Henri Cartier-Bresson
A ideia de normalidade não é necessariamente boa. Direi mesmo que uma obsessiva preocupação com a normalidade me deixa apreensivo. Fará sentido desejar ser normal num mundo em que a esmagadora maioria das pessoas sofre de enxaquecas? A minoria que não sofre de enxaquecas deverá querer sofrer igualmente de enxaquecas, para sentir o confortável afago da normalidade? E se, ainda assim, não conseguir sofrer? Deverá padecer de um sentimento de culpa por isso? A enxaqueca, num mundo assim, poderá ser estatisticamente normal e o critério para saber o que é ou não é normal pode passar pela estatística. É normal fazer X, ou gostar de X, porque a maioria faz ou gosta de X.
Mas podemos pensar a ideia de normalidade por outra via: pensar no sentido de fazer X ou de gostar de X, perguntando, por exemplo, se faz sentido querer sofrer de enxaquecas ou gostar de enxaquecas, ou, pelo contrário, se faz sentido não querer sentir dor ou não gostar de sentir dor.
As duas vias não são incompatíveis. Há coisas que são estatisticamente normais e que serão estatisticamente normais muito provavelmente porque fará todo o sentido serem consideradas normais. Mas também haverá muita coisa estatisticamente normal que, muito provavelmente, de acordo com a segunda via, poderá ser considerada anormal.
A ideia de normalidade não é necessariamente boa. Direi mesmo que uma obsessiva preocupação com a normalidade me deixa apreensivo. Fará sentido desejar ser normal num mundo em que a esmagadora maioria das pessoas sofre de enxaquecas? A minoria que não sofre de enxaquecas deverá querer sofrer igualmente de enxaquecas, para sentir o confortável afago da normalidade? E se, ainda assim, não conseguir sofrer? Deverá padecer de um sentimento de culpa por isso? A enxaqueca, num mundo assim, poderá ser estatisticamente normal e o critério para saber o que é ou não é normal pode passar pela estatística. É normal fazer X, ou gostar de X, porque a maioria faz ou gosta de X.
Mas podemos pensar a ideia de normalidade por outra via: pensar no sentido de fazer X ou de gostar de X, perguntando, por exemplo, se faz sentido querer sofrer de enxaquecas ou gostar de enxaquecas, ou, pelo contrário, se faz sentido não querer sentir dor ou não gostar de sentir dor.
As duas vias não são incompatíveis. Há coisas que são estatisticamente normais e que serão estatisticamente normais muito provavelmente porque fará todo o sentido serem consideradas normais. Mas também haverá muita coisa estatisticamente normal que, muito provavelmente, de acordo com a segunda via, poderá ser considerada anormal.
Eu disse que a obsessão pela normalidade me deixa apreensivo mas eu próprio sou um tipo obcecado pela normalidade. Não pela estatística, que é coisa que sempre detestei. Obcecado pela normalidade, sim, mas no segundo sentido. Ser normal é o meu grande objectivo como pessoa. Mas também gosto de saber que tudo o que faço ou de que gosto, faz sentido. Depois, é só consentir.
