252308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/o-ovo-da-serpente.html' title='O OVO DA SERPENTE'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-c3Hg4c32i00/TsFc_UJuZAI/AAAAAAAAE-4/CYVxDNLKKlU/s72-c/IB.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-600718054680864822</id><published>2011-11-13T18:48:00.001Z</published><updated>2011-11-13T18:49:22.929Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>TERRA E ÁGUA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-m6vNmEIwlB4/TsAPXpzpNHI/AAAAAAAAE9Y/NYUTYR53Whw/s1600/Rustle+of+a+grass..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="454px" nda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-m6vNmEIwlB4/TsAPXpzpNHI/AAAAAAAAE9Y/NYUTYR53Whw/s640/Rustle+of+a+grass..jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eugeny Kozhevnikov&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Terra e água é tudo aquilo que existe e cresce&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;" &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Xenófanes (frg. 29 Diels-Kranz)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Razão tinha Heidegger quando se referia aos gregos.&amp;nbsp;Gosto desta simplicidade tão primordial e cosmogónica. Sem desvios, excessos ou&amp;nbsp;gorduras conceptuais.&amp;nbsp;Chega a comover&amp;nbsp;este modo&amp;nbsp;tão grego como Xenófanes&amp;nbsp;explica a&amp;nbsp;facilidade com&amp;nbsp;que todas&amp;nbsp;as coisas se moldam mas também a&amp;nbsp;facilidade com&amp;nbsp;que todas as coisas&amp;nbsp;se desfazem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-600718054680864822?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/600718054680864822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/600718054680864822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/terra-e-agua.html' title='TERRA E ÁGUA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-m6vNmEIwlB4/TsAPXpzpNHI/AAAAAAAAE9Y/NYUTYR53Whw/s72-c/Rustle+of+a+grass..jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2651665314649620945</id><published>2011-11-13T14:33:00.001Z</published><updated>2011-11-13T15:52:42.403Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>UNIÃO EUROPEIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-mjmQbqarLEw/Tr_ScXVIj-I/AAAAAAAAE9A/wZ7URcWu6mc/s1600/Dick_Sanders1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" nda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-mjmQbqarLEw/Tr_ScXVIj-I/AAAAAAAAE9A/wZ7URcWu6mc/s640/Dick_Sanders1.jpg" width="496px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dick Sanders&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há qualquer coisa de estranho nesta mulher. Uma mistura de decadência e de sedução, como se a sedução pudesse ser decadente e a decadência pudesse ser sedutora.&amp;nbsp;É fácil&amp;nbsp;imaginá-la ainda antes de sair de casa&amp;nbsp;em frente a um espelho para pintar os olhos. Ou a calçar os seus saltos altos que aqui não se vêem. Também&amp;nbsp;o&amp;nbsp;vestido aberto nos&amp;nbsp;impede de esquecer um outrora ubérrimo&amp;nbsp;peito no qual se deleitaram miúdos e graúdos. Há, no seu rosto, uma ainda resistente beleza que teima em não querer desaparecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, depois, tudo nesta mulher é queda, perdição, desorientação, choque entre uma vaidade passada e&amp;nbsp;uma escuridão futura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas vezes, na história, o poder caiu na rua? Pois é na rua que esta mulher já deve estar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2651665314649620945?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2651665314649620945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2651665314649620945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/uniao-europeia.html' title='UNIÃO EUROPEIA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mjmQbqarLEw/Tr_ScXVIj-I/AAAAAAAAE9A/wZ7URcWu6mc/s72-c/Dick_Sanders1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8462115645967946121</id><published>2011-11-13T08:35:00.003Z</published><updated>2011-11-13T20:58:55.943Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>DURA CELA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--VkmbVWB4K4/Tr2nQ9_lt9I/AAAAAAAAE8o/FzYGeR0Zuvw/s1600/Morning_by_Clarence_White-1908.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" nda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/--VkmbVWB4K4/Tr2nQ9_lt9I/AAAAAAAAE8o/FzYGeR0Zuvw/s640/Morning_by_Clarence_White-1908.jpg" width="489px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Clarence White |&amp;nbsp;Manhã&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;«Julgamos que os anjos não são as únicas criaturas racionais e intelectuais que devem ser tidas por felizes. Quem é que, de facto, ousaria negar que os primeiros homens no paraíso tenham sido felizes antes do pecado embora estivessem incertos da duração da sua felicidade ou da sua eternidade?» Santo Agostinho, &lt;em&gt;A Cidade de Deus&lt;/em&gt;, vol. II, Livro XI, cap. XII, pag. 1017, Fundação Calouste Gulbenkian&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volto a S. Agostinho, uma das&amp;nbsp;minhas velhas paixões, apesar de se enganar bastante. Ou talvez, quem sabe, precisamente por se enganar bastante.&lt;br /&gt;S. Agostinho&amp;nbsp;entende bem&amp;nbsp;melhor a psicologia&amp;nbsp;dos anjos&amp;nbsp;do que a psicologia humana. O que até se entende, sendo os anjos, por&amp;nbsp;definição, criaturas bem mais&amp;nbsp;simples do que os seres humanos.&amp;nbsp;Isso explicará o facto de S. Agostinho&amp;nbsp;não entender que,&amp;nbsp;para um ser humano, a incerteza sobre a duração da felicidade&amp;nbsp;nada tem que ver&amp;nbsp;com a possibilidade de ser feliz. É&amp;nbsp;precisamente o contrário.&amp;nbsp;A&amp;nbsp;certeza&amp;nbsp;sobre&amp;nbsp;o tempo que dura&amp;nbsp;é&amp;nbsp;que&amp;nbsp;é condição necessária para se ser feliz.&amp;nbsp;Saber que depois da manhã vem sempre&amp;nbsp;a tarde,&amp;nbsp;que antecede sempre a noite escura&amp;nbsp;que&amp;nbsp;vem para nos abraçar e&amp;nbsp;na qual depois&amp;nbsp;ficamos presos como numa cela&amp;nbsp;sem janelas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8462115645967946121?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8462115645967946121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8462115645967946121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/dura-cela.html' title='DURA CELA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--VkmbVWB4K4/Tr2nQ9_lt9I/AAAAAAAAE8o/FzYGeR0Zuvw/s72-c/Morning_by_Clarence_White-1908.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5431380281243027419</id><published>2011-11-12T22:12:00.000Z</published><updated>2011-11-12T22:12:16.142Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>POST HOC ERGO PROPTER HOC [Apontamento para as minhas turmas de 11ºano]</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZJpSIZwCXI4/Tr2UhvSVo3I/AAAAAAAAE7w/RS3AlRh9ZIs/s1600/venom.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="502px" nda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZJpSIZwCXI4/Tr2UhvSVo3I/AAAAAAAAE7w/RS3AlRh9ZIs/s640/venom.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-14Vmpyr4Qp0/Tr2ZhhGpbTI/AAAAAAAAE8Y/DDSLYGkgwLg/s1600/Nastasja_Kinski_%252811%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="446px" nda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-14Vmpyr4Qp0/Tr2ZhhGpbTI/AAAAAAAAE8Y/DDSLYGkgwLg/s640/Nastasja_Kinski_%252811%2529.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5431380281243027419?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5431380281243027419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5431380281243027419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/post-hoc-ergo-propter-hoc-apontamento.html' title='POST HOC ERGO PROPTER HOC [Apontamento para as minhas turmas de 11ºano]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ZJpSIZwCXI4/Tr2UhvSVo3I/AAAAAAAAE7w/RS3AlRh9ZIs/s72-c/venom.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-793096643159947071</id><published>2011-11-12T21:14:00.000Z</published><updated>2011-11-12T21:14:01.614Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>ESTÁDIO DAS OPERAÇÕES FORMAIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-m4OVR9LiZ58/Tr5vA8VZJZI/AAAAAAAAE84/BsDuiUkeKLM/s1600/Anouk+Aim%25C3%25A9e+%2526+Jean-Louis+Trintignant+in+Un+homme+et+une+femme.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-m4OVR9LiZ58/Tr5vA8VZJZI/AAAAAAAAE84/BsDuiUkeKLM/s1600/Anouk+Aim%25C3%25A9e+%2526+Jean-Louis+Trintignant+in+Un+homme+et+une+femme.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Claude Lelouch | Un Homme et une Femme [fotograma]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu tinha vinte anos e passava horas a ler Santo Agostinho, bem tentava entender a complexidade ontológica da Trindade mas não conseguia. Ou melhor, entendia as figuras do Pai e do Filho, mas o inefável Espírito Santo ficava sempre para lá da minha limitada compreensão. Engraçado como, com a idade, tudo mudou. Hoje, dos três, só consigo mesmo entender o Espírito Santo, relegando o Pai e o Filho para sincréticos e pueris exercícios pré-operatórios. Entendo-o tão bem, que tanto consigo imaginá-lo a pairar suavemente sobre a tépida, calma e dourada água de um rio que flui primaveril, como bem submerso nas densas e salgadas águas do Mar Morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-793096643159947071?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/793096643159947071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/793096643159947071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/estadio-das-operacoes-formais.html' title='ESTÁDIO DAS OPERAÇÕES FORMAIS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-m4OVR9LiZ58/Tr5vA8VZJZI/AAAAAAAAE84/BsDuiUkeKLM/s72-c/Anouk+Aim%25C3%25A9e+%2526+Jean-Louis+Trintignant+in+Un+homme+et+une+femme.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-9119022963875689682</id><published>2011-11-11T11:48:00.000Z</published><updated>2011-11-11T11:48:03.006Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>MARE NOSTRUM</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NuDQXoIPHOw/Tr0J5Rq2-XI/AAAAAAAAE7Y/vg5jkswVHCQ/s1600/0804010.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="478px" nda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-NuDQXoIPHOw/Tr0J5Rq2-XI/AAAAAAAAE7Y/vg5jkswVHCQ/s640/0804010.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;André Kertész&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizia Cesare Pavese que não se deve voltar a um sítio onde se foi feliz?&amp;nbsp;Mas isto&amp;nbsp;há-de ser&amp;nbsp;uma maravilha e um enorme alento&amp;nbsp;para as&amp;nbsp;pessoas infelizes.&amp;nbsp;Como deve ser bom&amp;nbsp;saber que se&amp;nbsp;pode ir à vontade para qualquer lado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-9119022963875689682?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/9119022963875689682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/9119022963875689682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/mare-nostrum.html' title='MARE NOSTRUM'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NuDQXoIPHOw/Tr0J5Rq2-XI/AAAAAAAAE7Y/vg5jkswVHCQ/s72-c/0804010.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2144881534057912128</id><published>2011-11-11T09:23:00.003Z</published><updated>2011-11-11T12:07:55.205Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>IVAN ILITCH REVISITADO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8_c0S37HbUw/TrzhsalklII/AAAAAAAAE7A/K-yUK-sPKLs/s1600/30lgbyw.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="509px" nda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-8_c0S37HbUw/TrzhsalklII/AAAAAAAAE7A/K-yUK-sPKLs/s640/30lgbyw.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde miúdo que sinto um enorme fascínio pelos obituários dos jornais. Ainda hoje, juntamente com as classificações do futebol, seja dos distritais de Vila Real ou de Beja, seja da série A ou D&amp;nbsp;da 3ªdivisão, é do que gosto mais de ler num jornal﻿. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta semana, no &lt;em&gt;Jornal Torrejano&lt;/em&gt;, há quatro famílias a anunciar a morte dos seus entes queridos, com as respectivas fotografias e datas de nascimento e de morte.&amp;nbsp;Depois de ver o modo como se&amp;nbsp;despedem publicamente&amp;nbsp;dos seus&amp;nbsp;entes queridos,&amp;nbsp;que&amp;nbsp;passo a transcrever,&amp;nbsp;só terei que dar razão a Alberto Caeiro&amp;nbsp;quando dizia que na sua biografia só&amp;nbsp;existem duas&amp;nbsp;datas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Morto 1﻿&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A família participa o falecimento do seu ente querido e agradece reconhecidamente a todas as pessoas que o acompanharam à ultima morada ou que de outra forma demonstraram o seu pesar. Bem hajam. Que a sua alma descanse em paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Morto 2&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A família participa o falecimento do seu ente querido e agradece reconhecidamente a todas as pessoas que o acompanharam à ultima morada ou que de outra forma demonstraram o seu pesar. Bem hajam. Que a sua alma descanse em paz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Morto 3&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A família participa o falecimento do seu ente querido e agradece reconhecidamente a todas as pessoas que o acompanharam à ultima morada ou que de outra forma demonstraram o seu pesar. Bem hajam. Que a sua alma descanse em paz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Morto 4&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;span style="font-size: small;"&gt;A família participa o falecimento do seu ente querido e agradece reconhecidamente a todas as pessoas que o acompanharam à ultima morada ou que de outra forma demonstraram o seu pesar. Bem hajam. Que a sua alma descanse em paz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2144881534057912128?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2144881534057912128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2144881534057912128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/ivan-ilitch-revisitado.html' title='IVAN ILITCH REVISITADO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8_c0S37HbUw/TrzhsalklII/AAAAAAAAE7A/K-yUK-sPKLs/s72-c/30lgbyw.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1628523454998330473</id><published>2011-11-10T19:17:00.001Z</published><updated>2011-11-11T12:06:32.662Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>STILL ONE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3of-s5poOlo/Tru7Czhm9WI/AAAAAAAAE64/VBWepAVehcU/s1600/K07283B015110.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="470px" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-3of-s5poOlo/Tru7Czhm9WI/AAAAAAAAE64/VBWepAVehcU/s640/K07283B015110.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Heinrich Kühn&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anteontem, enquanto almoçava&amp;nbsp;no bar da minha escola, calhou falar-se de&amp;nbsp;fruta. De fruto em fruto chegámos às romãs, tendo eu dito o quanto&amp;nbsp;gostava delas. Uma colega, contando&amp;nbsp;então&amp;nbsp;que tinha romãzeiras na sua propriedade, prometeu que me traria uma romã no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim foi, ontem&amp;nbsp;lá veio a romã parar às minhas mãos. Grande, robusta, orgulhosa das suas belas e elegantes&amp;nbsp;cores outonais. Uma sumptuosa romã trazida num elegante&amp;nbsp;saquinho&amp;nbsp;em cujo interior&amp;nbsp;poderia&amp;nbsp;estar igualmente&amp;nbsp;um perfume ou um livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já em casa preparo então a romã.&amp;nbsp;&amp;nbsp;A minha única romã.&amp;nbsp;O facto de ter sido uma romã e não várias romãs alterou completamente a minha relação com ela. Possuir uma romã não é o mesmo que possuir duas romãs, e muito menos ainda o mesmo&amp;nbsp;que possuir dez romãs. Ser única torna-a especial, valoriza-a, enriquece-a, sendo o impacto de a preparar e comer muito maior do que o impacto de preparar e comer uma romã&amp;nbsp;entre outras romãs que se vão sucedendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto fez-me pensar no que disse um pouco mais abaixo relativamente às peças de Prokofiev para piano que ando a ouvir. Ouvir uma sonata isoladamente aumenta muito mais a nossa percepção dela e&amp;nbsp;a compreensão&amp;nbsp;da sua especificidade, o seu valor,&amp;nbsp; a sua riqueza. Ora,&amp;nbsp;com os frutos passa-me exactamente o mesmo. &lt;br /&gt;Eu sei que&amp;nbsp;tal coisa&amp;nbsp;é impraticável, mas o ideal, quando vamos às compras, seria trazer apenas uma maçã, uma pêra, uma banana, um kiwi. Estar na cozinha, olhar para a fruteira&amp;nbsp; e ver apenas um fruto de cada espécie alteraria certamente o seu valor e a nossa relação com elas. A nossa relação com os frutos devia ser absolutamente monogâmica, dedicarmo-nos apenas a uma maçã como se não existissem outras maçãs. Ir ao supermercado e comprar um quilo de maçãs é transformar as maçãs numa abstracção, numa fria&amp;nbsp;massa aritmética&amp;nbsp; sem cor, cheiro ou sabor ainda que tenham cor, cheiro ou sabor. Mesmo depois, quando as comemos, cada maçã não passa apenas de uma maçã entre outras maçãs. Ora se fôssemos ao supermercado&amp;nbsp;para trazer apenas uma maçã significaria trazer "a minha maçã".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhar, portanto, para uma fruteira e ver a minha maçã, a minha pêra, o meu kiwi, a minha romã, o meu cacho de uvas, a minha&amp;nbsp;meia dúzia de cerejas,&amp;nbsp;permitiria transformar uma simples natureza morta numa natureza vívida,&amp;nbsp;feita de frutos com uma identidade morfológica, exclusivos, frutos que&amp;nbsp;esperam avidamente&amp;nbsp;por mim e que estão ali individualmente por minha causa. &lt;br /&gt;Não é por acaso que deixo mais facilmente&amp;nbsp;apodrecer a&amp;nbsp;fruta quando tenho muita do que quando tenho apenas uma peça. Olhar para a fruteira e ver muita fruta faz-me muitas vezes&amp;nbsp;esquecer dela. Como se pudesse&amp;nbsp;esperar.&amp;nbsp;Se, pelo contrário, olhar e vir apenas uma pêra ou uma maçã, a tentação de a comer é muito maior. É quase como se sentíssemos compaixão pela sua solidão e a comêssemos para a salvar. Olho para aquela maçã e&amp;nbsp; penso que só existe aquela maçã e a consciência disso reforça a minha relação com ela.&lt;br /&gt;Tudo na vida deveria ser único. Teria certamente outro sabor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1628523454998330473?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1628523454998330473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1628523454998330473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/still-one.html' title='STILL ONE'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3of-s5poOlo/Tru7Czhm9WI/AAAAAAAAE64/VBWepAVehcU/s72-c/K07283B015110.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3448119128620904649</id><published>2011-11-09T17:37:00.001Z</published><updated>2011-11-09T17:38:13.329Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>FORMAS PURAS DE INTUIÇÃO SENSÍVEL</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dfmXdYaf9bk/TrqbJ61bywI/AAAAAAAAE6w/evJbb9gRISc/s1600/Jaime+Monfort4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-dfmXdYaf9bk/TrqbJ61bywI/AAAAAAAAE6w/evJbb9gRISc/s640/Jaime+Monfort4.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Jaime Monfort&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A poética do espaço é feita de casas,&amp;nbsp;corredores,&amp;nbsp;armários, secretárias, gavetas, cofres, armários, miniaturas, sótãos e caves. A poética do tempo, também.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3448119128620904649?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3448119128620904649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3448119128620904649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/formas-puras-de-intuicao-sensivel.html' title='FORMAS PURAS DE INTUIÇÃO SENSÍVEL'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-dfmXdYaf9bk/TrqbJ61bywI/AAAAAAAAE6w/evJbb9gRISc/s72-c/Jaime+Monfort4.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3374854523228478600</id><published>2011-11-09T09:02:00.000Z</published><updated>2011-11-09T09:02:04.539Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>ADAGIO EM MAL MAIOR</title><content type='html'>&amp;nbsp;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9R-w3FCYtPk/TrpAUjNU59I/AAAAAAAAE6o/xkV1Qfn5A5k/s1600/magritte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="520" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-9R-w3FCYtPk/TrpAUjNU59I/AAAAAAAAE6o/xkV1Qfn5A5k/s640/magritte.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Magritte por Duane Michals&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem acordei muito antes da hora. Para ajudar a passar o tempo até me levantar, decidi levar o meu ego à revisão. Qual versão laica de um escuteiro, o objectivo seria poder tornar-me um ser humano melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, a partir do momento em que começo a perceber que as minhas maiores qualidades são os meus maiores defeitos e que os meus maiores defeitos são as minhas maiores qualidades, ter de&amp;nbsp;sair da cama&amp;nbsp;para entrar na escola às 8.30 e sair de lá ao fim da tarde, será sempre considerado um mal menor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3374854523228478600?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3374854523228478600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3374854523228478600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/adagio-em-mal-maior.html' title='ADAGIO EM MAL MAIOR'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9R-w3FCYtPk/TrpAUjNU59I/AAAAAAAAE6o/xkV1Qfn5A5k/s72-c/magritte.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3164703208418593144</id><published>2011-11-08T15:54:00.001Z</published><updated>2011-11-08T17:01:48.081Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>POST POLITICAMENTE INCORRECTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tLTXNap_ZfI/Trk_MWhgRrI/AAAAAAAAE6g/xkzVB58oO20/s1600/DMI_org_012-email_org+modified.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="503px" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-tLTXNap_ZfI/Trk_MWhgRrI/AAAAAAAAE6g/xkzVB58oO20/s640/DMI_org_012-email_org+modified.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Estou a corrigir testes. Uma aluna escreve "correto" e eu, terrível, de esferográfica vermelha na mão como um inquisidor espanhol com a sua língua de fogo, ataco&amp;nbsp;de imediato&amp;nbsp;a palavra com uma&amp;nbsp;implacável sublinhadela. De repente, penso: "Ups!" &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de que, graças ao acordo ortográfico, a aluna escreveu correctamente "correto". Acontece que conheço bem a aluna, e sei que ela a&amp;nbsp;escreveu correctamente, precisamente porque nunca soube escrevê-la correctamente, e não porque fez questão de a&amp;nbsp;escrever correctamente graças ao acordo ortográfico. Há um ano, ela teria escrito a palavra exactamente da mesma maneira e eu, nesse caso, poderia&amp;nbsp;lançar toda a&amp;nbsp;minha fúria correctora. Eu é que por saber escrever correctamente&amp;nbsp;a palavra "correcto" sublinhei incorrectamente&amp;nbsp;a vermelho&amp;nbsp;o agora&amp;nbsp;correcto "correto" da aluna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Graças ao acordo, como que por milagre, quem não sabia escrever passou a saber escrever, quem sabia escrever passou a deixar de saber. Ou seja, quem agora&amp;nbsp;sabe, sabe, porque não sabia, quem agora&amp;nbsp;não sabe, não sabe, porque sabia. Sabe-se por não saber, não se sabe por se saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para além disto ser muito engraçado é também muito interessante. Mostra como, politicamente,&amp;nbsp;através de um meticuloso e laboratorial trabalho de engenharia linguística, se&amp;nbsp;pode&amp;nbsp;alterar completamente o sentido da realidade, mostra&amp;nbsp;como se pode&amp;nbsp;passar da ignorância da&amp;nbsp;caverna para a luz da sabedoria sem os próprios ignorantes&amp;nbsp;terem sequer consciência disso. &lt;br /&gt;Mais engraçado ainda é aplicar esta situação a muitos outros fenómenos históricos&amp;nbsp;nos quais o&amp;nbsp;poder dos mais fracos&amp;nbsp;anula o poder dos mais fortes, tornando-se eles mesmo os fortes. Mas isso já será para outra conversa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3164703208418593144?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3164703208418593144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3164703208418593144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/post-politicamente-incorrecto.html' title='POST POLITICAMENTE INCORRECTO'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-tLTXNap_ZfI/Trk_MWhgRrI/AAAAAAAAE6g/xkzVB58oO20/s72-c/DMI_org_012-email_org+modified.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-8440488294660357015</id><published>2011-11-07T21:24:00.001Z</published><updated>2011-11-07T21:32:44.850Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>SILÊNCIO, QUE SE ACABOU DE OUVIR A MÚSICA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YI_f1NN7oYA/Trg2Gog_vcI/AAAAAAAAE6Q/icY4b7jrEDs/s1600/prokofiev_ivblqe.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="484px" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-YI_f1NN7oYA/Trg2Gog_vcI/AAAAAAAAE6Q/icY4b7jrEDs/s640/prokofiev_ivblqe.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ando há vários dias a ouvir um&amp;nbsp;cd com&amp;nbsp;peças de Prokofiev para piano, correspondentes a 10 faixas. É composto por três&amp;nbsp;sonatas,&amp;nbsp;um&amp;nbsp;estudo e uma tocata.&amp;nbsp;Como é hábito, meto-o a tocar a oiço tudo de seguida até ao fim. &lt;br /&gt;Por que razão o&amp;nbsp;oiço assim desta maneira? Simples: porque foi assim que alguém o produziu.&amp;nbsp;Um produtor decide juntar&amp;nbsp;num cd várias composições que, depois de comprado, irei ouvir do princípio ao fim. Mas&amp;nbsp;será esta a melhor maneira de ouvir música?&amp;nbsp;Já tenho feito esta pergunta a mim mesmo com outros&amp;nbsp;cd's (por exemplo, a integral das&amp;nbsp;sonatas de Beethoven, que tenho numa caixa com&amp;nbsp;oito&amp;nbsp;cd's), perguntas essas&amp;nbsp;cuja legitimidade&amp;nbsp;irei tentar justificar.&lt;br /&gt;O compositor senta-se ao piano para compor uma sonata. Quando a compõe, só aquela sonata existe, não há passado nem futuro. Uma&amp;nbsp;sonata&amp;nbsp;com autonomia relativamente ao resto da sua&amp;nbsp;obra, tendo a sua própria respiração e&amp;nbsp;atmosfera. Duas&amp;nbsp;sonatas&amp;nbsp;são como dois filmes ou dois romances, havendo entre elas uma descontinuidade, uma&amp;nbsp;distância temporal e psicológica. Ambas dependem da mesma pulsão criadora do compositor mas&amp;nbsp;a&amp;nbsp;composição&amp;nbsp;de&amp;nbsp;uma sonata enquanto&amp;nbsp;projecção estética de um processo&amp;nbsp;mental complexo é completamente diferente da&amp;nbsp;composição de outra sonata. Muitas vezes compostas com&amp;nbsp;anos de distância e reflectindo fases&amp;nbsp;bastante diferentes na vida do compositor. &lt;br /&gt;No entanto, nós colocamos o cd e ouvimos em cascata&amp;nbsp;uma sequência de composições como se fizessem&amp;nbsp; parte de uma sequência. Ora, ouvindo o disco de seguida, estamos a concentrar numa unidade temporal várias composições sem ligação, sem continuidade. Significa isto que o tempo da audição não tem qualquer relação com o tempo da criação, sendo, por isso, uma audição artificial.&lt;br /&gt;Não devemos confundir&amp;nbsp;a sequência de diferentes sonatas com a sequência dos diferentes andamentos de uma sonata. Estes andamentos, momentos distintos de uma mesma composição, formam, sim,&amp;nbsp;uma unidade formal, um todo coerente que pede uma audição imediata e una. Ou seja,&amp;nbsp;uma unidade e continuidade&amp;nbsp;na audição que neste caso coincide&amp;nbsp;com a unidade e continuidade&amp;nbsp;da composição.&amp;nbsp;Uma unidade que já&amp;nbsp;não existe quando ouvimos&amp;nbsp;continuamente no mesmo disco duas, três, quatro sonatas distintas.&lt;br /&gt;Como deveríamos então ouvir música? Esta&amp;nbsp;pergunta&amp;nbsp;tem dois pressupostos: por um lado como deveríamos ouvir música de maneira a tirarmos verdadeiramente partido dela. Por outro lado, como&amp;nbsp;deveríamos ouvir música de&amp;nbsp;modo a respeitar o trabalho criador do compositor. Eis então a resposta:&amp;nbsp;ouvindo&amp;nbsp;apenas uma composição de cada vez. Por exemplo, meter o disco no leitor, ouvir a sonata nº3 e parar. Mas parar mesmo. Ou então ouvir de novo. Depois, muito mais tarde, com a cabeça limpa da nº3, ouvir então a nº4.&lt;br /&gt;Ouvir a sonata nº3 e logo depois ouvir a sonata nº4, para&amp;nbsp;logo de seguida ouvir a sonata nº5,&amp;nbsp;&amp;nbsp;é como numa refeição ter três copos&amp;nbsp;com três&amp;nbsp;vinhos diferentes, bebendo o segundo depois de acabar de beber o primeiro, bebendo o terceiro depois de acabar de beber o segundo. Pode-se beber assim, é verdade,&amp;nbsp;do mesmo modo que se pode ouvir música assim.&amp;nbsp;Mas não é a mesma coisa.&lt;br /&gt;A música é feita de&amp;nbsp;sons e&amp;nbsp;silêncios. Não apenas na estrutura da própria música&amp;nbsp;mas também no fim de cada música que foi composta. E&amp;nbsp;o silêncio que emerge no fim de cada&amp;nbsp;música no momento da sua&amp;nbsp;criação&amp;nbsp;deverá&amp;nbsp; ser igualmente&amp;nbsp;respeitado no fim de cada audição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-8440488294660357015?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8440488294660357015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/8440488294660357015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/silencio-que-se-acabou-de-se-ouvir.html' title='SILÊNCIO, QUE SE ACABOU DE OUVIR A MÚSICA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-YI_f1NN7oYA/Trg2Gog_vcI/AAAAAAAAE6Q/icY4b7jrEDs/s72-c/prokofiev_ivblqe.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-978741328115221416</id><published>2011-11-06T19:03:00.000Z</published><updated>2011-11-06T19:03:24.027Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><title type='text'>CLINAMEN</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-psS-3a0-IB4/TrbZCpduQsI/AAAAAAAAE6A/y2AZLZv2TPE/s1600/scat3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-psS-3a0-IB4/TrbZCpduQsI/AAAAAAAAE6A/y2AZLZv2TPE/s1600/scat3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Duane Michals&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogam Braga e Benfica. O&amp;nbsp;guarda-redes que defende a baliza&amp;nbsp;do Braga foi até há pouco tempo guarda-redes do Benfica. O&amp;nbsp;&amp;nbsp;guarda-redes que&amp;nbsp;defende a baliza&amp;nbsp;do Benfica&amp;nbsp;foi até há pouco tempo guarda-redes do Braga.&amp;nbsp;A escritora Jennifer&amp;nbsp; Egan era bem capaz de ter razão quando, no &lt;em&gt;Guardian&lt;/em&gt; de ontem, lhe perguntavam qual a foi a maior lição que a vida lhe ensinou e respondeu: "Very soon, everything will be different". É, sem dúvida, uma grande lição e que convém nunca esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-978741328115221416?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/978741328115221416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=978741328115221416' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/978741328115221416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/978741328115221416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/clinamen.html' title='CLINAMEN'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-psS-3a0-IB4/TrbZCpduQsI/AAAAAAAAE6A/y2AZLZv2TPE/s72-c/scat3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-6856392340471933264</id><published>2011-11-06T17:12:00.000Z</published><updated>2011-11-06T17:12:49.188Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>ENTRETANTO, NO INTERIOR DA CAVERNA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-oPVRGeSOoEQ/Tra_abN9lGI/AAAAAAAAE54/hvg1fM4u-Ho/s1600/Jaime+Monfort2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-oPVRGeSOoEQ/Tra_abN9lGI/AAAAAAAAE54/hvg1fM4u-Ho/s1600/Jaime+Monfort2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Jaime Monfort&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Admiring friend&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"My, that's a beautiful baby you have there!"﻿&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mother&lt;/div&gt;"Oh, that's nothing - you should see his photograph!"﻿&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; in Daniel Boorstin, &lt;em&gt;The Image - A Guide to Pseudo-Events in America&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-6856392340471933264?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/6856392340471933264/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=6856392340471933264' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6856392340471933264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/6856392340471933264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/entretanto-no-interior-da-caverna_06.html' title='ENTRETANTO, NO INTERIOR DA CAVERNA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-oPVRGeSOoEQ/Tra_abN9lGI/AAAAAAAAE54/hvg1fM4u-Ho/s72-c/Jaime+Monfort2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-813486666671961032</id><published>2011-11-05T10:11:00.003Z</published><updated>2011-11-05T10:17:00.524Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>TEUS OLHOS CASTANHOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mjwbuoPizHQ/TrUEBcES_jI/AAAAAAAAE5o/4jNPIWGdxYc/s1600/Jack+Delano%252C+Group+of+Migrants%252C+Near+Shawboro%252C+NC%252C+1940.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-mjwbuoPizHQ/TrUEBcES_jI/AAAAAAAAE5o/4jNPIWGdxYc/s1600/Jack+Delano%252C+Group+of+Migrants%252C+Near+Shawboro%252C+NC%252C+1940.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Jack Delano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quando vi o título &lt;a href="http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2102211"&gt;desta &lt;/a&gt;notícia, ainda por cima na secção de ciência de um jornal, pensei tratar-se de qualquer coisa relacionada com a teoria da evolução, filogénese e isso.&amp;nbsp;Quando finalmente entendi o seu sentido só me apeteceu esfregar os meus olhos castanhos para confirmar que tinha mesmo lido o que acabara de ler.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucas coisas na vida que me provocam tanta repugnância como o racismo. O racismo é a estupidez no seu estado mais puro. Agora, apesar de entender o que é o racismo ou até&amp;nbsp;conseguir entrar na cabeça de uma pessoa racista, nunca tinha sentido na pele o&amp;nbsp;que sentirão aqueles que um dia acordam de manhã e&amp;nbsp;descobrem que são&amp;nbsp;inferiores por terem uma cor de pele considerada inferior ou "socialmente&amp;nbsp;desagradável".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho olhos castanhos. Nunca, jamais, em tempo algum, pensei nos meus olhos como sendo motivo de desconforto ou&amp;nbsp; uma espécie de mácula original.&amp;nbsp;Admito que os meus olhos&amp;nbsp;já viram melhor do que vêem hoje. Por volta dos 40 anos passei a usar óculos para ler e há pouco tempo passei também a usá-los para ver melhor&amp;nbsp;ao longe. Pronto. Mas nunca pensei na cor dos meus&amp;nbsp;olhos como cor de segunda, tal como é sugerido descaradamente pelo título da&amp;nbsp;notícia e depois confirmado pela própria notícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acreditem que não digo isto por ressentimento&amp;nbsp; pessoal. Nunca na vida me senti prejudicado, marginalizado, desprezado, preterido por causa da cor dos meus olhos ou do que quer que fosse. Falo de princípios, de valores, de atitudes perante a vida e perante as outras pessoas absolutamente incompatíveis&amp;nbsp;não&amp;nbsp;apenas com qualquer forma de racismo mas,&amp;nbsp;indo mais longe, com qualquer forma de&amp;nbsp;eugenia, nomeadamente eugenia física.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há homem que goste tanto de ver uma mulher bonita como eu. Adoro a beleza seja qual for a sua expressão: uma paisagem, uma pintura, um objecto, um filme de Tarkovski, certos livros. E, claro, uma mulher bonita também, sobretudo se estiver num filme de Tarkovski. Não sou, pois, insensível à beleza. Aliás, a humanidade nunca foi insensível à beleza&amp;nbsp; e para perceber isso&amp;nbsp;basta ler alguns&amp;nbsp;dos textos mais antigos conservados até hoje, nomeadamente o belíssimo&amp;nbsp;&lt;em&gt;Cântico dos Cânticos. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, não consigo entender a moderna histeria face à beleza e as imposições sociais face à beleza. Eu entendo que um comerciante prefira um(a) empregado)a) bonito (a) e fisicamente atraente para ter atrás do balcão. É normal, é como ter a montra bonita e a loja com boa apresentação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora não entendo o que pode levar mulheres e homens com idade para serem avós e avôs, pior do que a ficarem babados perante a presença da beleza masculina e feminina, a exibirem publicamente&amp;nbsp;a sua baba. Dir-se-á que se trata de um inócuo &lt;em&gt;divertissement&lt;/em&gt;, de viver a criança ou o adolescente&amp;nbsp;que há dentro de cada um de nós, de uma doce e saudável regressão para descomprimir depois de um dia de trabalho. Seja. Mas não deixa de ser um sintoma eugénico numa época em que se valoriza excessivamente a juventude e a beleza e desvaloriza excessivamente a velhice. Numa época em que se valoriza excessivamente o &lt;em&gt;glamour &lt;/em&gt;(verdadeiro ou postiço), as pequenas vaidades, o culto do indivíduo, a irracionalidade e a estupidez como valores assumidos socialmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O modo como esta notícia está escrita é apenas mais um sintoma deste regresso civilizacional. De uma época na&amp;nbsp;qual esta possível futura rejeição dos olhos castanhos não consegue disfarçar uma estupidez bem negra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-813486666671961032?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/813486666671961032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=813486666671961032' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/813486666671961032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/813486666671961032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/teus-olhos-castanhos.html' title='TEUS OLHOS CASTANHOS'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-mjwbuoPizHQ/TrUEBcES_jI/AAAAAAAAE5o/4jNPIWGdxYc/s72-c/Jack+Delano%252C+Group+of+Migrants%252C+Near+Shawboro%252C+NC%252C+1940.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-5462509822722120654</id><published>2011-11-04T15:05:00.002Z</published><updated>2011-11-04T15:08:39.280Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mundo Inteligível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pintura'/><title type='text'>FOCO YOU!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ClGkfTHSgdY/TrPYneg9xrI/AAAAAAAAE5Q/Rq400sgphE8/s1600/otto-steinert-pedestrian_s-foot-1950.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="454px" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-ClGkfTHSgdY/TrPYneg9xrI/AAAAAAAAE5Q/Rq400sgphE8/s640/otto-steinert-pedestrian_s-foot-1950.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Otto Steinert | Pedestrian Foot&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Achei piada ao&amp;nbsp;Don Delillo dizer&amp;nbsp;que a sua memória funciona a preto e branco (entrevista no&lt;em&gt; Expresso&lt;/em&gt; da semana passada). Eu li isto e pus-me a pensar como funciona a minha:&amp;nbsp;se a cores ou a preto e branco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coisa engraçada, julgo que nem de uma maneira, nem de outra. Se pensar no meu primeiro dia de escola primária,&amp;nbsp;nos sítios onde jogava à bola, no primeiro beijo, no dia em que cheguei a Lisboa para estudar, na primeira aula que dei, não vejo cores, nem preto e branco. Coisa estranha, logo eu que tenho uma boa memória fotográfica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebo, entretanto, que a minha lógica mnésica se concentra, não numa tensão entre&amp;nbsp;cor e preto e branco mas numa tensão entre focagem e desfocagem. Intuitivamente associamos o preto e branco a um&amp;nbsp;tempo longínquo e a cor a um&amp;nbsp;tempo mais recente, havendo uma gradação cromática em função de uma&amp;nbsp;maior ou menor distância temporal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meu caso, porém, o que acontece é sempre uma desfocagem da qual emergem, como bolhas que se dilatam para logo de seguida rebentarem, fugazes e insípidos&amp;nbsp;raios de nitidez, referências físicas e&amp;nbsp;espaciais&amp;nbsp;como&amp;nbsp;pequenos esboços que parecem querer assumir contornos reais mas que rapidamente submergem num fundo desfocado do qual não conseguem fugir. E do qual estão ausentes quaisquer referências cromáticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É neste sentido que, no meu caso, a memória se torna mais coisa mental do que física ou visual, uma espécie de fantasmagoria conceptual resultante de uma&amp;nbsp;sincrética&amp;nbsp;fusão de imagem e conceito da qual resulta uma imagética abstracção que rouba&amp;nbsp;toda a&amp;nbsp;vividez e nitidez a um plano sensível outrora real, colorido e superiormente focado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que vejo, então, quando vejo o passado? Não vejo cores mas também&amp;nbsp;não vejo formas com contornos reais. Não posso, por isso, fazer sequer uma comparação entre o que se passa&amp;nbsp; na minha cabeça com as (belíssimas)&amp;nbsp;monocromias grisalhas de Bruegel que podemos ver em &lt;em&gt;Cristo e a Mulher Adúltera&lt;/em&gt; ou a &lt;em&gt;Morte da Virgem&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-W0pIeehlVxs/TrPxwae0pqI/AAAAAAAAE5Y/wJwZbuAfIkE/s1600/CRISTO%257E1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="462px" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-W0pIeehlVxs/TrPxwae0pqI/AAAAAAAAE5Y/wJwZbuAfIkE/s640/CRISTO%257E1.JPG" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-x7QN81ULvlk/TrPxzckHOqI/AAAAAAAAE5g/a9bTwxwsXbs/s1600/09death.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="431px" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-x7QN81ULvlk/TrPxzckHOqI/AAAAAAAAE5g/a9bTwxwsXbs/s640/09death.jpg" width="640px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque apesar da ausência de cor ou até da ausência do&amp;nbsp;preto e branco, não, obviamente, o preto e branco&amp;nbsp;da fotografia contemporânea mas o preto e branco do &lt;em&gt;chiaroscuro &lt;/em&gt;clássico, continuamos ver aqui uma representação realista e&amp;nbsp;"fotográfica" feita de vívidas morfologias. E&amp;nbsp;também não&amp;nbsp;posso fazer uma comparação com&amp;nbsp;o &lt;em&gt;Guernica&lt;/em&gt; de Picasso, baseada numa possível comparação com&amp;nbsp;a irrealidade e arbitrariedade morfológica dos objectos humanos e não humanos que o povoam, em clara ruptura com uma representação "fotográfica". Porque há uma nitidez nessa arbitrariedade que nada tem que ver com&amp;nbsp;as formas difusas que&amp;nbsp;vagamente emergem&amp;nbsp;na minha memória. Aquele cavalo não existe empiricamente mas passou a existir inequívoca e vididamente naquele quadro enquanto as imagens da&amp;nbsp;minha memória são uma espécie de&amp;nbsp;espuma que tão depressa se forma como se desvanece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que vejo quando vejo o passado acaba, assim, por ser uma mistura de elementos literários e cinematográficos ou fotográficos. Como acontece quando leio um livro e tento visualizar o que estou a ler. Eu leio o meu passado como leio&amp;nbsp;um livro e&amp;nbsp;naturalmente inicio&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;reconstrução mnésica feita de imagens que vagamente remetem para os conteúdos literários.&amp;nbsp;De modo que&amp;nbsp;pôr-me a pensar no dia em que cheguei a Lisboa para estudar é como estar a ler num livro que alguém chegou à universidade para estudar. A analogia não é perfeita pois fui eu próprio que estive na universidade e conheço a universidade. Ora, se eu ler num romance "John chegara naquele dia a Harvard para estudar filosofia", o que acontece na minha cabeça ao pensar em Harvard não pode ser o mesmo que se passa ao pensar na Faculdade de Letras de Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, a analogia funciona, não tanto com as referências arquitectónicas, urbanas, paisagísticas (centenas ou milhares&amp;nbsp;de vezes vistas) mas com as vivências:&amp;nbsp; momentos únicos, irrepetíveis e irreversivelmente mortos na vacuidade de um passado morto mas que sobrevive desfocado na minha&amp;nbsp;consciência. E não há óculos para esta miopia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-5462509822722120654?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/5462509822722120654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=5462509822722120654' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5462509822722120654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/5462509822722120654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/foco-you.html' title='FOCO YOU!'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ClGkfTHSgdY/TrPYneg9xrI/AAAAAAAAE5Q/Rq400sgphE8/s72-c/otto-steinert-pedestrian_s-foot-1950.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-2962939833360286837</id><published>2011-11-03T21:55:00.000Z</published><updated>2011-11-03T21:55:28.882Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nugae'/><title type='text'>COLARINHOS SEM COLEIRA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-baePNSccYv8/TrMMB78MmFI/AAAAAAAAE5I/5E2c1YP1C_o/s1600/Ueda+Shoji.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-baePNSccYv8/TrMMB78MmFI/AAAAAAAAE5I/5E2c1YP1C_o/s640/Ueda+Shoji.jpg" width="613px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ueda&amp;nbsp;Shoji | Auto-retrato com Balão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje de manhã fiquei baralhado&amp;nbsp;quando,&amp;nbsp;depois de vestir o pullover de gola redonda, precisei de compor os colarinhos da camisa. Como sempre, ajeitei-os para dentro do pullover. Só que, como eram maiores do que o habitual, senti-me desconfortável com eles metidos para dentro. Resolvi então fazer o que nunca tinha feito na vida: meter os colarinhos para fora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo-me ao espelho para&amp;nbsp;avaliar o efeito&amp;nbsp;e tive uma sensação estranha ao ver aqueles enormes colarinhos simetricamente dispostos para fora do pullover. De repente, passaram pela minha cabeça imagens dos anos&amp;nbsp;60 e&amp;nbsp;70 povoadas de pessoas humildes com colarinhos enormes para fora das camisolas. Ou as roupas dos lisboetas no dia 25 de Abril de 1974, completamente pirosas para os nossos padrões actuais.&amp;nbsp;Pensei então que seria ridículo sair assim para a rua, pela possível pirosice do efeito e porque estaria a vestir uma coisa fora de moda.&amp;nbsp;Mas, ao mesmo tempo, estava a gostar de me ver assim vestido, até porque&amp;nbsp;os colarinhos&amp;nbsp;brancos da camisa combinavam lindamente com as riscas horizontais&amp;nbsp;castanhas e cor de&amp;nbsp;café com leite do&amp;nbsp;pullover. Foi então assim que saí à rua. Sem me preocupar se&amp;nbsp;estaria ou não a ser&amp;nbsp;piroso, se estaria ou não de acordo com a moda e as convenções do bom gosto. Sem me preocupar se iria ou não ser criticado ou gozado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há 5, 10 ou 20 anos atrás eu não teria arriscado. Ter-me-ia lembrado dos lisboetas de 1974 e que agora estamos em 2011. Ter-me-ia recusado a sair à rua, desviando-me das convenções e sem ter a certeza da legitimidade estética da minha roupa. Hoje, porém, não quis saber disso para nada e saí como bem me apeteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 20 e poucos anos tive uma fase marxista. Andava então vestido como achava que devia andar vestido um marxista. Um dia, numa manifestação "Atomkraft, Nein Danke" em frente a uma central nuclear alemã, eu estava rodeado de amigos alternativos, com toda a semiótica a condizer: roupas, barbas, cabelos,&amp;nbsp;calçado artesanal, enfim, esse tipo de coisas. Entretanto é-me apresentado o primo de uma amiga minha que por acaso também ali se encontrava: cabelinho cortado, barbeado,&amp;nbsp;calças de fazenda todas vincadinhas. Em Portugal poderia ser um militante da JSD. Fiquei estupefacto. Como era possível uma pessoa que eu considerava normal vestir-se assim daquela maneira? Eis-me, pois, ali&amp;nbsp;subordinado a códigos rígidos de vestuário, anulando por completo o que será o arbítrio e o gosto individual de cada um.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje ao assumir o risco de sair assim à rua, assumi a minha liberdade de ser quem sou e de esse "eu" ser muito mais do que a minha ideologia, o partido em que voto, a minha sensibilidade filosófica, mas também os padrões impostos pelo gostos presentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti-me livre ao sair assim para a rua. E foi bom.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-2962939833360286837?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/2962939833360286837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=2962939833360286837' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2962939833360286837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/2962939833360286837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/colarinhos-sem-coleira.html' title='COLARINHOS SEM COLEIRA'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-baePNSccYv8/TrMMB78MmFI/AAAAAAAAE5I/5E2c1YP1C_o/s72-c/Ueda+Shoji.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7478197963058067670</id><published>2011-11-02T17:19:00.003Z</published><updated>2011-11-02T18:41:55.766Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>MEMENTO MORI [II]</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/BBeXF_lnj_M" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7478197963058067670?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/7478197963058067670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=7478197963058067670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7478197963058067670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7478197963058067670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/memento-mori-ii.html' title='MEMENTO MORI [II]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/BBeXF_lnj_M/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-7994997298734537020</id><published>2011-11-02T17:17:00.001Z</published><updated>2011-11-02T18:59:57.341Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>MEMENTO MORI [I]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tPviU0LCwrw/TrF3PndvXnI/AAAAAAAAE5A/imiIX3NpHOg/s1600/tumblr_lmsvzvgkMw1qabkcko1_1280.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-tPviU0LCwrw/TrF3PndvXnI/AAAAAAAAE5A/imiIX3NpHOg/s640/tumblr_lmsvzvgkMw1qabkcko1_1280.jpg" width="466px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, não me ocorreu invocar o dia de Todos os Santos.&amp;nbsp;Já&amp;nbsp;&amp;nbsp;ao simbolismo do&amp;nbsp;presente dia&amp;nbsp;não consigo resistir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É que por muito que pensemos nos santos e&amp;nbsp;queiramos&amp;nbsp;imitá-los,&amp;nbsp;à santidade muito poucos haverão de&amp;nbsp;chegar. Já&amp;nbsp;todos&amp;nbsp;aqueles a quem o dia de&amp;nbsp;hoje é dedicado&amp;nbsp;serão sempre modelos e&amp;nbsp; referências&amp;nbsp;que um dia,&amp;nbsp;mais cedo ou mais tarde,&amp;nbsp;copiaremos&amp;nbsp;sem qualquer esforço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-7994997298734537020?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/7994997298734537020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=7994997298734537020' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7994997298734537020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/7994997298734537020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/memento-mori-i.html' title='MEMENTO MORI [I]'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-tPviU0LCwrw/TrF3PndvXnI/AAAAAAAAE5A/imiIX3NpHOg/s72-c/tumblr_lmsvzvgkMw1qabkcko1_1280.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-1037696948188989757</id><published>2011-11-01T10:34:00.004Z</published><updated>2011-11-01T10:39:03.352Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='As fotografias dos outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>O PROFESSOR PARDAL</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-coE6i2dDv2k/Tq_CGuVHq1I/AAAAAAAAE4Q/kUTmM-xgdQc/s1600/Sir_John_Herschel_with_Cap%252C_by_Julia_Margaret_Cameron.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-coE6i2dDv2k/Tq_CGuVHq1I/AAAAAAAAE4Q/kUTmM-xgdQc/s640/Sir_John_Herschel_with_Cap%252C_by_Julia_Margaret_Cameron.jpg" width="494px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto muito destes rostos de John Herschel, fotografados por Julia Margaret Cameron.&amp;nbsp;Foram estes olhos alucinados&amp;nbsp;que viram o hipossulfito de sódio funcionar como fixador da fotografia,&amp;nbsp;foi com&amp;nbsp;esta expressão de génio exilado que se preparou o terreno para a impressão com sais de ouro e sais de platina, dando origem ao milagre da fotografia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal como acontece&amp;nbsp;em relação a&amp;nbsp;Charles Darwin nas suas domésticas experiências com percebes enquanto a família espera por ele para almoçar, não é difícil imaginá-lo&amp;nbsp;a realizar as suas experiências num fáustico e sombrio anexo lá de casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto desta visão romântica do cientista solitário que chafurda na intimidade química da natureza como um poeta na voluptuosa&amp;nbsp;intimidade da linguagem, contrastando com a imagem actual&amp;nbsp;da ciência que surge&amp;nbsp;cada vez&amp;nbsp;mais como&amp;nbsp;um processo colectivo, realizado em assépticos e iluminados&amp;nbsp;laboratórios saídos de um filme de Tati. A essência&amp;nbsp;do cientista&amp;nbsp;é a mesma desde&amp;nbsp;Tales de Mileto, do mesmo modo que as escravas trácias também pouco mudaram.&amp;nbsp;Mas o tempo encarregou-se de ir retirando ao cientista a sua aura xamânica, a fragilidade&amp;nbsp;de um exilado do mundo mas que sabe mais desse mundo num dedo do que&amp;nbsp;as escravas trácias na imensidão capilar das&amp;nbsp;suas pujantes&amp;nbsp;cabeleiras.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas &lt;em&gt;Aventuras dos Cinco&lt;/em&gt;, o tio Alberto era um mistério dentro dos próprios mistérios&amp;nbsp;da pequenada, vivendo oculto e fechado no seu impenetrável reino muito longe deste mundo. Alberto? Alberto lembra-me aquele famoso&amp;nbsp;alemão distraído e&amp;nbsp;de cabelos desgrenhados que tratou do espaço e do tempo como Cézanne tratava das formas no seu atelier, apagando com uma esponja as monótonas evidências do olhar comum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos, pois, muito longe do cientista-funcionário, do cientista engravatado rodeado de assistentes, gravitando por corredores institucionais. O romantismo está, na verdade, muito longe. Restam as fotografias que o próprio Herschel ajudou a criar para nos podermos melhor lembrar dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-r0m-Sh0AKOI/Tq_KFawKNII/AAAAAAAAE4Y/q5w7dxb1-Qo/s1600/466px-John_Herschel_by_Jula_Margaret_Cameron%252C_Abril_1867.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640px" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-r0m-Sh0AKOI/Tq_KFawKNII/AAAAAAAAE4Y/q5w7dxb1-Qo/s640/466px-John_Herschel_by_Jula_Margaret_Cameron%252C_Abril_1867.jpg" width="496px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-1037696948188989757?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/1037696948188989757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=1037696948188989757' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1037696948188989757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/1037696948188989757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/11/o-professor-pardal.html' title='O PROFESSOR PARDAL'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-coE6i2dDv2k/Tq_CGuVHq1I/AAAAAAAAE4Q/kUTmM-xgdQc/s72-c/Sir_John_Herschel_with_Cap%252C_by_Julia_Margaret_Cameron.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3828336019867548037.post-3951630465995054912</id><published>2011-10-31T13:53:00.002Z</published><updated>2011-10-31T13:55:38.202Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='As fotografias dos outros'/><title type='text'>GÉRARD CASTELLO LOPES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wwrP2tv9vhY/Tq6lhSNZtsI/AAAAAAAAE4I/oegdhCe0ts4/s1600/gerard-castello-lopes-lisboa-1957.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-wwrP2tv9vhY/Tq6lhSNZtsI/AAAAAAAAE4I/oegdhCe0ts4/s1600/gerard-castello-lopes-lisboa-1957.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Imperdível, para quem gosta de fotografia, a exposição de Gérard Castello Lopes no BES Arte&amp;nbsp;&amp;amp; Finança (até 12 de Janeiro). 156 fotografias, abrangendo&amp;nbsp;várias fases do seu trabalho. &lt;br /&gt;Conhecia dele o que quase toda a gente conhece (muito pouco, esqueçam o Google Imagens). E se já o&amp;nbsp;admirava, com esta exposição fiquei absolutamente rendido.&amp;nbsp;Estamos,&amp;nbsp;sem dúvida, perante um fotógrafo&amp;nbsp;incontornável na história da&amp;nbsp;fotografia da segunda metade do século XX.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podemos&amp;nbsp;admirar a sua fotografia a partir de várias entradas:&amp;nbsp;as paisagens humanas, o impecável claro-escuro de algumas fotografias&amp;nbsp;(assombroso o retrato da mulher do compositor Luís de Freitas Branco), as possibilidades narrativas de&amp;nbsp;outras, a elegância formal de certas imagens. Mas o que verdadeiramente me impressionou em muitas fotografias é o modo fabuloso como, de um modo natural e&amp;nbsp;sem truques, consegue, no mesmo plano,&amp;nbsp;fragmentar o real, criar descontinuidades. Como se fotografasse realidades completamente diferentes que, depois de coladas, surgiriam&amp;nbsp;artificialmente lado a lado, confundindo o nosso sentido de percepção, obrigado a dividir-se entre o mesmo e o outro através de dois planos separados sem o estarem efectivamente. &lt;br /&gt;Discípulo de Cartier-Bresson, Castello Lopes vai bem mais longe, assumindo em muitas das suas fotografias a exploração de elementos formais que lhe conferem uma identidade e um padrão autónomo relativamente ao grande génio francês.&lt;br /&gt;Repito: imperdível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3828336019867548037-3951630465995054912?l=ponteirosparados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/feeds/3951630465995054912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3828336019867548037&amp;postID=3951630465995054912' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3951630465995054912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3828336019867548037/posts/default/3951630465995054912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteirosparados.blogspot.com/2011/10/gerard-castello-lopes.html' title='GÉRARD CASTELLO LOPES'/><author><name>José Ricardo Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06922029994083477552</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wwrP2tv9vhY/Tq6lhSNZtsI/AAAAAAAAE4I/oegdhCe0ts4/s72-c/gerard-castello-lopes-lisboa-1957.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
