Lewis Hine
É em dias como o de hoje, regressado ao trabalho, que consigo entender um homem tão contraditório como Rousseau, o mesmo homem que escreve um texto tão optimista e engagé como o Contrato Social, no qual explora o famoso conceito de Vontade Geral e um texto tão amargo e pessimista como Os Devaneios de um Caminhante Solitário, onde escreve coisas como (sexto passeio): «A conclusão que posso extrair de todas estas reflexões é que não fui feito para a sociedade civil, onde tudo é opressão, obrigação, dever; o meu temperamento independente tornou-me sempre incapaz de sujeições necessárias a quem quiser viver entre os homens».
Meu deus, como eu entendo esta conversa. Entendo eu e entende a etimologia da palavra "trabalho", que deriva de "tripalium", um instrumento de tortura entre os romanos. Não é que eu não goste de trabalhar. Mas gosto muito mais de não trabalhar e cada vez sinto menos a necessidade de o fazer, a não ser financeira. Já lá vai o tempo em que eu dizia que, mesmo rico, não deixaria de trabalhar. Hoje, a minha pulsão para o ócio sobrepõe-se cada vez mais aos méritos sociais e políticos do negócio. Nós, humanos que nunca chegámos a conhecer o paraíso nem temos qualquer culpa dos disparates dos nossos bíblicos progenitores, não merecíamos que o raio do Pecado Original nos saísse tão caro. Vale amanhã surgir de novo, radiante, o fim de semana, um pequeno vislumbre de salvação.
É em dias como o de hoje, regressado ao trabalho, que consigo entender um homem tão contraditório como Rousseau, o mesmo homem que escreve um texto tão optimista e engagé como o Contrato Social, no qual explora o famoso conceito de Vontade Geral e um texto tão amargo e pessimista como Os Devaneios de um Caminhante Solitário, onde escreve coisas como (sexto passeio): «A conclusão que posso extrair de todas estas reflexões é que não fui feito para a sociedade civil, onde tudo é opressão, obrigação, dever; o meu temperamento independente tornou-me sempre incapaz de sujeições necessárias a quem quiser viver entre os homens».
Meu deus, como eu entendo esta conversa. Entendo eu e entende a etimologia da palavra "trabalho", que deriva de "tripalium", um instrumento de tortura entre os romanos. Não é que eu não goste de trabalhar. Mas gosto muito mais de não trabalhar e cada vez sinto menos a necessidade de o fazer, a não ser financeira. Já lá vai o tempo em que eu dizia que, mesmo rico, não deixaria de trabalhar. Hoje, a minha pulsão para o ócio sobrepõe-se cada vez mais aos méritos sociais e políticos do negócio. Nós, humanos que nunca chegámos a conhecer o paraíso nem temos qualquer culpa dos disparates dos nossos bíblicos progenitores, não merecíamos que o raio do Pecado Original nos saísse tão caro. Vale amanhã surgir de novo, radiante, o fim de semana, um pequeno vislumbre de salvação.
